A Rua do Padre António Vieira, defensor da abolição da escravatura

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Padre António Vieira nasceu da deliberação camarária de 21 de outubro de 1909 para homenagear o padre jesuíta que se distinguiu como missionário e pregador, diplomata e político, que a memória popular recorda como o autor do Sermão de Santo António aos Peixes (1654) e da defesa da abolição da escravatura.

Este topónimo foi fixado em 1909 na Rua D entre a Rua José da Silva Carvalho [hoje, Rua de Artilharia Um] e a Rua Castilho, sendo que tal como a Rua Francisco Manuel de Melo, foram artérias que começaram a ser abertas em 1910.

Padre António Vieira pintado por António Nunes Junior no Saão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa (Foto: Francisco Leite Pinto, anos 80 do séc. XX, Arquivo Municipal de Lisboa)

Padre António Vieira pintado por António Nunes Junior no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa
(Foto: Francisco Leite Pinto, anos 80 do séc. XX, Arquivo Municipal de Lisboa)

António Vieira (Lisboa/06.02.1608-18.07.1697/Baía) nasceu na Rua dos Cónegos também conhecida como Rua do Leão, na então freguesia da Sé, como primogénito de quatro filhos da lisboeta Maria de Azevedo e de Cristóvão Vieira Ravasco, de origens alentejanas mas cuja mãe era filha de uma mulata. A partir de 1614 foi viver para o Brasil já que o seu pai conseguiu lá trabalho como escrivão no Tribunal da Relação da Baía. Estudou no colégio jesuíta da Baía e ingressou na Companhia de Jesus como noviço em 1623, recebendo ordens em 1634 e iniciando nessa altura o seu trabalho como pregador, de oratória barroca de acordo com Margarida Vieira Mendes. A partir do final de 1626 ou início do ano seguinte, começou a exercer como professor de Retórica em Olinda e em 1638, foi nomeado Lente de Teologia do Colégio Jesuíta de Salvador.

Em 1641 regressou a Lisboa com o governador, para apresentar ao rei D. João IV a adesão à causa da Restauração. Para além de confessor da rainha D. Luísa de Gusmão, o rei nomeou-o pregador régio e encarregou-o então de várias missões diplomáticas nos Países Baixos (1646) e em França (1647), após o que regressou novamente ao Brasil e se empenhou na missionação junto dos índios, de 1653 a 1661, gerindo a Missão no Maranhão e no Grão-Pará. O Padre António Vieira defendeu incansavelmente os direitos dos povos indígenas, combatendo a sua exploração e escravização, o que lhe valeu 0 nome de Paiaçu, o termo tupi para Grande Pai, tendo ficado célebre o seu Sermão da Primeira Dominga de Quaresma, em 1653, no qual tentou convencer os senhores de engenho a libertarem os seus escravos indígenas.

Deixou uma obra que exprime as suas opiniões políticas em  cerca de 200 Sermões publicados em 16 tomos ( de 1679 a 1699), Esperanças de Portugal – Quinto Império do Mundo, Clavis Prophetarum, História do Futuro e 3 tomos de Cartas. Defendeu os judeus e a abolição da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, assim como a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição. Aliás, após a morte de D. João IV foi condenado pela Inquisição de professar opiniões heréticas, pelos seus manuscritos Esperanças de Portugal,  Clavis Prophetarum História do Futuro, num processo que durou de 21 de julho de 1663 a 1667 sob desterro em Coimbra, e do qual só foi absolvido com a subida ao trono de D. Pedro II, em 1668.

A partir de 1669 e durante seis anos passou a desenvolver trabalho de diplomata em Roma, tendo conseguido que por determinação papal fosse suspensa a Inquisição, entre 1675 e 1681, em Portugal e no império. Em 1681 regressou definitivamente à Baía, e foi visitador-geral das missões do Brasil para além de se dedicar à edição das suas obras, nomeadamente das suas cerca de 700 cartas, tendo aí morrido aos 89 anos de idade.

Em Lisboa, este grande orador também deu nome em 1959 ao Liceu Padre António Vieira, da autoria do arqº Rui Jervis Athouguia. Na toponímia surge, entre outros locais, no Algueirão, em Almada, na Amadora, Braga, Chaves, Coimbra, Fiães, Gondomar, Guarda, Odivelas, Porto, Porto Salvo, Póvoa de Santo Adrião, Rio de Mouro, Santo António dos Cavaleiros, e no Brasil, em Esteio, Parnaíba, Porto Alegre, Salvador, Santa Catarina, São Bernardo e São Paulo.

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

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