Da Rua Direita da Boa Morte à Rua da Senhora do Patrocínio ou das Dores

Rua do Patrocínio, na década de 10 do séc. XX (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua do Patrocínio, na década de 10 do séc. XX
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

A antiga Rua Direita da Boa Morte, topónimo derivado da presença no local da Igreja da Boa Morte, passou após o Terramoto de 1755 a ser a  Rua do Patrocínio, que tal como a Travessa do Patrocínio nasceram da proximidade à Igreja de Nossa Senhora das Dores ou do Patrocínio, erguida nas últimas décadas do séc. XVIII.

A Rua do Patrocínio, segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, terá sido aberta antes do Terramoto de 1 de novembro de 1755 mas o topónimo foi gerado pela presença da Igreja de Nossa Senhora das Dores ou do Patrocínio,  que «(…) é coeva da construção da Basílica da Estrêla, e foi fundada – diz-se que com materiais que do monumento de D. Maria I sobejaram – pelo Padre António Luiz de Carvalho, em honra das Sete Dores de Maria Santíssima» para além de que «a fachada dêste templo, bem proporcionada, de ordem jónica, acusa o final do século XVIII.»

Esta Igreja do Patrocínio foi escolhida em 1934  para sede provisória da então criada Paróquia do Beato Nuno Álvares, enquanto se construía a nova Igreja do Santo Condestável cujas obras se iniciaram em 1946. Este templo , identificado como nº 8 da Rua do Patrocínio, tornou-se a Igreja Católica Alemã na segunda metade do séc. XX, englobando nas suas traseiras o Cemitério Alemão.

Já a Rua do Patrocínio, que hoje une a Rua de Santo António à Estrela à Rua Domingos Sequeira, antes do Terramoto de 1755 era a Rua Direita da Boa Morte, e em conjunto com a Rua do Possolo, a Rua Possidónio da Silva, a Rua de Santana e a Rua de Santo António constituíram o sítio designado por Boa Morte, dada a existência no local do Convento da Congregação do Senhor da Boa Morte e Caridade, com a invocação do Senhor Jesus da Boa Morte, templo construído em 1736 e demolido em 1835.

Finalmente, a Travessa do Patrocínio, conforme consta no Edital municipal de 2 de agosto de 1888 que a atribuiu, era a «rua formadas por duas, em angulo obtuso, que contornam, respectivamente, pelo nascente e pelo sul, o quarteirão de casas ultimamente edificado no supprimido largo denominado do – Monteiro – na rua do Patrocinio» e hoje está limitada entre a Travessa do Jardim e a Rua do Patrocínio.

Freguesias de Campo de Ourique e Estrela (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Campo de Ourique e Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

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