Os Campos e o Campus

Campus de Campolide – Freguesia de Campolide

A toponomemclatura  de Lisboa comporta ainda hoje 6 Campos que guardam algumas das suas memórias mais antigas – rurais, mercantis, militares, religiosas e políticas – e um Campus que sendo foneticamente semelhante se trata, como a sua grafia indica, de uma área universitária em Campolide.

O Campus de Campolide é um topónimo resultante da solicitação da Universidade Nova de Lisboa para que o espaço onde tem a sua Reitoria, as Faculdades de Economia e de Direito, bem como o Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação, tivesse essa designação a que a Câmara respondeu positivamente com a atribuição do mesmo através do Edital de 5 de julho de 2000, ficando delimitado pela Rua Marquês de Fronteira, Travessa de Estêvão Pinto e Rua da Mesquita.

Campo das Amoreiras – Freguesia de Santa Clara
(Foto: Ana Luísa Alvim)

Durante séculos a toponímia de Lisboa dependeu do arbítrio dos seus habitantes, fixando nela os pontos que permitiriam a sua identificação como os edifícios religiosos, as casas mais nobres ou as características específicas do local, como os seus terreiros também denominados como campos.

O Campo das Amoreiras, na freguesia de  Santa Clara, foi atribuído pelo Edital municipal de 12 de outubro de 1891, fixando-lhe uma toponomenclatura que nunca havia sido a sua, já que antes fora denominado como Largo da Charneca, Rocio da Charneca ou Largo das Amoreiras. Refira-se que a Charneca do Lumiar ou Charneca de Sacavém, foi uma povoação do  concelho dos Olivais entre 1852 e 18 de julho de 1885, data em que as povoações do Termo de Lisboa foram incorporadas no território da Cidade de Lisboa, que as distinguiu, como se vê neste caso, com uma toponomemclatura evidentemente rural.

O Campo Grande ( das freguesias das Avenidas Novas, de Alvalade e do Lumiar) era o Campo de Alvalade do sítio de Alvalade e durante séculos o escolhido para a edificação de solares nobres e algumas vezes destinado a concentração de tropas. O arvoredo que nele foi mandado plantar no reinado de D. Maria I, no final do séc. XVIII , transformou-o num dos parques mais aprazíveis de Lisboa e consequentemente, apetecível para mudanças na toponímia que se foram sucedendo. As Ruas paralelas ao parque, a Oriental e a Ocidental do Campo Grande, já eram assim referidas pelo menos desde 1891 de acordo com uma planta municipal, e foram unidas no topónimo único de Campo Grande pelo Edital municipal de 19 de janeiro de 1916. Nove anos depois, em 1925, a antiga  Rua Ocidental do Campo Grande passou a ser a  Avenida Sacadura Cabral, a Oriental  Avenida Óscar Monteiro Torres – os aviadores que três anos haviam concluído a primeira travessia aérea do Atlântico Sul –  e a Rua do topo norte do Campo Grande passou a ser a  Rua António Stromp. Após o golpe de 28 de Maio de 1926, foi resolvido fazer regressar a sua antiga denominação de Campo Grande. Decorridos mais nove anos, por deliberação de Câmara de 16/05/1935, transmutou-se em Campo 28 de Maio.

Refira-se que treze anos depois, o Edital de 23/12/1948, voltou a repor a denominação de Campo Grande, por contraponto com o Campo Pequeno, que também regressou pelo mesmo Edital municipal.

O sítio do Campo Pequeno no início do século XVI era um logradouro público, espaço a descoberto na periferia da cidade, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas e feiras improvisadas e até algumas touradas, só sendo instalada uma   Praça de Touros definitiva em 1892. Era conhecido como Largo do Campo Pequeno ou Campo Pequeno e passou a ser o Largo Doutor Afonso Pena por Edital de 8 de outubro de 1908 da já vereação republicana da edilidade lisboeta, e assim ficou durante 40 anos, até voltar a ser Campo Pequeno em 1948.

O antigo Campo de Santana,  passou a designar-se Campo dos Mártires da Pátria, por Edital municipal de 11 de julho de 1879, em memória dos 11 companheiros de Gomes Freire de Andrade suspeitos de conspiração contra o general Beresford, que no local foram enforcados no dia 18 de Outubro de 1817.

O Campo das Cebolas deve ter tido origem no comércio local de produtos hortícolas já que desde os fins do séc. XV o mercado de víveres anteriormente sediado no Terreiro do Paço havia sido transferido para a Praça da Ribeira Velha. De acordo com Gomes de Brito «Era antigamente Rua direita da Ribeira. (…) Comquanto no Tombo da Cidade (1755), venha designado sob o nome de ‘Rua direita da Ribeira’, já a planta de J. Nunes Tinoco (1650), o menciona com o título actual.»  Como Campo das Cebolas aparece na descrição paroquial da freguesia de Santa Maria Mayor anterior ao terramoto de 1755 e, como rua da praya, ou Campo das Cebollas, na planta da freguesia de S. João da Praça após a remodelação paroquial de 1770.

Por último, temos o Campo de Santa Clara  que deve o seu nome a um convento de freiras claristas que ali se estabeleceu e julga-se que a denominação remonte a cerca de 1294 quando se iniciou a construção do Convento de Santa Clara, onde mais tarde será instalada a Fundição de Santa Clara ou Fábrica de Armas. Contudo, ainda no séc. XVI era vulgarmente conhecido por Campo da Forca por nele se realizarem execuções capitais.

Campo de Santa Clara -Freguesia de São Vicente

 

 

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