Da Quinta do Areeiro à Praça para Salvador Allende ou Humberto Delgado

Freguesia do Areeiro
(Foto: Ana Luísa Alvim, 2017)

A Praça do Areeiro, topónimo oficializado pela Câmara Municipal de Lisboa pelo Edital de 17 de fevereiro de 1947, recebeu após o 25 de Abril duas sugestões de alteração: uma, para que passasse a denominar-se Praça Presidente Salvador Allende, o presidente chileno assassinado em 11 de setembro de 1973; e uma outra que propunha a designação de Praça Humberto Delgado, em memória do candidato às eleições presidenciais de 1958 que fora também assassinado, pela PIDE, em 13 de fevereiro de 1965.

Recorde-se que nesta época após o 25 de Abril mais 3 figuras que foram assassinadas passaram a integrar a toponímia de Lisboa: as Ruas dedicadas a José Dias Coelho e a Ribeiro Santos, ambos mortos a tiro pela PIDE, em 1961 e em 1972, bem como a Praça Machado Santos, militar obreiro da implantação da República que foi   assassinado no decorrer da Noite Sangrenta de 1921.

Topónimo derivado da antiga Quinta do Areeiro,  que ainda aparece indicada como tal na planta de Lisboa de 1908, de Júlio Silva Pinto e Alberto de Sá Correia, ao lado de outras 3 Quintas – a dos Peixinhos, a das Olaias e o Casal Vistoso -, a Praça do Areeiro já era assim vulgarmente conhecida, como aliás se pode ler no Edital de 1947: «A via pública situada no término da Avenida Almirante Reis, conhecida por Praça do Areeiro, toma a referida denominação de Praça do Areeiro.»  

A sugestão para que fosse Praça Presidente Salvador Allende adveio de uma carta de Alberto Bastos Flores ainda em 1974. No ano seguinte, a Comissão Nacional de Homenagem ao General Humberto Delgado bem como as Juntas de Freguesia do Alto do Pina, de São João e de Santa Engrácia, sugeriram que o General Sem Medo desse nome à Praça. Nenhuma destas propostas se veio a concretizar neste local. O parecer da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa quanto à artéria a escolher para o General Humberto Delgado, emitido por unanimidade na sua reunião de 29 de junho de 1976, repetiu o princípio de não alteração de toponímia tradicional: «Como tradicionais que são, nenhuma razão de ordem política justifica que se alterem os topónimos Praça do Município ou Praça do Areeiro.»

Todavia, nos anos oitenta, a Praça do Areeiro acabou por ver o seu topónimo alterado. A partir de uma proposta do vereador  Dr. João Martins Vieira com deliberação camarária de 22 de dezembro de 1980 e consequente Edital municipal de 5 de abril de 1982, passou a ser a Praça Francisco Sá Carneiro, com a legenda «1934 – 1980», assim como o Largo do Caldas se modificou para Largo Dr. Adelino Amaro da Costa, para homenagear o primeiro-ministro e o ministro da defesa da época que em 4 de dezembro de 1980 faleceram de forma trágica no decorrer de um voo de Lisboa para o Porto. Na década seguinte, ainda foi aditado à legenda «Antiga Praça do Areeiro», em resultado do parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 11 de novembro de 1994.

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

 

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