Mortos na Guiné e Angola, em 1963, na toponímia de Olivais Norte

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

No ano de 1964, a Guerra Colonial contava  três anos em Angola desde fevereiro e um ano na Guiné desde janeiro,  e o Edital de 26 de novembro colocou na toponímia de Olivais Norte dois mortos em combate ao serviço da Pátria, um na Guiné e outro em Angola –  a Rua Furriel João Nunes Redondo e a Rua Sargento José Paulo Santos -, ambos com a característica comum de terem abafado com os seus corpos os estilhaços de engenhos de guerra para salvar os outros militares.

A escolha dos arruamentos decorreu a partir das «onze horas e quinze minutos do dia 16 de Novembro de 1964» em que a Comissão Municipal de Toponímia se deslocou « à zona dos Olivais, para emitir parecer sobre a denominação dos seus arruamentos e designar as artérias a que devem ser atribuídos os nomes do sargento José Paulo dos Santos e do furriel miliciano João Nunes Redondo, mortos ao serviço da Pátria nas províncias ultramarinas de Angola e da Guiné, respectivamente. »

A Rua Furriel João Nunes Redondo/Morto na Guiné ao Serviço da Pátria/1963 ficou na Rua F da Zona dos Olivais Norte. João Nunes Redondo (Ílhavo/? – 22.03.1963/Guiné),  era um Furriel Miliciano que quando estava no sul da Guiné, na Tabanca do Cubaque, a proceder ao levantamento de minas, verificou que o dispositivo de disparo de um dos engenhos fora inadvertidamente acionado por um dos sapadores que o auxiliavam na tarefa e deliberadamente, lançou-se sobre a mina prestes a explodir, que o vitimou de imediato evitando a morte dos camaradas próximos. A título póstumo, foi agraciado com o grau de Cavaleiro com Palma da Ordem Militar da Torre de Espada e foi promovido a Sargento Ajudante, a 12 de março de 1964. O seu nome consta também na toponímia da sua terra natal como Rua Sargento Nunes Redondo.
Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Sargento José Paulo dos Santos/Morto em Angola ao Serviço da Pátria/1963 ficou na Rua G da Zona dos Olivais Norte. José Paulo dos Santos (Covilhã-Aldeia do Peso/07.11.1930 – 16.04.1963/Angola), era 2º Sargento de Infantaria, e havia sido feito prisioneiro quando a União Indiana em 1961 tomou Goa, Damão e Dio, mas depois foi colocado em Angola, no Batalhão de Caçadores, onde em Calabanza, conscientemente, cobriu com o seu corpo uma granada de mão que caíra entre os homens que comandava e teve morte imediata. A título póstumo, foi agraciado com o grau de Cavaleiro com Palma da Ordem Militar da Torre de Espada e o seu nome está inscrito no Memorial aos Combatentes do Ultramar em Belém, assim como consta na toponímia da sua terra natal, numa rua e numa travessa.
A Rua Sargento José Paulo dos Santos tem ainda a particularidade de n0 25º aniversário do 25 de Abril, por iniciativa da Associação 25 de Abril apoiada pela Câmara Municipal de Lisboa, ter passado a apresentar um Memorial da autoria do escultor Francisco Simões onde se pode ler «Neste local, em 5 de Fevereiro de 1974 reuniu-se clandestinamente o Movimento dos Capitães para discutirem o Programa Político a apresentar aos portugueses em 25 de Abril de 1974. Homenagem da Câmara Municipal de Lisboa. 5 de Fevereiro de 1999.» Esta peça localiza-se frente ao nº 43, a casa do Coronel Marcelino Marques.
Freguesia dos Olivais (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias)

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