As Ruas de 1960 de um Herói da Ocupação e de um Herói do Ultramar

Freguesias de Ajuda e Belém (Foto: Sérgio Dias)

A Rua General João de Almeida – Freguesias de Ajuda e Belém
(Foto: Sérgio Dias)

No ano anterior ao eclodir da Guerra Colonial, em 1960, foram colocados na toponímia de Lisboa dois militares ligados ao domínio português em África: o General João de Almeida e o Major Neutel de Abreu, nas freguesias de Ajuda-Belém e São Domingos de Benfica, tendo o primeiro a legenda de «Herói da Ocupação» e o segundo de «Herói do Ultramar», ambos sugeridos pela Sociedade de Geografia de Lisboa, que incluía também os nomes dos generais Garcia Rosado, Justiniano Padrel, Massano de Amorim e o Coronel Bento Roma.

O General João de Almeida (Guarda/05.10.1873 – 05.05.1953/Lisboa), Herói dos Dembos e da ocupação do Baixo Cubango foi atribuído como topónimo pelo Edital de 28 de outubro de 1960 na Rua Projetada à Calçada do Galvão. Dez anos mais tarde, por edital publicado em 7 de novembro de 1970 foram também integradas neste arruamento a Travessa do Pátio das Vacas e o Largo do Museu Agrícola Colonial, pelo que hoje se estende da Calçada da Ajuda até à Calçada do Galvão.

Freguesias de Ajuda e Belém - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Ajuda e Belém – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Formado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra, ingressou na Escola do Exército, tendo mais tarde concluído ainda os cursos do Estado Maior do Exército (1903) e da Escola de Engenharia Civil de Paris. Ainda como Capitão, durante as Campanhas de África, comandou em 1907 uma coluna de operações contra os Dembos Rebeldes em Angola que lhe granjeou o epíteto de Herói dos Dembos. No ano seguinte foi nomeado governador interino do distrito de Huíla sendo mais tarde o governador, para além de ter colaborado na ocupação de todo o Baixo Cubango e ajudado o General Roçadas a pacificar a região de Huíla (1909), sendo obra sua a fixação da fronteira meridional de Angola. Também foi Governador e Diretor de obras públicas de Cabo Verde, bem como Governador Geral de Macau (1931).

Em 1919, já coronel e Comandante militar da região de Aveiro, bateu-se pela Monarquia do Norte, ao lado de Paiva Couceiro, a primeira das diversas conspirações em que participou para derrubar a República, já que era Monárquico e simpatizante do Integralismo. João de Almeida foi ainda  Ministro das Colónias durante 3 dias, de 6 a 9 de julho de 1926.

Foi também autor de obras sobre temática colonial – como Carta itinerária de Angola ou A ocupação portuguesa em África na época contemporânea – e sobre a cidade da Guarda – como Roteiro dos monumentos de arquitectura militar do concelho da Guarda ou A Guarda capital da Beira (1937) – , bem como obras didáticas no  âmbito das suas funções de diretor do Instituto de Ensino Normal de Braga. Seguiu ainda uma carreira de administrador de empresas, na Empresa Eléctrica-Oceânica de Aveiro (entre 1920 e 1936), na  Companhia do Papel do Prado (desde 1929) e presidindo à Real Companhia Vinícola do Norte (a partir de 1933).

Foi condecorado como Grande Oficial de Ordem Militar da Torre e Espada, da Ordem Militar de Cristo e da Ordem Militar de Avis (todas em 1929) e a Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial (1932) e também pai de 2 militares: os coronéis Alexandre Mendes Leite de Almeida e João Mendes Leite de Almeida. O General João de Almeida está também na toponímia da Damaia (Amadora) como Rua, na Guarda como Avenida e em Angola, em ruas de Luanda e de Benguela.

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

O Major Neutel de Abreu, de seu nome completo Neutel Martins Simões de Abreu (Figueiró dos Vinhos/ 1871 – 1945/ Figueiró dos Vinhos) ficou perpetuado na Rua A à Praceta I da Estrada de Benfica ou Rua A ao Largo do Conde de Bonfim pelo Edital de 21/12/1960, e desde que assentou praça no Regimento de Infantaria 11 de Setúbal (1888) esteve em Macau ( 1890) e Angola (1891-1898) até chegar a Moçambique, onde se destacou particularmente a comandar o posto de Moginqual e na chamada Pacificação de Moçambique, sobretudo na campanha que procurou  a submissão dos povos Namarrais do norte de Moçambique (1905-1913), comandada por Massano de Amorim. Participou na fundação, em 1907, daquela que veio a ser a cidade da Nampula- derivada do nome do régulo «Mpula» que significa chuva -, onde residiu mais de trinta anos, e na qual impulsionou o estabelecimento de diversas infraestruturas básicas no território. Reformado por razões de saúde em fevereiro de 1920 (ou 1912), aos 49 anos (ou talvez 41), decidiu dedicar-se à agricultura na sua plantação.

Foi galardoado com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos no Ultramar (1916) e a comenda da Ordem Colonial (1941). Tem ainda o seu nome numa escola e numa rua da sua terra natal.

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Major Neutel de Abreu – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

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