Dois antigos Heróis do Ultramar feitos topónimos em novembro de 1961

Freguesia de São Vicente (Foto: Sérgio Dias)

Rua General Justiniano Padrel – Freguesia de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

Dois antigos «Heróis do Ultramar», conforme consta nas legendas, um na Guiné e Angola e outro em Timor, tornaram-se topónimos de São Vicente e da Penha de França, pelo Edital municipal de 10 de novembro de 1961: a Rua General Justianiano Padrel e o Largo Alferes Francisco Duarte.

A Guerra Colonial iniciara-se há 9 meses em Angola e a toponímia de Lisboa exaltou dois militares que combateram pela manutenção da soberania portuguesa nas colónias, no decorrer do séc. XIX e princípios do séc. XX.

A Rua General Justiniano Padrel nasceu num troço da Rua do Barão de Monte Pedral, por sugestão da Sociedade de Geografia, que também incluía os nomes dos generais Garcia Rosado, Massano de Amorim, João de Almeida, major Neutel de Abreu e coronel Bento Roma a que a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável e assim, na sua reunião de 3 de novembro de 1961, esclareceu que «A Comissão foi de parecer que o troço da Rua do Barão de Monte Pedral, desde a sua confluência com a Rua B, passe a denominar-se Rua General Justiniano Padrel, e que a Rua do Barão de Monte Pedral principie na Calçada dos Barbadinhos e abranja a referida Rua B, devendo os respectivos letreiros toponímicos serem escritos da seguinte maneira: Rua General Justiniano Padrel, Herói do Ultramar – 1846 – 1911».

O homenageado, Lourenço Justiniano Padrel (no mar entre Cabo Verde e Guiné/08.01.1846 – 20.06.1911/Luanda) foi um militar que se distinguiu nas Campanhas Militares nas antigas colónias, nomeadamente, no ataque a Caconda (Guiné-Bissau) e no cerco da Fortaleza de Humbe (Angola) onde foi cercado por 10 mil guerreiros e os venceu. Deixou publicado A expedição ao Humbe (1892) e foi agraciado com os graus de cavaleiro, oficial e comendador da Torre e Espada.

O Largo Alferes Francisco Duarte foi gerado na confluência da Rua Sebastião Saraiva Lima e da Praça Paiva Couceiro, no espaço conhecido como Praceta à Rua Sebastião Saraiva Lima, no qual se integrou também o troço do Caminho de Baixo da Penha que tinha os nºs 313 a 329, a partir de uma sugestão do coronel Marino da Cunha Sanches Ferreira dirigida à edilidade por carta.

O alferes Francisco Duarte (?/08.12.1862 – 12.07.1899/Bobonaro – Timor) era «conhecido em Timor pelo cognome de “Arbiru”» – conforme refere a Ata da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 3 de novembro de 1961 – palavra de tétum que significa «homem invencível, homem que nunca descansa». Francisco Duarte estava em  Timor (hoje, Timor Lorosae) desde 1892 e foi um  dirigente militar do distrito cafeicultor de Maubara. Distinguiu-se sobretudo nas campanhas militares que decorreram entre 1893 e 1896, nomeadamente em Lamaquitos, Obulo, Maerobo, Manufai e Deribate, ganhando fama de violento pacificador das revoltas timorenses. Este militar galardoado com a Ordem da Torre e Espada faleceu em combate e foi sepultado no cemitério de Santa Cruz em Díli.

O Largo Alferes Francisco Duarte em 1964 (Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo Alferes Francisco Duarte em 1964
(Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

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