A Rua dos Pastéis de Belém

A Confeitaria dos Pastéis de Belém, na Rua de Belém, em 1967
(Foto: João Hermes Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua Direita de Belém,  artéria onde desde 1837 se encontra a Casa dos Pastéis de Belém, passou a ter o seu nome simplificado como Rua de Belém, a partir da publicação do Edital municipal de 8 de junho de 1889.

Este mesmo edital abrangeu perto de 60 arruamentos, cujos topónimos foram alterados para simplificação do nome ou  procurando a sua diferenciação de outros idênticos existentes noutras partes da cidade de forma a evitar equívocos.

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

O topónimo deriva do nome do sítio: Belém, por obra de D. Manuel. O rei mudou o nome do sítio de Restelo para Belém quando promoveu a a construção do Mosteiro da Ordem de São Jerónimo, cuja primeira pedra foi lançada provavelmente em 1502, sob a direção de Diogo Boytac até 1516, e de João de Castilho a partir daí.

Já os pastéis de Belém enquanto empresa comercial resultaram da oportunidade nascida com a extinção das ordens religiosas em 1834. Na dependência do Mosteiro dos Jerónimos funcionava no início do século XIX  uma refinação de cana-de-açúcar com um pequeno local de comércio variado. Com a extinção das ordens religiosas,  os frades e os trabalhadores são expulsos do local, tendo alguns frades para garantir o sustento tido a ideia de vender uns pastéis doces, rapidamente conhecidos como Pastéis de Belém, mesmo se nessa época  se chegava de Lisboa a Belém por barco a vapor. Em 1837 estabelece-se formalmente a fábrica e loja dos Pastéis de Belém, num prédio  do séc. XVIII, sob a denominação de Antiga Confeitaria de Belém, que havia de transformar o bolo conventual num ícone da gastronomia lisboeta. Depois, o pasteleiro do convento decidiu vender a receita ao empresário Domingos Rafael Alves, português vindo do Brasil , continuando até hoje na posse dos seus descendentes.

Sobre a Rua de Belém importa referir ainda que ela sofreu algumas modificações no decorrer do séc. XX. O troço com os prédios com os nºs 90 a 96 passou a ser  o Largo Frei Heitor Pinto, e os prédios com os nºs. 74 a 82  originaram o Largo  dos Jerónimos, por deliberação da Câmara de 23/08/1922  e Edital municipal de 17/10/1924.

A título de curiosidade refira-se que esta era uma artéria ampla, a ponto de num requerimento de 1719, o requerente que queria fazer obras em «casas situadas na Rua Direita de Belém» solicita ao Senado municipal «licença para poder estender a obra duas varas no comprimento de cinco, de forma, a alinhar com as casas vizinhas, sem prejuízo do público pois a rua é muito espaçosa.»

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

 

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s