A Rua Sam Levy

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Sam Levy, comerciante português nascido em Esmirna, que também foi presidente da Comunidade Judaica de Lisboa, dá o seu nome a uma Rua de Caselas desde 1999, com a legenda «Humanista/1912 – 1997».

A Rua Sam Levy, que liga a Avenida das Descobertas à Rua do Gabarete, por  deliberação camarária unânime de 26/11/1997 que se concretizou no Edital municipal de 15/12/1997, está fixada no que foi um troço da Estrada de Caselas.

Sam LevyDe seu nome completo Samuel Algranti Levy (Turquia- Esmirna/01.05.1912 – 07.09.1997/Lisboa), nasceu no seio de uma família judia portuguesa, filho de Raphael Levy e Djamila Algranti, já que os seus antepassados tiveram de abandonar Portugal no séc. XV para não abdicar da sua fé,  por causa do decreto de 5 de dezembro de 1496 de D. Manuel I que ameaçava todos os judeus que não se convertessem ao catolicismo, tendo sido recebidos pelo Império Otomano que nessa época acolheu muitos judeus peninsulares e aí falavam o «Ladino», língua dos judeus sefarditas (portugueses e espanhóis). Aos 13 anos, Sam Levy saiu de casa dos seus pais para ir estudar em Marselha, onde permaneceu até 1929.

Como comerciante, começou a partir desse ano de 1929, em Barcelona, a trabalhar  com o seu irmão mais velho. Mais tarde seguiu  para Milão, onde estabeleceu relações comerciais com Portugal, através de Agenore Magno, o Cônsul Honorário de Portugal em Milão, com quem também desenvolveu iniciativas humanitárias para salvar diversas pessoas, nomeadamente, judeus, encaminhando-os para Portugal. A partir de 1942 radicou-se em Portugal e nesse mesmo ano aqui casou por procuração com Vitória, de quem teve dois filhos: André e Arlette.  Finda a II Guerra Mundial dedicou-se à exportação de produtos de origem portuguesa, procurando mercados onde Portugal ainda não tinha penetração, como na Feira Internacional de Esmirna, trazendo também tapeçaria oriental para território português. Mais tarde, montou ainda uma pequena indústria têxtil e tornou-se sócio da Associação Industrial Portuguesa e do Ateneu Comercial do Porto.

A legenda «Humanista» na sua artéria lisboeta deve-se a Sam Levy ter sido considerado um homem solidário como os seus semelhantes em vários momentos históricos. Por exemplo, durante todo o período da II Guerra  colaborou nesse sentido com a Cruz Vermelha –  de que foi sócio vitalício – , bem como com as organizações humanitárias judaicas e os dirigentes da Comunidade Judaica Portuguesa como, por exemplo, o Prof. Moisés Amzalak. Foi galardoado três vezes pela Cruz Vermelha Portuguesa e também recebeu o título de Cavaleiro da Ordem de Mérito da República Francesa.

Numa outra faceta, também se destacou como figura da cultura portuguesa. Durante cerca de quinze anos, levou a cabo uma criteriosa tradução de Os Lusíadas para francês, respeitando os decassílabos e o seu classicismo, numa edição prefaciada pelo Prof. Justino Mendes de Almeida. Também traduziu do hebraico para português o Cântico dos Cânticos, com prefácio de David-Mourão Ferreira e ilustrações de António Duarte e de Lima de Freitas, numa edição de Francisco Lyon de Castro. Além disto, as suas constantes viagens comerciais e a sua paixão pela arqueologia também lhe permitiram reunir um espólio de peças que doou ao Museu Nacional de Arqueologia, assim como o guarda-roupa renascentista que adquiriu em Itália, e que bastas vezes emprestou para desfiles nas Festas de Lisboa, fez dele doação à cidade de Tomar. Foi  agraciado com a Medalha de Honra da Universidade Autónoma de Lisboa.

Para além de ter sido presidente honorário da Comunidade Judaica de Lisboa, Sam Levy foi um elemento empenhado da vida associativa, quer enquanto sócio nº 1 do Lions Club de Portugal, sócio do Grupo Amigos de Lisboa e da Sociedade de Geografia de Lisboa, quer como membro do Comité de Direção da Alliance Française de Lisboa durante inúmeros anos, membro do Círculo Eça de Queiroz e do Grémio Literário, sócio da Associação para a reconstrução e  instalação da Casa Memória de Camões em Constância, ou ainda como fundador da Associação de Amizade Portugal-Israel e membro da Associação Internacional de Defesa das Democracias e da Liga Internacional Contra o Racismo e o Anti-Semitismo.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

 

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