A Senhora do Monte do Carmo entre a Penha de França e a Procissão

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Travessa do Monte do Carmo,  paralela à Rua da Escola Politécnica, liga hoje a Rua Cecílio de Sousa [ antiga Rua da Procissão do Corpo de Deus] à Calçada Engenheiro Miguel Pais [antes Calçada de João do Rio, e ainda antes Rua e primitivamente, Calçada da Penha de França], na freguesia de Santo António.

O topónimo pode estar relacionado com uma Ermida ou com um hospício, já que o cura Joachim Ribeiro de Carvalho, na sua memória da paróquia das Mercês, datada de 26 de abril de 1758, regista que «Ha mais nesta parochia, e na rua Fermosa della [é a que hoje conhecemos como Rua de O Século] huma Ermida de Nossa Senhora do Monte do Carmo, anexa desta parochia que he de Manoel de Sampayo e Pina, cavaleiro professo na ordem de Christo, (…) e no altar mor em hum nicho se venera a imagem da May Santissima do Monte do Carmo e lhe fas a sua festa todos os annos em o seu dia e teve esta Ermida seu principio no ano de mil e sete centos e trinta e dous (…) Há mais nesta freguezia quatro hospicios (…); outro dos Religiozos de Nossa Senhora do Monte do Carmo, de Pernambuco; outro dos Religiozos de Santo Antonio do Ryo de Janeiro;(…)».

Na planta de Lisboa após a remodelação paroquial de 1770, na freguesia de «N. Sª das Merces» surge este arruamento como Rua dos Nobres, já nessa época como hoje, paralela à Rua Direita do Colégio dos Nobres [hoje, Rua da Escola Politécnica]. Mais de 40 anos depois, na planta do Duque de Wellington de 1812, a artéria já aparece referida como Senhora do Carmo, indo da Rua da Penha de França à Rua da Procissão, com indicação tracejada de que poderia continuar, assim como em novembro de 1857 a planta de Filipe Folque a designa como Travessa da Senhora do Carmo.

A partir da década de sessenta do séc. XIX, encontramos o arruamento sempre com o topónimo de Travessa do Monte do Carmo: em 1864 no prospeto do prédio que Henry Ramel pretendia aumentar no n.º 65 da rua do Monte Olivete e a fazer esquina para a Travessa do Monte do Carmo; no levantamento topográfico de Francisco Goullard de 1882; bem como na Planta Topográfica de Lisboa de 1911, de Júlio Silva Pinto e Alberto Sá Correia. A primeira Comissão Municipal de Toponímia, criada em 1943, procedeu à confirmação ou alteração dos topónimos existentes na cidade, tendo na sua reunião de 11 de dezembro de 1945 confirmado o topónimo Travessa do Monte do Carmo.

Freguesia de Santo António
(Planta: Sérgio Dias)

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