A Rua da princesa austríaca que desposou D. João V

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Dona Maria Ana de Áustria que se tornou rainha de Portugal pelo seu casamento com D. João V dá nome a uma Rua da Freguesia de Campolide desde 1990, junto a contemporâneos seus como sucede nos casos da Rua Alexandre de Gusmão, Rua André de Melo e Castro, Rua António Guedes Pereira, Rua Diogo de Mendonça Corte Real, Rua Fernando Teles da Silva que foi quem chefiou a embaixada do pedido de casamento de D. João V a Viena de Áustria, Rua João da Mota e Silva, Rua Martim de Pina Proença, bem como a nomes ligados à construção do Aqueduto das Águas Livres, como a Rua José da Silva Pais, Rua Manuel de Azevedo Fortes,  Rua Miguel Ângelo Blasco ou a Rua Rodrigo Franco.

O topónimo nasceu da deliberação camarária de 05/12/1990 e consequente Edital municipal de 14/12/1990, com a legenda «Rainha de Portugal e regente do Reino/1683-1754», na que era a Rua dos Cauteleiros desde 29 de dezembro de 1989, antes Rua 20 do Bairro do Alto da Serafina (Edital de 15/03/1950) e ainda antes Rua I.

Maria Ana Josefa de Áustria (Áustria/07.09.1683 – 14.08.1754/Lisboa), foi a 3ª filha do Imperador Leopoldo I do Sacro Império Romano-Germânico, e da sua terceira mulher, a condessa Leonor Madalena de Neuburgo. D. João V havia sido aliado de Carlos VI na Guerra da Sucessão Espanhola e fazia todo o sentido continuar a aliança através do casamento com a irmã deste, que era sua aliás sua prima direita já que as mães de ambos eram irmãs. Maria Ana de Áustria tornou-se aos 25 anos esposa de D. João V, em 1708, mas como  foi estéril por alguns anos, o rei mandou erguer o Convento de Mafra como voto para ter um filho varão, tendo sido colocada a primeira pedra em 1717. Mas D. Maria Ana teve 6 filhos de D. João V:  D. Maria Bárbara, rainha de Espanha pelo casamento com Fernando VI; D. Pedro, Príncipe do Brasil; o sucessor D. José I em maio de 1714 ;D. Carlos, Infante de Portugal; D. Pedro III, que se tornou marido da sua sobrinha D. Maria I e D. Alexandre, Infante de Portugal, em setembro de 1723.

Durante o seu reinado, de 27 de outubro de 1708 a 31 de julho de 1750, Maria Ana de Áustria foi duas vezes regente do reino. A primeira, em 1716, durante uma cura de repouso de D. João V em Vila Viçosa e a segunda, em 1742, quando se revelou a paralisia que debilitou o rei até o vitimar em 1750.

D. Maria Ana também se distinguiu por promover o futuro Marquês de Pombal, que era casado com a filha do aristocrata austríaco marechal de Daun, recomendando-o a seu filho D. José I, bem como por ter fundado em 1737 o Convento de Carmelitas Descalças de S. João Nepomuceno, o santo patrono da Boémia, concluído em 1752 e a sua igreja benzida em 19 de março de 1753. Este Convento deu origem a três topónimos no local: a Calçada (hoje Calçada Salvador Correia de Sá), o Largo e as Escadinhas de São João Nepomuceno.

Em 1754, no dia seguinte à morte da rainha, o secretário de estado, Sebastião José de Carvalho e Melo, dirigiu ao presidente do Senado municipal, marquês de Alegrete, um aviso para suspender o despacho dos tribunais, por 8 dias, em demonstração de pesar e luto pela morte de D. Maria Ana de Áustria, bem como outro aviso para se proceder à limpeza das ruas iria passar o funeral da rainha,  da Quinta de Baixo  em Belém, para a igreja dos «Carmelitas Descalços Alemães». Em 1855,  os seus restos mortais foram trasladados para o Convento de S. Vicente de Fora, para junto dos de D. João V.

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

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