A Rua de Afonso Alves, o Merca-tudo seiscentista com capela no Convento da Esperança

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Mário Marzagão)

Afonso Alves, mercador do séc. XVI que ganhou a alcunha de Merca-tudo, é quem dá o seu nome ao arruamento que liga hoje o Largo do Conde Barão à Avenida Dom Carlos I: a Rua do Merca-tudo.

O Mestre Júlio de Castilho foi quem primeiro apontou a origem do topónimo nesse opulento mercador. Luís Pastor de Macedo acrescentou que «Esse homem instituiu capela no próximo convento da Esperança» assim como «por ele ter casado nobremente a sua herdeira, com um Andrade, da antiga Casa da Torre da Sanha, veio a ser administrador da dita capela (assim como de outros vínculos)» o político regenerador Andrade Corvo, também presente na toponímia de Lisboa.

Repara-se na proximidade da Rua do Merca-tudo com as instalações do Regimento de Sapadores Municipais, onde outrora foi o Convento da Esperança. O Convento de Nossa Senhora da Piedade da da Boa Vista, fundado em 1524, ficou mais conhecido como Convento da Esperança, por ter sede na sua igreja a confraria de de pilotos e mestres do mar de Nossa Senhora da Esperança.

O Convento da Esperança era recolhimento para senhoras nobres, por cláusula testamentária de D. Isabel de Mendanha, casada com D. João de Meneses. Em 1551, o Convento tinha 37 freiras da Ordem de Santa Clara, uma capela com as suas obrigações e duas confrarias. Ficou conhecido por Nossa Senhora da Esperança, devido à irmandade aí criada sob a referida invocação. Com a morte da última freira, em agosto de 1888, o Estado cedeu o conjunto ao município de Lisboa, em novembro: para construir uma padaria municipal, abrir um arruamento que ligasse o aterro da Boavista com o Largo das Cortes (hoje é a Avenida D. Carlos I) e urbanizar as restantes áreas. Em vez da padaria foram sendo instaladas oficinas do serviço de incêndios, até 1891. Com algumas estruturas do extinto convento, o novo edifício da estação de serviço nº 1 dos bombeiros, conhecido como Caserna da Esperança, ficou concluído em 1900.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias)

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