A Rua do político liberal Rodrigo da Fonseca

A Rua Rodrigo da Fonseca em data entre 1898 e 1908                                                                                  (Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

Na antiga Azinhaga do Vale de Pereiro está desde 1884 fixado o político liberal Rodrigo da Fonseca, pela deliberação camarária de  28 de fevereiro e consequente Edital de 4 de março, na artéria que hoje se estende da Rua do Salitre à Rua Marquês de Fronteira.

Rodrigo da Fonseca Magalhães (Condeixa-a-Nova/24.07.1787-11.05.1858/Lisboa), ainda quando estudante em Coimbra, abraçou a carreira militar alistando-se no  Batalhão Académico sob o comando do lente de Matemática Tristão de Oliveira, para combater as invasões francesas de 1807. Dez anos depois, em 1817, sendo tenente e estando implicado na conspiração de Gomes Freire, abandonou o exército e refugiou-se no Brasil onde foi secretário do seu antigo comandante Luís do Rego Barreto e a partir de 1821, da Junta Governativa organizada após a Revolução Liberal do Porto. Ainda nesse ano de 1821, fundou o primeiro jornal político de Pernambuco, o Aurora Pernambucana.

Regressou a Portugal em 1822 com o general Luís do Rego Barreto de quem já era então genro, mas após o triunfo da Vilafrancada foram ambos deportados para a Figueira da Foz. Em 1824, Rodrigo da Fonseca obteve licença para morar em Viana do Castelo mas  em 1828, após se recusar a aderir à causa da monarquia absoluta de D. Miguel teve de se refugiar em Inglaterra, tendo embarcado com o seu amigo Silva Carvalho. Em Londres apresentou-se a Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela, que liderava a emigração constitucional portuguesa, sendo colocado na secretaria da embaixada, encarregue de dirigir os jornais liberais Aurora e Paquete de Portugal. 

Voltou de vez ao nosso país após o desembarque de D. Pedro IV no Mindelo, sendo então diretor-geral do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça e administrador da Imprensa Nacional. Foi também deputado pelo Minho (1934); fundador com António Pereira dos Reis e redator do Revista; Ministro dos Negócios do Reino do Duque de Saldanha (1835)  período em que criou por decreto o Instituto de Ciências Físicas e Matemáticas em Lisboa mas revogado após protestos da Universidade de Coimbra e queda do governo, repetindo a pasta no governo do 1º Conde de Bonfim (1839) embora tenha contribuído para a sua queda defendeu no parlamento que não podia governar sem a liberdade da imprensa, voltando à pasta em 1851-1856 outra vez com o Marechal Saldanha; Ministro dos Negócios Estrangeiros (1841) no governo de Joaquim António de Aguiar; Conselheiro de Estado (1842); e ainda Par do Reino (1847).

Tendo fixado a sua residência em Lisboa na Rua dos Navegantes, onde veio a falecer, Rodrigo da Fonseca foi ainda sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio do Conservatório Real de Lisboa e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Recusou títulos nobiliárquicos mas mesmo assim foi galardoado como fidalgo cavaleiro da Casa Real (2 de agosto de 1835), com a grã-cruz da Ordem de Cristo, o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, a Cruz n.º 4 das Campanhas da  Guerra Peninsular e a medalha britânica de 7 ações.

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

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