A Travessa das Freiras da «Sopa de Arroios»

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

Um Edital municipal de 20 abril de 1916 atribuiu a Travessa das Freiras a Arroios, para não ser confundida com  a Travessa das Freiras ( Clarissas) próxima do Campo de Santa Clara, em São Vicente, e tanto mais que as freiras de Arroios são as do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios que  em 1807 por via das invasões napoleónicas popularizaram a Sopa de Arroios.

Esta Travessa ganhou o seu topónimo pela proximidade à antiga Azinhaga das Freiras, que antes já fora a Azinhaga do Leão, e hoje o espaço dessa Azinhaga é o das Ruas Alves Torgo e Quirino da Fonseca.

Freguesia de Arroios                     (Planta: Sérgio Dias)

As freiras que originaram este topónimo eram as do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios. O espaço começou por ser o Noviciado masculino das Missões da Índia de São Francisco Xavier, da Companhia de Jesus, que formava missionários para a evangelização no Oriente. Resultou da vontade do clérigo João Serrão que em 1697 deixou em testamento uma quinta em Frielas para a sua fundação. Porém, imposição régia determinou que ficasse mais perto de Lisboa, numa Quinta de Arroios junto à Estrada de Sacavém, pelo que D. Catarina de Bragança apoiou financeiramente a sua construção, tendo como contrapartida a escolha da invocação de São Francisco Xavier para o noviciado embora para satisfazer também o desejo do Padre João Serrão tenha sido atribuído o orago de Nossa Senhora de Nazaré à igreja. Com planta do Arqº João Antunes o edifício ficou concluído para os primeiros noviços em  1735. Em  1759 os  Jesuítas foram expulsos do nosso país e a a partir de 1766 passou a ser um convento feminino franciscano da Ordem da Imaculada Conceição, vindas do destruído Convento de Nossa Senhora da Luz, em Carnide, e passou então a denominar-se Convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz em Arroios.

São estas freiras que na altura da primeira invasão francesa, em 1807, começaram a fazer distribuição diária de sopa à população carenciada popularizando assim a Sopa de Arroios. Em 1890 o convento foi extinto por morte da última religiosa (madre Maria de São José) e dois anos depois foi instalado um hospital no edifício. Entre 1916 e 1917 a Câmara adquiriu ao Estado 10.615 m2 da cerca do Hospital de Arroios para fazer o 2º troço da Avenida Almirante Reis – entre a Estrada da Circunvalação e a Alameda – e construir a rotunda da futura Praça do Chile.

Esta Travessa das Freiras a Arroios em 1910 era ainda parte da Azinhaga das Freiras e foi nela que o Almirante Cândido dos Reis se suicidou algumas horas antes da implantação da República em Portugal, na madrugada de 4 de outubro, julgando a causa perdida e após ter visitado as suas irmãs que residiam naquela zona. Foi considerado um dos primeiros mártires da revolução, tal como Miguel Bombarda, tendo ambos tido um funeral conjunto  no dia 6 de outubro.

Placa de homenagem a Cândido dos Reis colocada pela CML em 1911 na Travessa das Freiras (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Placa de homenagem a Cândido dos Reis, colocada pela CML em 1911, no local onde foi encontrado morto
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

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