Os três bandeirantes da toponímia de Lisboa em Belém

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Em 1976, na zona de Belém, pelo Edital municipal de 30 de dezembro,  foram atribuídos 3 topónimos todos referentes a bandeirantes que exploraram os limites do território brasileiro, todos com a legenda «Bandeirante/Século XVII»:  a Rua António Raposo Tavares, a  Rua Luís Pedroso de Barros e a Rua Luís Castanho de Almeida.

Bandeirantes eram os indivíduos que no Brasil, a partir do séc. XVI, integravam as bandeiras – expedições destinadas a explorar o território brasileiro e da América do sul na época colonial, em busca de riquezas minerais ou indígenas para escravizar -, também conhecidos como bandeiristas ou sertanistas e que permitiram a expansão territorial do Brasil além dos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. Como esta ocupação estava muito ligada a São Paulo, no Brasil o termo bandeirante é também sinónimo de paulista e ainda, de pioneiro.

Pelo mesmo Edital de 1976 a edilidade decidiu atribuir nestes arruamentos da zona do Restelo construídos pela EPUL,  nomes de  navegadores que se distinguiram no século XV como foi o caso do navegador e mercador italiano Alvisse Cadamosto e dos navegadores portugueses Diogo de Teive, Diogo de Silves, Gonçalo de Sintra, Pedro de Sintra, João Dias,  Vicente Dias e ainda, do missionário na Ásia, Padre Bento de Góis.

Rua António Raposo Tavares - Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Rua António Raposo Tavares – Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

António Raposo Tavares (Portugal – São Miguel do Pinheiro/c. 1598 – 1658/S. Paulo – Brasil) , que ficou na Rua R 8 da Zona do Restelo, entre a Rua Álvaro Esteves e a Rua Gonçalo Velho Cabral, foi aos 20 anos para o Brasil, com o seu pai Fernão Vieira Tavares, que governava a Capitania de São Vicente, em São Paulo. Após a morte de seu pai, em 1622, Raposo Tavares participou em bandeiras para capturar índios, na tentativa de escravizá-los. Em 1630, expulsou os jesuítas espanhóis de Guaíra para ampliar a demarcação territorial portuguesa. De volta a São Paulo, em 1633, foi nomeado juiz ordinário da Capitania de São Vicente, mas desistiu do cargo, partindo noutra expedição em 1638, no decorrer da qual expulsou os jesuítas espanhóis da cidade de Tapes. De 1639 a 1642, integrou  as bandeiras paulistas, a pedido de Salvador Correia de Sá, para expulsar os holandeses do estado da Baía e Pernambuco. A sua última jornada como bandeirante começou em  1648, rumo à Amazónia, em busca de prata no território espanhol e regressou em 1651, falecendo 7 anos depois.

Rua Luís Pedroso de Barros - Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Rua Luís Pedroso de Barros – Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Luís Pedroso de Barros (Brasil – S. Paulo/ c. 1608 – c. 1662/Peru), foi fixado na Rua R 9 da Zona do Restelo, entre a Rua Álvaro Esteves e a Rua Gonçalo Velho Cabral, e era também ele um bandeirante, irmão de um bandeirante famoso, Valentim Pedroso de Barros. Em 1639 participou com o seu irmão na expedição para expulsar os holandeses da Baía e Pernambuco, sob o comando de António Raposo Tavares, levando muitos índios da sua propriedade. Em 1656 partiu na bandeira ao sertão dos índios serranos, na Bolívia de hoje e, segundo Pedro Taques, terá falecido em 1662 nos desertos  do Peru. Foi casado com a irmã da sua cunhada, ambas da Baía e ambas a saberem ler e escrever.

Luís Castanho de Almeida (Brasil – S. Paulo/c. 1620 – 1672/Matto Grosso dos Goyazes- Brasil), que deu nome à Rua T 2 da Zona do Restelo, entre a Avenida da Ilha da Madeira e a Rua Gonçalo Velho Cabral, foi um especialista em capturar índios que faleceu de uma flechada numa revolta, quando no sertão de Guanicuns ia para capturar índios. Segundo Pedro Taques «era um valente sertanista que tinha penetrado várias vezes o sertão a conquistar bárbaros gentios, e fez última entrada em 1671, levando somente dois filhos legítimos e dois bastardos, com um corpo de Carijós, chamados naqueles tempos administrados, os quais, não acomodando-se com a vida penosa de fomes e outras necessidades, se uniram todos para matarem a seu administrador Luiz Castanho e aos filhos».

Rua Luís Castanho de Almeida - Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Rua Luís Castanho de Almeida – Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

 

 

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