A Rua de Zelins, o autor do «Menino de engenho»

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Por sugestão de Guedes de Amorim num artigo publicado no Século Ilustrado,  a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer positivo a que o autor do romance Menino de engenho, conhecido pelos amigos como Zélins, integrasse a toponímia de Lisboa no arruamento ou Praceta projetado entre a Avenida do Brasil e as Ruas Antónia Pusich e Afonso Lopes Vieira, na Freguesia de Alvalade, como Rua José Lins do Rego, o que aconteceu pelo Edital de 28 de outubro de 1960.

Escritor José Lins do Rego, 2 negativos 6x6 cm PB nitrato

José Lins do Rego Cavalcanti (Pernambuco/03.06.1901 – 12.09. 1957/Rio de Janeiro) morou no Engenho Tapuá de seu pai, e após o falecimento de sua mãe mudou-se para o engenho do seu avô materno, que era o Coronel Bubu do Corredor (José Lins Cavalcanti de Albuquerque), senhor de 8 engenhos da várzea do Rio Paraíba.

Formou-se em Direito no Recife colaborando também  no Diário de Recife e sendo um dos fundadores do semanário Dom Casmurro. Em 1925 ingressou no Ministério Público de Minas Gerais, como promotor em Manhuaçu, mas no ano seguinte transferiu-se  para a capital de Alagoas, onde passou a exercer as funções de fiscal de bancos até 1930, e fiscal de consumo, de 1931 a 1935, sendo assim que participou do movimento regionalista de 33 organizado por Gilberto Freyre no Recife. Em Maceió, colaborou no Jornal de Alagoas e participou no grupo de Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Valdemar Cavalcanti, Aloísio Branco e Carlos Paurílio, entre outros. Publicou o seu 1º livro, Menino de engenho (1932), que foi Prémio da Fundação Graça Aranha e impulsionou a literatura regionalista do nordeste do Brasil. Em 1933 publicou Doidinho, o 2º livro do «Ciclo da Cana-de-Açúcar», a que se seguiram Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935), e Usina (1936), no mesmo ano em que deu à estampa o seu único livro infantil: Histórias da Velha Totonha.

Em 1935 mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a colaborar com O Globo e Diários Associados. Foi também este o ano em que ganhou  paixão pelo futebol, passando de sócio do Flamengo a cronista desportivo e a dirigente do Clube de Regatas do Flamengo, tendo publicado 1571 crónicas desportivas só no Jornal dos Sports. A sua obra passou a espelhar  o neorrealismo pós-modernista brasileiro, com títulos como Fogo Morto (1942) ou Cangaceiros (1953). Entre muitas outras obras de Lins do Rego, destacam-se Água mãe (Prémio da Fundação Felipe de Oliveira), Eurídice (Prémio Fábio Prado). Lins do Rego foi ainda membro da Academia Paraibana de Letras e da Academia Brasileira de Letras (1955).

No presente, podemos encontrar o seu nome também perpetuado em artérias brasileiras de Belo Horizonte, Curitiba, Estado de São Paulo, Estado do Paraná, Goiás, Paraíba, Pelotas, Petrolina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

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