A Rua do comerciante que ergueu o Bairro Brandão

Freguesia da Estrela

Manuel Francisco de Almeida Brandão, comerciante  que fez fortuna na Baía e foi vereador na Câmara Municipal de Lisboa, tem desde 1902 o seu nome numa rua do bairro que ergueu junto à Calçada da Estrela.

Alguns meses antes de falecer Manuel Francisco de Almeida Brandão passou a ter o seu nome perpetuado na Rua Um do Bairro Brandão, por Edital municipal de 1 de agosto de 1902 que a descreve como «Via pública que corre na direcção Nordeste – Sudoeste e, partindo da Calçada da Estrela, termina na serventia que dá para a Rua Borges Carneiro, à qual fica paralela». O mesmo Edital atribuiu neste Bairro a Rua Miguel Lupi.

Encontramos nos documentos municipais uma planta de 9 de junho de 1891 com a proposta de traçado das ruas que Manuel Francisco de Almeida Brandão queria abrir no seu terreno próximo da Calçada da Estrela. No ano seguinte, com datas de 12 de fevereiro a 20 de abril, surge já a planta definitiva de António Maria Avelar e  Augusto César dos Santos para as ruas do Bairro Brandão. Entre janeiro e março de 1900 foram elaborados pela CML os orçamentos para as obras de pavimentação, canalização e acessórios que faltam fazer «nas ruas particulares abertas por Manuel Francisco de Almeida Brandão, na sua propriedade próxima da Calçada da Estrela». Já a entrega das ruas ao domínio municipal foi feita pela viúva de Almeida Brandão, Maria Emília de Almeida Brandão, por escritura de março de 1903.

Manuel Francisco de Almeida Brandão ( Póvoa de Varzim- Beiriz/11.01.1837 – 04.10.1902/Póvoa de Varzim- Beiriz), como filho primogénito foi senhor  da Quinta de Calves e de outros casarões na Póvoa de Varzim, fidalgo cavaleiro da Casa Real, com fortuna oriunda de comércio na Baía, sendo o que vulgarmente se denominou como «brasileiro de torna-viagem», para referir os portugueses emigrantes no Brasil que lá conseguiram fazer fortuna.

Aos 50 anos,  em 16 de Outubro de 1887, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Lisboa para o quadriénio de 1888-1891, pelo Partido Progressista, no executivo presidio por Fernando Palha Osório Cabral. Já na Câmara Municipal da Póvoa de Varzim foi o Presidente da edilidade, e assim também tem honras de nome de rua.

No seu percurso político,  foi também deputado desde 1880, eleito pelo Círculo de Vila Conde nas listas do Partido Progressista, tendo integrado as Comissões Parlamentares Administrativa (1880-1881) e do Comércio e Artes (1881). Mais tarde, terá sido um dos obreiros da elevação da Póvoa de Varzim a Círculo Eleitoral Autónomo, separando-se de Vila do Conde, conseguido em 1886. Foi agraciado como Comendador da Ordem Militar de Cristo e Par do Reino.

Na sua vida particular, casou com a sua prima Maria Emília de Almeida Brandão, de quem teve 3 filhos e uma filha, e residiu na Rua do Paço, na Baía, até pelo menos 1864, assim como em Lisboa a partir de 1876, no palacete no nº 79 da Rua de Buenos Aires que foi em 1900 adquirido pelo conde de Monte Real.

No nº 39 da Rua Almeida Brandão, situa-se a Junta de Freguesia da Estrela.

Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

 

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