Da estrada que vai para Cata que Farás à seiscentista Rua do Alecrim da Fábrica de Sant’Anna

Rua do Alecrim, no cruzamento com o Largo do Barão de Quintela, em 1965
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

A quatrocentista Estrada que vai ter a Cata que Farás tornou-se na setecentista Rua do Alecrim e desde 1916, acolhe no seu nº 95 a loja da Fábrica de Sant’Anna,  que comercializa produtos de cerâmica portuguesa.

A Rua do Alecrim que nasce na Praça Duque de Terceira e sobe até à Praça Luís de Camões, de acordo com o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, era no final do séc. XV «a estrada que vay ter a Cata que farás», para ser no séc. XVII a Rua do Conde ou a Rua Direita do Conde, «aparecendo pela primeira vez em 1693 a denominação da rua Direita do Alecrim». Após o terramoto de 1755, segundo Júlio de Castilho, foi conhecida como a Rua das Duas Igrejas. No Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, de 1856, de Filipe Folque, surge como Rua do Alecrim, topónimo floral que vingou até aos nossos dias, nesta artéria paralela à também floral Rua das Flores.

A Fábrica de Sant’Anna produz azulejos e faianças artesanais, mantendo os mesmos processos desde 1741, data da sua fundação nas terras de Sant’Anna, próximas da Basílica da Estrela, numa pequena olaria de barro vermelho. Após o Terramoto de 1755 e dada a necessária reconstrução de Lisboa,  o azulejo tornou-se moda, já que  quando comparado com outros revestimentos como a pedra tinha um preço mais  baixo e assim se generalizou na decoração das fachadas de muitos prédios em Lisboa aumentando a produção da Fábrica de Sant’Anna. No início do século XX a fábrica teve de ser deslocada para a Rua da Junqueira, de onde vinte anos depois partiu para a Calçada da Boa-Hora. Em 1916 abriu também uma loja na Rua do Alecrim, no rés-do-chão de um palácio registado no Inventário Municipal do Património.

Sobre o topónimo Alecrim falta referir que existe também a Travessa do Alecrim, a ligar a Rua do Alecrim à Rua das Flores, desde a publicação do Edital municipal de 31/12/1885 , que veio substituir a Travessa do Cata que Faraz que até 09/02/1882 fora denominada como Travessa do Catefaraz.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias)

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