Os Pátios da toponímia oficial de Lisboa

Pátio do Pinzaleiro em 1946
(Foto: Fernando Martinez Pozal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Lisboa acolhe na sua toponímia oficial 17 Pátios, dos quais 6 estão na mais antiga Freguesia de Lisboa (uma vez que Santa Maria Maior reúne as primeiras freguesias de Lisboa) e 5 pertencem à mais recente freguesia da cidade (Parque das Nações). Embora muitos pátios lisboetas tenham desaparecido em resultado de remodelações urbanísticas da cidade,  os que hoje encontramos na toponímia oficial de Lisboa são os que resultaram da análise de todos os topónimos lisboetas pela Comissão Municipal de Toponímia após a sua criação, executada no período de 1943 a 1945, e consequente oficialização, tal como aconteceu com os cinco herdados no Parque das Nações.

Pátio, deriva do latim pactus  e refere-se a uma zona aberta, descoberta situada no interior de um edifício. Tem também o significado de conjunto de habitações modestas dispostas à volta de um recinto descoberto comum. E estes dois significados combinam-se bem na história da cidade de Lisboa uma vez que os primeiros pátios com residentes resultam do aproveitamento de pátios de palacetes abandonados, como o Pátio de Dom Fradique ou o Pátio do Pimenta.

De Ocidente para Oriente, encontramos na Freguesia da Ajuda o Pátio do Seabra, junto ao nº 17 do Largo da Ajuda, que combina antigas casas térreas de perfil rural com alguns prédios novos. Nele funciona o Centro de Atividades Ocupacionais da Ajuda da APPACDM Lisboa.

Na Freguesia da Estrela, na zona de Santos, a ligar a Avenida 24 de Julho à Rua das Janelas Verdes, temos o Pátio do Pinzaleiro, a fixar o fabricante de pincéis que por aqui deve ter trabalhado ou morado. É que de acordo com o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, a origem da palavra pinzaleiro está provavelmente em pinzel, uma antiga forma de pincel.

Pátio do Tijolo – Freguesia da Misericórdia
(Foto: Artur Matos)

Passando à freguesia da  Misericórdia, encontramos três Pátios. Na antiga freguesia de Santa Catarina, junto à Rua D. Pedro V, onde começa e termina, topamos com o Pátio do Tijolo, artéria em U que comporta o Palacete Braamcamp, onde funcionou a Escola Francesa antes de se mudar para ser o novo Liceu Charles-Lepierre, sendo que no final do arruamento, no edifício onde existiu um posto dos CTT, viveu o escritor Eduardo de Noronha (1859-1948), conforme placa evocativa que a Câmara Municipal lá colocou.  A nascer na Rua da Boavista, na antiga freguesia de São Paulo, temos o pombalino Pátio da Galega, formado por um beco aberto entre dois prédios, com o nome de uma moradora oriunda da Galiza ou de alguma forma com ela relacionada. Ainda no antigo território de São Paulo, damos com o Pátio do Pimenta,  entre os nºs 11 e 15 da Rua do Ataíde, com uma entrada de características nobres, de cerca de 1780,  o que revela uma pré-existente ocupação do local por uma casa nobre, apresentando ainda um edifício do séc. XIX de um só piso e supomos, como é usual nestes arruamentos que o seu nome derive de um morador ou proprietário no local, tanto mais que existe um requerimento de 1890, de uma Carolina Amélia Pimenta solicitando a aprovação de um projeto de alterações no seu prédio com a numeração de polícia nº 26/27 do Pátio do Pimenta.

Pátio das Canas – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Passando à mais antiga freguesia de Lisboa,  Santa Maria Maior, que desde 2012 agrega todas as mais antigas freguesias da cidade de Lisboa, descobrimos seis Pátios.  Na antiga freguesia da Sé, junto à Travessa do Almargem, está o Pátio Afonso de Albuquerque que, segundo Pastor de Macedo « A primeira vez que aparece com o nome de pátio do Monteiro é em 1833 e a última em 1878. Antes desta data porém, já o designavam por pátio do Beco do Albuquerque (1864), passando depois a pátio do Albuquerque (1880) e por fim, em 1889, a ter o nome que hoje tem» , talvez por ser paralelo à Rua Afonso de Albuquerque, topónimo de 1882 para substituir a Rua do Almargem, por ser o sua designação original no séc. XVI. O homenageado é o filho do vice-rei da Índia e que por isso foi autorizado a mudar o seu nome de Braz Albuquerque para Afonso de Albuquerque, tendo mandado construir e residido nas Casas dos Diamantes ou dos Bicos, para além de ter presidido ao Senado Municipal em 1572 e 1573.  O Pátio das Canas, abre-se no nº 4 do Beco das Canas, na antiga freguesia de São Miguel, em Alfama, tal como o Pátio da Cruz junto ao nº 15 da Rua da Galé e perpendicular da Rua de São Miguel junto ao Largo de São Rafael. Próximo da Rua Regueira fica o Largo do Peneireiro em cujo  nº 2 se abre o Pátio do Peneireiro.  Já antigo território de Santiago, junto ao Largo do Limoeiro fica o Pátio do Carrasco que nos finais do séc. XIX Roque Gameiro imortalizou num desenho. O último em Santa Maria Maior é o Pátio de Dom Fradique, próximo da Rua do Chão da Feira, com vestígios dos muros da Alcáçova e das torres e muralhas da Cerca Moura, sendo uma antiga dependência do Palácio de Belmonte (hoje, um hotel de luxo), cuja construção parece remontar ao século XV, sendo a entrada do pátio feita através de um portal do século XVII, época em que o Pátio foi anexado ao Palácio. Norberto de Araújo refuta que o  nome do Pátio derive de D. Fradique de Toledo, comandante general das tropas de Filipe IV de Espanha, ou de seu irmão,  D. Fernando, que foi comandante dos presídios castelhanos no Castelo, defendendo que se refere a D. Fradique Manuel, em 1518 moço fidalgo do Rei Venturoso, tanto mais ser dessa época a construção inicial do Palácio Belmonte.

Na Freguesia de Arroios, deparamos com o Pátio do Sequeiro, na continuação da Travessa das Salgadeiras e ao cimo da Travessa do Forte, na antiga zona do Desterro, a denunciar a antiga ruralidade da zona no seu nome.

E finalmente, a Oriente, temos na Freguesia do Parque das Nações os cinco Pátios herdados da Expo 98, todos com toponímia relacionada com o mar :  o Pátio dos Escaleres ao Parque das Nações, o Pátio das Fragatas, o Pátio das Galeotas ao Parque das Nações, o Pátio das Pirogas e o Pátio do Sextante.

Pátio do Sequeiro – Freguesia de Arroios
(Foto: Mário Marzagão)

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