A Rua do sentimento dum poeta e comerciante ocidental do final do séc. XIX

Freguesia da Penha de França - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Cesário Verde, autor do poema em 4 partes «O Sentimento dum Ocidental» e também comerciante no negócio familiar da Rua dos Fanqueiros, é topónimo da Penha de França desde o ano de 1933, quarenta e sete anos após o seu falecimento.

Foi pelo Edital municipal de 18 de julho de 1933 que Cesário Verde passou a dar o seu nome à Rua nº 2 do Olival do Monte Alperche à Penha de França, entre a Avenida General Roçadas e a Rua da Penha de França. O mesmo Edital colocou  nos restantes arruamentos o poeta alentejano Conde de Monsaraz (na Rua nº 1),  o estudioso de Camões Visconde de Juromenha (Rua nº 7), o Padre Sena de Freitas que foi o primeiro biógrafo de Camilo Castelo Castelo Branco (nº 8), os geólogos Carlos Ribeiro ( na Rua nº 3) e Nery Delgado (nº 6), bem como os arqueólogos  Estácio da Veiga (na nº 4) e Martins Sarmento (na nº 5).

Por Columbano, na 1ª edição do seu Livro

José Joaquim Cesário Verde (Lisboa/25.02.1855 – 19.09.1886/Lisboa), nascido no dia de São Cesário no nº 16 da Rua da Padaria, na antiga Freguesia da Madalena, e falecido devido a tuberculose na Estrada do Paço do Lumiar , era filho do lavrador ( foreiro do Marquês de Pombal na zona de Caxias ) e comerciante ( da loja de ferragens e quinquilharias da Rua dos Fanqueiros n.ºs 2-8) José Anastácio Verde e de sua mulher Maria da Piedade David dos Santos.  Aos 18 anos de idade, Cesário matriculou-se no Curso Superior de Letras mas apenas o frequentou alguns meses , embora aí tenha conhecido Silva Pinto,  que ficou sempre seu amigo, garantindo a publicação das suas poesias em diversos jornais, bem como a organização de uma compilação de poemas no ano seguinte à morte do poeta, publicada em 1887 com o título de O Livro de Cesário Verde.

Cesário Verde frequentava a tertúlia dos novos no Martinho dos escritores, no Largo do Camões (hoje, Praça D. João da Câmara), por detrás do teatro D. Maria II e ainda em vida publicou inúmeras poesias no Diário de Notícias, no Diário da Tarde, na Tribuna de Lisboa, A Folha Nova, O Porto, nos semanários A HarpaBranco e Negro e nas revistas O Ocidente e Renascença, bem como na coimbrã Mosaicos, em quantidade a dobrar do que se encontra no seu livro póstumo. Cesário retratou o campo mas também a cidade de Lisboa, partilhando as impressões das suas ruas e situações quotidianas, num realismo de imagens extremamente visuais.

Começou a  ter sintomas de tuberculose em 1877, uma doença então incurável, que já lhe vitimara o irmão e a irmã  e assim lhe serviu de inspiração para o poema «Nós» (1884).

De índole republicana, Cesário foi durante a I República homenageado em Lisboa, nos anos vinte, com  o Jardim Cesário Verde na Praça Ilha do Faial, na Freguesia de Arroios, a que em 1955 foi acrescentado um busto do poeta, da autoria de Maximiano Alves.

Freguesia da Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

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