A Senhora do Paraíso de D. João II

Rua do Paraiso em 1900 (Foto: Machado & Souza)

Rua do Paraíso em 1900
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua e  a Travessa do Paraíso, na freguesia de São Vicente, são topónimos derivados da Ermida de Nossa Senhora do Paraíso que ali chegou em 1562, vinda de Santos-O-Velho, por determinação de D. João II.

Freguesia de São Vicente (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias)

Ambos os topónimos estão já na Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal , de Carvalho da Costa, publicada em 3 volumes de 1706 a 1712, sendo a Rua grafada como rua direyta do Paraiso. Hoje, a Rua do Paraíso sai do Largo Dr. Bernardino António Gomes (Pai) para chegar à Calçada do Cascão, enquanto a Travessa do Paraíso liga a Rua do Paraíso ao Campo de Santa Clara.

A Ermida de Nª Sr.ª do Paraíso, foi fundada no ano 1562 no local que viria a ganhar o nome de Rua do Paraíso. Conforme afirma o olisipógrafo Norberto de Araújo « já existira em Santos-O-Velho [junto aos frades marianos] , foi erguida neste sítio em 1562, por mercê de um cavaleiro da Ordem de S. Tiago, Diogo Pereira, com a condição de que em tempo algum pudesse sair da Irmandade o domínio da Ermida. Serviu de sede paroquial de Santa Engrácia desde 1630, e, depois de 1755, continuou a dar albergue àquela paroquial até que esta foi transferida para a Igreja do Convento dos Barbadinhos (1835)».

D. João II ordenou a realização de uma procissão, em 6 de agosto de 1490 para acompanhar a trasladação dos Santos Mártires desde Santos-o-Velho até ao novo mosteiro situado em Nossa Senhora do Paraíso. João Baptista de Castro, em 1763, no seu Mappa de Portugal Antigo e Moderno, tem uma entrada para Santos o Novo onde refere « De Religiosas Commendadeiras da Ordem de Santiago. Foy fundado por ElRey D. João II, em huma Ermida de invocação de Nossa Senhora do Paraiso, situada entre o Convento de Xabregas, e o Mosteiro de Santa Clara, e para ele mandou o dito Rey mudar as religiosas, que se conservavão no antigo Mosteiro de Santos o velho, que hoje he igreja paroquial. Fez-se esta trasladação em 5 de Setembro de 1490».

A Igreja Paroquial de Santa Engrácia esteve durante séculos – de 1630 até 1835 – sediada nesta Ermida do Paraíso, desde que se iniciaram as «Obras de Santa Engrácia» e por lá ficou até ser definitivamente instalada na Igreja do Convento dos Barbadinhos, na Calçada do mesmo nome. Por esta razão foi por vezes referida como freguesia do Paraíso em vez de Santa Engrácia. A seguir, a Ermida de Nossa Senhora do Paraíso foi desafecta do culto, vendida  e demolido o seu interior para acomodar uma unidade militar, passando depois a ser uma estância de madeiras e serração e ainda mais tarde, espaço do  Hospital da Marinha.

Ainda com o mesmo topónimo de Senhora do Paraíso, encontramos em 1913 uma escritura municipal de licença para construção de um bairro particular de Cândido da Cunha Sotto Mayor, denominado Vila Cândida, situado no seu terreno na Quinta da Nossa Senhora do Paraíso, no Caminho de Baixo da Penha.

Travessa do Paraiso em 1900 (Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

Travessa do Paraíso em 1900
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

 

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