De Santo Antoninho e da Vitória à misteriosa Senhora da Piedade

Travessa da Piedade – Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

A Senhora da Piedade tomou conta de duas artérias lisboetas quando a Travessa de Santo Antoninho passou a Rua Nova da Piedade assim como a Travessa da Vitória, que lhe estava próxima, foi transformada em Travessa da Piedade, embora se desconheça se tais acontecimentos se devem a uma ermida local ou a um registo de azulejos representando Nossa Senhora da Piedade, já que após o Terramoto de 1755 se tornaram comuns em Lisboa os registos de azulejos representando em conjunto Nossa Senhora da Piedade, Santo António e São Marçal e a Rua de São Marçal é uma artéria vizinha cuja denominação data pelo menos de 1769.

Outra hipótese que se pode formular para a origem do topónimo radica na proximidade à antiga Patriarcal, onde existia uma Irmandade da Senhora da Piedade desde  1716, conforme a memória do cura André de Oliveira sobre a paróquia da Patriarcal, em 7 de abril de 1758: «Consta mais da Irmandade da Senhora da Piedade, que instituhio o Padre Bernardo Pinto dos Santos no anno de mil, e sete centos, e dezaseis com hum grande numero de Irmãos.»

Sobre a Rua Nova da Piedade, que liga a Praça das Flores à Rua de São Bento, afirma Luís Pastor de Macedo que «O vulgo, durante algum tempo, designou-a por travessa de Santo Antoninho, conforme se vê num anúncio publicado em 1831 na “Gazeta de Lisboa”». Mas em 1857, no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, de Filipe Folque,  já surge como Rua Nova da Piedade, tendo sido os passeios laterais do arruamento construídos em 1877.

Rua Nova da Piedade – Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

Ainda segundo o olisipógrafo Pastor de Macedo, «Houve nesta rua dois moradores que não podemos deixar de mencionar: o insigne pianista e compositor João Domingos Bomtempo e o jornalista e escritor Silva Pinto, o dedicado amigo do infeliz poeta Cesário Verde».

Já a Travessa da Piedade era a Travessa da Vitória até o Governo Civil de Lisboa determinar a alteração do nome, pelo seu Edital de 1 de setembro de 1859, seguindo a sua filosofia bem manifesta nesse documento de designar as travessas com o mesmo topónimo que a rua mais próxima.

Esta artéria que liga a Travessa da Palmeira à Rua Nova da Piedade foi em parte macadamizada em março de 1875. Cinco anos depois, os moradores da Travessa da Piedade e imediações fizeram um requerimento à edilidade a pedir para a calçada ser substituída por macadame na Travessa da Piedade, desde a Rua de São Marçal até à esquina da Travessa da Palmeira, devido ao transtorno que a referida calçada causava aos condutores de gado. E doze anos depois a artéria sofreu novas obras no pavimento, seguindo um plano delineado pelos funcionários municipais Ressano Garcia e Augusto César dos Santos.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s