O Largo do Calhariz e a exposição de 1916 de Amadeu Sousa Cardoso

O Largo do Calhariz no início do séc. XX (Foto: Alexandre Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo do Calhariz no início do séc. XX
(Foto: Alexandre Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

De 4 a 18 de Dezembro de 1916 Amadeu de Sousa Cardoso expôs em Lisboa 113 obras, acompanhadas de um manifesto de Almada Negreiros, na sede da Liga Naval de Lisboa, no Palácio Calhariz-Palmela, no Largo Calhariz, no espaço que nos dias de hoje é uma agência da Caixa Geral de Depósitos.

O Largo do Calhariz é um troço da seiscentista Estrada da Horta Navia, também denominada Estrada de Santos e este topónimo deriva da residência no local dos Morgados do Calhariz, conforme relata Norberto Araújo«Encontramos-nos na artéria conhecida em tôda a Lisboa pelo “Calhariz”, rua e sítio dêste título, e que tem origem no Palácio dos Sousas Calharizes, como diz o vulgo e como se encontra em livros antigos. É este edifício, à direita, com um pequeno jardim adjacente, e que ocupa todo o quarteirão confinado entre as Ruas do Calhariz, da Atalaia, Travessa das Mercês e Rua da Rosa.»

O Palácio dos Sousa Calhariz foi mandado erigir em 1703 pelo senhor do Morgado do Calhariz, D. Francisco de Sousa Calhariz (1631- 1711). Sofreu em 1842-44 restauros e ampliações da responsabilidade do arqº Giuseppe Cinatti, a mando de  D. Pedro da Sousa Holstein, 1º duque de Palmela e conde de Calhariz.  De 1952  até 1961 voltou a ter obras, traçadas pelo arqº Cândido Teixeira de Melo, e uma anexação ao Palácio Sobral, isto após os Morgados do Calhariz, entretanto mais conhecidos como Duques de Palmela, o terem vendido em 1947 à Caixa Geral de Depósitos para lhe servir de sede, a que sucedeu também em 1969 a obra do arco de ligação entre os dois palácios sobre a Rua da Rosa.

Amadeo em data entre 1908 e 1918

Amadeo em data entre 1908 e 1918

Antes desta venda passaram pelo Palácio do Bairro Alto várias instituições em regime de inquilinato, nomeadamente, a Academia Real de Fortificação (em 1796 e 1811 ou 1803 a 1806); a Câmara Eclesiástica no andar nobre (até 1830); a Contadoria Fiscal da Tesouraria Geral das Tropas ( na década de 30 do séc. XIX); a Companhia de Ferro (após as obras de 1842-1844); no nº33 o Talho nº 138 (em 1878) que depois será a Barbearia Calharix Lda. (1933 – 1944);o Ministério dos Negócios Estrangeiros (de 1882 a 1892),   o estabelecimento de Luiz Vítor Rombert nos nº 30 a 32 (a partir de 1908) que foi trespassado a Casimiro Braga em  1942  e era de H. Santos  de 1945 a 1948; a Liga Naval Portuguesa (1914- 1929); a firma A. Figueiredo e Compª no nº 34 (1914) que depois será de A. Lopes Maia (1927 – 1947); o estabelecimento de móveis Paixão Carvalho Lda.nos nº 27 e 28 (1928-1945);  a firma de Marques e Rodrigues no nº30 (1930) e no nº29 o estabelecimento de Luiz Borges  (1929 -1931) que depois será a sede do Automóvel Clube de Portugal (1935 – 1956).

Freguesia da Misericórdia (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias)

 

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