O Apolo 70 na Avenida do autor d’As Pupilas do Senhor Reitor

O cinema Apolo 70 na Avenida Júlio Dinis em 1977 (Foto: Vasques, Arquivo Municipal)

O cinema Estúdio Apolo 70 na Avenida Júlio Dinis em 1977
(Foto: Vasques, Arquivo Municipal)

A artéria do início do séc. XX – primeiro Rua e depois Avenida – que perpetua em Lisboa o escritor portuense Júlio Dinis, autor de As Pupilas do Senhor Reitor e criador do romance campesino, acolheu em 1971 o cinema Estúdio Apolo 70, no Drugstore do mesmo nome, simbolizando a sua modernidade com a colagem à chegada do homem à Lua no Programa Apollo, que na 5ª missão tripulada – Apollo 11 – conseguiu  realizar a primeira alunagem, no dia 20 de julho de 1969.

Júlio Dinis começou por ser topónimo lisboeta com a categoria de Rua, através da deliberação camarária de 4 de fevereiro de 1909, passando a Avenida dezasseis anos depois, pelo Edital municipal de 8 de junho de 1925, que também tornou Avenidas as Ruas António de Serpa, Barbosa du Bocage, Elias Garcia, João Crisóstomo e Visconde de Valmor.

 em 26 de maio de 1971 foi inaugurado no nº 10 A da Avenida Júlio Dinis o Drugstore Apolo 70, com o nome que se dava então na Europa aos centros comerciais. No dia seguinte, abriu nele uma sala de cinema com 300 lugares, o Estúdio Apolo 70, planificado pelo Arqº Augusto Silva e decorado por Paulo Guilherme. A programação estava a cargo de Lauro António (entre 1969 e 1985) que escolheu como filme de estreia O Vale do Fugitivo, de Abraham Polonsky, um western que era uma metáfora da guerra do Vietname. O cinema fechou em 1990 e o seu espaço foi ocupado por um restaurante.

Branco e Negro, 13 de setembro de 1896

Branco e Negro, 13 de setembro de 1896

Júlio Dinis é o pseudónimo do médico Joaquim Guilherme Gomes Coelho (Porto/14.11.1839-12.09.1871/Porto) mas que se notabilizou sobretudo pela escrita, considerado cultor da transição entre o romantismo e o realismo, através dos títulos As Pupilas do Senhor Reitor (1867), publicado no ano anterior em fascículos no Jornal do PortoUma Família Inglesa (1868), também publicado no ano anterior em fascículos no Jornal do Porto; A Morgadinha dos Canaviais (1868); as novelas Serões da Província (1870); Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871). Postumamente, foram acrescentados à sua obra impressa os volumes Poesias (1873), Inéditos e Esparsos (1910) e Teatro Inédito (1946-1947). No decorrer do séc. XX  os seus romances foram diversas vezes adaptados ao cinema e mais tarde, também à televisão.

Formado em medicina na Escola Médica do Porto,em 27 de julho de 1861,  passou a maior parte da sua vida entre o Porto e Ovar, e por ter contraído tuberculose não chegou a exercer medicina e ocupou-se com a escrita, tendo também publicado textos literários em A Grinalda,  O Jornal do Comércio, Semana de Lisboa e Serões. Contudo, foi lente substituto no corpo docente da Escola Médica-Cirúrgica do Porto. Júlio Dinis também usou o pseudónimo de Diana de Aveleda, com que assinou pequenas narrativas ingénuas como Os Novelos da Tia Filomena e o Espólio do Senhor Cipriano (1862 e 1863), assim como  pequenas crónicas no Diário do Porto.

Júlio Dinis ainda foi duas vezes para a Madeira, considerada na época um lugar eficaz para a cura da tuberculose, mas acabou por falecer antes de completar 32 anos de idade, como antes acontecera a sua mãe e aos seus 8 irmãos.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s