O Cinearte e o Largo dos Santos Mártires Veríssimo, Máxima e Júlia

O Cinearte no Largo de Santos em 1960 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cinearte no Largo de Santos em 1960
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cinearte foi inaugurado em 1940 na via pública que na época se denominava Rua Vasco da Gama e hoje conhecemos por Largo de Santos, topónimo evocativo dos Santos Mártires Veríssimo, Máxima e Júlia.

O Cinearte foi  encomendado pela Sociedade Administradora de Cinemas, Lda. ao Arqº. Rodrigues Lima (1909-1980) que planificou um volume modernista coberto por terraço, contrastante com a traça urbana envolvente e que está classificado como Imóvel de Interesse Público (Decreto n.º 2/96, DR, 1.ª série-B, n.º 56 de 06/03/ 1996). Começou a ser construído em 1938 na então Rua Vasco da Gama e abriu ao público em 14 de março de 1940, encerrando como cinema  em dezembro de 1981. A partir de 1989 o nº2-A do Largo de Santos passou a ser a casa da companhia de teatro A Barraca.

Só 7 anos após a abertura de portas do Cinearte é que  nasceu o Largo de Santos, formado pelo troço da Rua Vasco da Gama que tinha os prédios com os nºs 68 a 172 e pela Rua Vitorino Damásio, através do Edital municipal de 17 de junho de 1947. O topónimo ligava-se à então Calçada de Santos (desde 30 de dezembro de 1974 é a Calçada Ribeiro dos Santos) e à Paroquial de Santos-ao-Velho, junto ao antigo Mosteiro de Santos-o-Velho (e Embaixada de França no ano seguinte), nome que se relaciona com os três irmãos Santos Mártires Veríssimo, Máxima e Júlia, mortos em 303 ou 304 nesta cidade de Lisboa, a mando do imperador romano Diocleciano por confirmaram a sua fé cristã e cujos corpos terão dado à praia de Santos, segundo a tradição.

A Rua Vasco da Gama em 1901 (Foto: Machado & Souza; Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua Vasco da Gama em 1901 (Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

Talvez tenha existido um  templo tardoromano do século IV provavelmente, dedicado aos santos mártires Veríssimo, Máxima e Júlia, e sobre ele (ou não) foi edificada uma igreja em 1147 por determinação de D. Afonso Henriques, já que a devoção lisboeta a estes Santos Mártires seria já enraizada. A igreja e o Mosteiro de Santos-o-Velho foram doados pelo filho do 1º rei português, D. Sancho I , em 1194, aos freires da Ordem de Santiago, mas que em 1290, por força da partida dos cavaleiros para o sul do país para fazerem a Reconquista, estava sobretudo ocupados pelas mulheres, filhas e viúvas daqueles monges-cavaleiros, convertendo-se no Mosteiro das Comendadeiras da Ordem de Santiago, que acabou por ser transferido para Coimbra e regressar a Lisboa em 1490, mas desta feita para a zona de Xabregas (Calçada da Cruz da Pedra) que ficou conhecido como Santos-o-Novo.

Já em Santos-o-Velho, o espaço foi arrendado a Fernão Lourenço, banqueiro e armador. Em 1497, por acordo entre as partes passou a ser um Paço Real e foi sendo ora morada de reis ora morada dos nobres Lancastre que o conseguiram comprar às Comendadeiras em 1629. Já a Igreja Paroquial de Santos-o-Velho teve intervenções em 1696 do arqº João Antunes  e obras de restauro em 1861 e 1876. Em 1870, o Palácio foi arrendado ao Ministro de França em Lisboa, o Conde Armand, que aí instalou a legação francesa e em 1909 o governo francês comprou mesmo o edifício, no qual instalou em parte, em 1937, o Institut Français e a partir de 1948, a Embaixada de França.

Largo de Santos -Freguesia da Estrela (Planta: Sérgio Dias)

Largo de Santos -Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

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2 thoughts on “O Cinearte e o Largo dos Santos Mártires Veríssimo, Máxima e Júlia

  1. Pingback: A Senhora do Paraíso de D. João II | Toponímia de Lisboa

  2. Frequentei muitas vezes há uns 60 anos, acompanhado minha mãe que gostava de ver daqueles filmes que até faziam chorar as pedras da calçada, Um dos filmes foi o Gigante, mãe preta e salvo erro “A noiva”. Saudades .

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