Os Rossios, os Largos, as Praças e as Pracetas

Rossio dos Olivais em 1998 
(Foto: Tiago Venâncio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Os Rossios, os Largos, as Praças e as Pracetas são quatro tipo de arruamentos de forma mais ou menos circular ou em quadrilátero, que se distinguem dos outros que se estendem em linha reta.

Rossio é uma palavra cujo «étimo de rossio ou ressio não está ainda dado», conforme já escrevia José Pedro Machado em 1936 e assim continua. Corresponde a  um lugar espaçoso, um terreno largo que pode ser fruído em comum pela população, equivalente à antiga denominação de terreiro que se foi apagando progressivamente de Lisboa, embora ainda apareça como memória em topónimos com outras categorias como podemos observar nas Escadinhas, Largo, Rua e Travessa do Terreiro do Trigo, bem como na Travessa do Terreiro a Santa Catarina. 

Nos dias de hoje Lisboa ainda comporta  3 rossios: o Rossio de Palma na freguesia de São Domingos de Benfica; o Rossio dos Olivais  no Parque das Nações que retoma um antigo topónimo da Freguesia dos Olivais que em 1892 passou a ser a Praça da Viscondessa dos Olivais; e o Rossio do Levante também criado para a EXPO 98.

O Rossio mais famoso de Lisboa e assim popularmente conhecido pela maioria, desde o séc. XIX que tem a tipologia de Praça: primeiro, como Praça do Rossio, depois como Praça de D. Pedro (1836) e desde 1971, é a Praça D. Pedro IV.

Largo Associação Ester Janz – Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

O Largo é uma palavra com origem no latim para designar uma área urbana espaçosa na confluência de várias ruas, mais informal do que a Praça porque não pressupõe que nasça a partir de uma urbanização criada propositadamente para o local. Lisboa tem hoje 219 Largos, nos quais estão inscritos 105  topónimos  relativos a diversas personalidades e 111 mostram referências locais ( como por exemplo, o Largo da Academia Nacional de Belas Artes, da Achada, da Anunciada, da Memória, da Ponte Nova, da Sé, da Oliveirinha,  da Escola Municipal, das Fontainhas ou do Museu de Artilharia), a que se somam 3 casos diferentes: o  Largo dos Defensores da República (Edital municipal de 1916), o  Largo da República da Turquia (Edital de 1973) e o Largo da Revista Militar (Edital de 1999).

Praça Europa – Freguesia da Misericórdia
(Foto: Artur Matos)

A Praça também é uma palavra de etimologia latina mas distingue-se do Largo pela regularidade do traçado: a Praça é uma figura geométrica mais regular que o Largo, na maioria das vezes em resultado de ser já pensada no conjunto da urbanização do local, como podemos observar na Praça do Comércio, traçada após o terramoto de 1755 no âmbito da reconstrução da Baixa pombalina. A Praça é a herdeira da ágora grega e do fórum romano, como espaço intencionalmente projetado na urbanização da cidade, a que se junta também uma certa ideia de público no local. Lisboa integra 113 Praças, sendo 22 relativas aos locais onde se inserem (como a Praça do Município, Praça da Armada, da Estrela, da Ribeira, das Águas Livres, das Indústrias, de São Bento, de São Francisco Xavier, de São Paulo, do Aeroporto, do Caramão, Praça dos Congressos ou Praça Ginásio Clube Português ), 85  com topónimos de personalidades ou nomes de localidades e países e, finalmente 6 topónimos simbólicos, em que a construção da Praça é pensada para uma homenagem específica: a Praça do Comércio que homenageia os comerciantes lisboetas que contribuíram para a reconstrução da Baixa lisboeta (Decreto régio de 05/11/1760); a Praça dos Restauradores para celebrar a independência de Portugal de 1640 (Edital de 22/07/1884) na nova praça construída pela edilidade alfacinha no âmbito da abertura da Avenida da Liberdade; a Praça do Império projetada por Cottinelli Telmo para a Exposição do Mundo Português de 1940 e que ficou como parte integrante da cidade como imagem de monumentalidade do Estado Novo (Edital de 29/04/1948); a Praça 25 de Abril, uma nova praça aberta nos terrenos da antiga Fábrica de Material de Guerra no âmbito das comemorações dos 25 anos do 25 de Abril (Edital de 22 de Abril de 1999); a Praça do Oriente construída no âmbito da EXPO 98 sobre os Oceanos que homenageava também o papel dos portugueses no encontrar um outro caminho para Oriente pelos Oceanos (Edital de 16/09/2009); e por último, a Praça Europa, construída propositadamente como espaço de estada e onde se instalaram os edifícios do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT) e da Agência Europeia de Segurança Marítima (Edital de 12/06/2013).

Praceta do Chinquilho – Freguesia de Alcântara
(Foto: Mário Marzagão)

Finalmente, temos a Praceta, tipologia nascida no séc. XX por resultar de urbanizações  citadinas com novas características que criam estas pequenas praça ou pequenos largos que, por vezes, nas plantas traçadas são nomeadas como impasses, a denunciar a influência francesa no urbanismo. Lisboa conta 14 pracetas, sendo 7 de referências locais ( como por exemplo a Praceta Cuf, a da Quinta de São João Baptista, a do Chinquilho, ou a das Torres do Restelo) e 7 de personalidades diversas.

 

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