A Praça de São Paulo, do obelisco e dos quiosques

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

Na confluência da Rua de São Paulo, Rua da Ribeira Nova, Rua Nova do Carvalho e Travessa de São Paulo, encontramos a Praça com a invocação do mesmo apóstolo, que chegou até a ser o nome da freguesia, e que desde 1849 conta com um chafariz em forma de obelisco e desde o final do séc. XX, também com quiosques.

O nome deriva da Igreja de São Paulo que no centro da Praça foi edificada no séc. XV, provavelmente em 1412, de acordo com uma inscrição latina incrustada no templo, sendo que os alvarás para instituição da freguesia de São Paulo são de 1566 e de 1568. O terramoto de 1755 que destruiu grande parte desta zona ribeirinha, fazendo milhares de mortos, destruiu também a Igreja que foi substituída em 1768 por uma nova, traçada pelo Arq.º Remígio Francisco de Abreu, a poente da original e virada a nascente.

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, o sítio de São Paulo «Foi de seu princípio ribeirinho, sítio mercadejador, piedoso e turbulento. (…) Remonta ao quinhentismo, extra-muros. Em 1550 não contava como freguesia; existia como formigueiro de mareantes» e avança que «A velha igreja paroquial de S. Paulo já existia em 1572, seguramente [por estar representada na estampa de Braunio datada desse ano] , mas a inscrição latina colocada sobre a porta do templo antigo deixa entender que a igreja fora construída em 1412».

Em 1609, uma postura publicada no porto de Belém no dia 27 de abril , refere já as Praças de São Paulo e do Corpo Santo, bem como a Praça do Pelourinho Velho e a Rua Nova.

Freguesia da Misericórdia – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Dois elementos icónicos desta praça rodeada de prédios pombalinos são o seu chafariz em forma de obelisco e os seus quiosques, todos nela inseridos no decorrer do séc. XIX.

O chafariz era um pedido insistente dos moradores para melhor abastecimento de água na freguesia, pelo menos desde 1821, atendendo ainda às muitas instituições presentes ao seu redor, como a setecentista Casa da Moeda assim como a realização de uma feira no local. Finalmente, em 1848 os fregueses pediram à Câmara Municipal de Lisboa a construção do chafariz, com água encanada do Chafariz da Esperança e os vereadores aprovaram a construção do chafariz, com a água do Chafariz  do Loreto, aproveitando para o efeito o projeto setecentista de Reinaldo Manuel dos Santos com adaptação ao gosto da época pelo Arq.º Malaquias Ferreira Leal, tendo sido inaugurado em 29 outubro de 1849, como Chafariz nº 28, sendo desde o início estabelecido que a bica do lado da frontaria da igreja apenas servisse «as gentes do mar».

Os quiosques instalados na Praça terão sido dois, a fazer fé nos registos fotográficos e documentais.

Sabe-se que aquele conhecido como Quiosque Castanheira, no lado oposto à Igreja, nasceu cerca de 1870, com alvará atribuído em 1881, como propriedade da família Castanheira, ostentando colunas dóricas em ferro forjado e painéis de vidro pintado a ouro sobre grená onde se publicitavam as bebidas populares do estabelecimento:  capilé, gazosa, pirolito e castanheira. Em 2013, foi vendido pela família Castanheira à cadeia Quiosque de Refresco.

Sabemos também que em 1884 António Joaquim Fernandes arrendou terrenos para a colocação de dois quiosques, sendo um na Praça dos Remolares e outro na Praça de São Paulo. Desconhecemos a sua localização mas talvez fosse o mais próximo da igreja já que no ano seguinte surgem requerimentos do Juiz Francisco S. Carneiro e outros, bem como dos paroquianos da freguesia de S. Paulo, ambos a apelarem para que «seja removido para outro local mais próprio, o quiosque que foi colocado no largo de S. Paulo, frente à Igreja» porque «irá causar ajuntamentos à porta da referida igreja». De igual forma se conhece que, em agosto de 1907, três pessoas de apelido Grima trespassaram a exploração de um quiosque na Praça de S. Paulo a João Gomes da Costa, o qual, em março do ano seguinte o trespassou a Rosa da Cruz.

Esta Praça de São Paulo foi remodelada em 1913 quando a Freguesia passou a ter a denominação de Marquês de Pombal, situação que durará até 1959, ano em que voltará a designar-se São Paulo até em 2012, para desde então integrar o território da Freguesia da Misericórdia.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

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2 thoughts on “A Praça de São Paulo, do obelisco e dos quiosques

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