A Travessa de José António Pereira e o Palacete Pombal

O Beco do Cais de José António Pereira na planta de 1856 de Filipe Folque

José António Pereira, negociante em Lisboa e São Tomé no séc. XIX, construiu um prédio próximo da Avenida 24 de Julho, que após o vender ficou conhecido como Palacete Pombal, e em cuja proximidade está a Travessa que guarda o nome do comerciante.

A Travessa José António Pereira, que liga a Avenida 24 de Julho à Rua das Janelas Verdes, foi o topónimo dado por deliberação camarária de 8 de maio e consequente Edital de 8 de junho de 1889 ao Cais de José António Pereira, na então freguesia de Santos-O-Velho.

O Cais de José António Pereira, como era vulgarmente conhecido, devia o seu nome a um prédio que o comerciante construíra na 1ª metade do séc. XIX no Aterro (onde hoje temos a Avenida 24 de Julho) e já aparece assim referido em documentos municipais – como vistorias, escrituras de vendas de terrenos – de 1838, 1845, 1878, bem como no levantamento topográfico de Francisco Goullard de 1881. Já Filipe Folque, em 1856, no seu  Atlas de  Lisboa identifica a artéria como Beco do Cais de José António Pereira, o que condizia mais com o formato do arruamento.

A título de curiosidade refira-se que em 1905 José Dugas obteve licença municipal para a colocação de uma mesa de refrescos na então Rua 24 de Julho, em frente da Travessa de José António Pereira.

Segundo Gomes de Brito, José António Pereira era «Negociante em Lisboa, construtor do edifício que deu o seu nome ao Caes em frente do mesmo existente, ao longo ao actual Atêrro (Avenida 24 de Julho). Êste negociante, segundo as informações de Lopes de Lima (…), fundou em 1803 na Ilha de S. Tomé um estabelecimento rural e mercantil (…)»  e terá procurado ligar comercialmente a Ilha de S. Tomé com Portugal.

Já de acordo com Norberto de Araújo, José António Pereira era um «capitalista e comerciante» que na 1ª metade do séc. XIX mandou construir um edifício nos nºs 37 a 39 da Rua das Janelas Verdes, remodelando edificações anteriores do local. Mais tarde, vendeu este prédio a Joaquim José Fernandes, que sobre ele ergueu o imóvel que ficou conhecido como Palacete Pombal ou Palacete Burguês, para nele habitar a sua filha – Maria do Carmo Fernandes (1858 – 1931) – casada com D. António de Carvalho Melo (1850 – 1911), o 6º Marquês de Pombal. Em 1937, o detentor do título de Marquês de Pombal arrendou o palacete à Mocidade Portuguesa e passou a viver no palacete contíguo e nos anos 90 do séc. XX, lá funcionava a Escola Superior de Conservação e Restauro do Instituto José de Figueiredo.

A Travessa de José António Pereira hoje – Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

 

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