A Rua Amadeu de Sousa Cardoso nascida em 1988 sobre a Rua Bocage

na Freguesia de Alcântara

Freguesia de Alcântara                                                                (Foto: José Carlos Batista)

Amadeu de Sousa Cardoso foi fixado na toponímia alfacinha setenta anos após a sua morte, no arruamento que liga a Rua dos Lusíadas à Rua João de Barros, através do Edital de 29 de fevereiro de 1988, naquela que era a Rua Bocage desde a deliberação camarária de 08/07/1892 e ainda antes, as Ruas nºs 7 e 8 do Bairro do Casal do Rolão, em Alcântara.

Conforme se pode ler na acta da reunião da Comissão de Toponímia de 17 de fevereiro de 1988, o Vereador Vítor Reis sugeriu o nome de Amadeu de Sousa Cardoso para identificar um arruamento citadino, e a Comissão de Toponímia então presidida  pelo Vereador Comandante Pinto Machado «Atendendo a que existem em Lisboa dois arruamentos ambos evocando a memória do poeta Bocage [o cientista na Avenida Barbosa du Bocage e o poeta na Rua Bocage], e que não se justifica essa duplicação toponímica»,  foi de parecer que a Rua Bocage em Alcântara se passasse a denominar Rua Amadeu de Sousa Cardoso. Mais tarde, em 1996, por proposta de Appio Sottomayor na Comissão Municipal de Toponímia voltou Manuel Maria Barbosa do Bocage a Lisboa com a denominação inequívoca de Rua Poeta Bocage.

Amadeo em 1913

Amadeo em 1913

Amadeo de Souza-Cardoso e pela grafia moderna Amadeu de Sousa Cardoso (Amarante-Manhufe/14.11.1887 – 25.10.1918/Espinho), foi um desenhador, caricaturista e pintor da primeira geração de modernistas portugueses. Aos 18 anos, matriculou-se em Arquitetura na Academia de Belas-Artes de Lisboa e manifestou também a sua arte no desenho, sobretudo como caricaturista.

No ano seguinte (1906) viajou para Paris, na companhia de Francisco Smith, e acabou por se instalar no Boulevard Montparnasse , onde reforçou a sua inclinação para o desenho e a caricatura que  publicou n’ O Primeiro de Janeiro (1907) e na Ilustração Popular (1908-1909). Arrendou um estúdio no 14, Cité Falguière que se tornou também espaço de tertúlias com artistas emigrados como Manuel Bentes, Eduardo Viana, Emmérico Nunes, Domingos Rebelo e  Francisco Smith. No final de 1908 conheceu Lucia Pecetto (Lyon/23.07.1890-23.03.1989/Paris) –  com quem casará em 1914 no Porto- e começou a frequentar as classes do pintor espanhol Anglada-Camarasa, para além de mudar o seu estúdio para a rue des Fleurus, num espaço contíguo ao apartamento de Gertrude Stein. Em 1910 fez uma estadia de três meses em Bruxelas investigando as pinturas dos primitivos flamengos e no ano seguinte expôs trabalhos no Salon des Indépendants de Paris (também em 1912 e 1914) e aprofundou a sua amizade com Amedeo Modigliani, tendo realizado uma exposição conjunta no novo atelier de Amadeu perto do Quai d’Orsay, na rue du Colonel Combes. Amadeu aproximava-se cada vez mais das vanguardas e de artistas como Brancusi, Archipenko, Diego Rivera, Juan Gris ou Max Jacob.  Em 1912, publicou o álbum XX Dessins e expôs no Salon d’Automne a que voltou em 1914. Em 1913, convidado por Walter Pach, integrou com 8 trabalhos a Exposição Internacional de Arte Moderna Armory Show (Nova Iorque, Chicago e Boston),  ao lado de Braque, Matisse ou Duchamp. Nesse mesmo ano voltou a Montparnasse, para novo estúdio na rue Ernest Cresson e participou  no I Herbstsalon de Berlim. Em 1914,  Amadeo veio passar o verão em Manhufe como costumava, após uma passagem por Barcelona para visitar o escultor León Solá onde conheceu Gaudí, sendo  surpreendido pelo deflagrar da I Guerra que o impedirá de regressar a Paris, tal como sucedeu a Robert e Sonia Delaunay que ficaram em Vila do Conde, tendo em conjunto pensado criar uma Corporation Nouvelle para promover exposições internacionais itinerantes, para além de através de Almada Negreiros ter conhecido o grupo dos Futuristas lisboetas, reunidos inicialmente em torno da revista Orpheu e assim em 1917 publicou três obras na revista Portugal Futurista, mas a edição foi apreendida.

Em 1918 contraiu uma doença de pele que lhe atingiu o rosto e as mãos impedindo-o de trabalhar e, trocou Manhufe por Espinho, na tentativa vã de escapar à epidemia de Gripe Espanhola à qual acabou por sucumbir nesse ano. A sua morte antes de completar 31 anos de idade ditou o fim abrupto de uma obra pictórica em plena maturidade e, de uma carreira internacional promissora, conduzindo a que o seu nome só alguns anos após a sua morte ganhasse em Portugal a importância e o reconhecimento que possuía no estrangeiro e muito graças à divulgação do seu trabalho por Almada Negreiros.

Em 1935, foi criado o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso para o Salão Anual de Arte Moderna e em, 1957 José Augusto-França publicou a primeira monografia sobre ele e em 1968 a Fundação Calouste Gulbenkian adquiriu 5 obras de Amadeo que hoje está representando no Museu Municipal Amadeu de Sousa Cardoso em Amarante, no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e no Museu de Arte Contemporânea/Museu do Chiado.

Placa Tipo II

Placa Tipo II                                                            (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de Alcântara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s