O Carrasco num Pátio

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Eduardo Portugal, sem data, Arquivo Municipal de Lisboa)

Para além do Beco do Carrasco, junto à Rua do Poço dos Negros, Lisboa tem também um Pátio do Carrasco  que nasce junto ao Largo do Limoeiro e até julho de 1974, também na proximidade da cadeia que também usava essa toponímia de árvore.

Segundo Luís Pastor de Macedo, o Pátio do Carrasco aparece referido pela primeira vez em 1689. Antes, teria sido conhecido como Pátio do Limoeiro ( por volta de 1630), Pátio do Terreiro do Limoeiro (1682) e Pátio Defronte do Limoeiro (1686). Mais informa o olisipógrafo que antes de 1888, lhe começou a ser dado o nome de Pátio do Gama mas tal topónimo não vingou na memória do local.

O Pátio do Carrasco por Alfredo Roque Gameiro

Sobre a origem do topónimo sugere ainda Pastor de Macedo que «O nome do pátio indica-nos que seria ali a morada dos carrascos em casa paga pelo rei, ou revela sòmente a estada temporária de qualquer daqueles executores da Justiça? Não sabemos responder; no entanto, talvez que o nome primitivo de Pátio do Limoeiro, dê a este estabelecimento penal a aparência de proprietário do pátio ou de algumas das suas casas, aparência que mais se acentua depois de sabermos que entre o edifício da cadeia e o pátio corria um passadiço, que também comunicava com a Igreja de S. Martinho. Neste caso seria muito natural que uma daquelas casas fosse a residência oficial do carrasco.»  Pastor de Macedo acrescenta a nota de que no ano de 1706, dois carrascos morreram às mãos dos sentenciados.

Na zona do Limoeiro existia desde 1168 a igreja de São Martinho, em frente ao chamado Paço-a-Par de São Martinho, e ambos os edifícios estavam ligados por um arco sobre a rua. Por isso, quando em 1383 o Conde Andeiro  foi morto no Paço, o seu corpo  foi depositado na Igreja. O rei D. Manuel I mandou transformar este Paço em Casa da Suplicação e Casa do Cível, que assim passaram a coexistir com a Cadeia que já estava instalada no Limoeiro desde o séc. XV, no reinado de D. João II. Na 1ª metade do séc. XVIII, a cadeia sofreu alterações segundo um plano traçado pelo Arqº Volkmar Machado e  após o Terramoto de 1755 teve de ser reconstruída, sendo certo que entre 1758 e 1760, dos habitantes de S. Martinho 490 eram presos da Cadeia do Limoeiro.

Luís Pastor de Macedo anotou ainda que moraram neste Pátio, em 1756, José Carlos Freire (cantor da Igreja de S. Nicolau) e António Rodrigues (alcaide do bairro do Limoeiro), assim como  depois de 1846, Ana Gertrudes, mãe da Severa. No decorrer do séc. XIX, alguns documentos apontam para a falta de salubridade do local já que com data de 6 de setembro de 1854 encontramos um parecer  do delegado inspetor do Distrito Oriental Sanitário sobre uma vistoria ao Pátio do Carrasco, a solicitar que a Câmara promova limpezas regulares de modo a cessar o foco de infeção, assim como em 29 de outubro de 1857 o subdelegado do Círculo do Castelo solicita a limpeza de um saguão e o desentupimento dos desaguadouros do Pátio do Carrasco.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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