A Rua do mestre biscainho do manuelino João de Castilho

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Na freguesia da Ajuda está desde 1915 a Rua João de Castilho, a consagrar o arquiteto espanhol que dirigiu as obras do Convento de Cristo e do Mosteiro dos Jerónimos e assim ganhou o epíteto de mestre do Manuelino.

A Rua João de Castilho, que hoje encontramos a ligar a Travessa da Memória à Rua General Massano de Amorim, foi atribuída pelo Edital municipal de 13/12/1915 no espaço que era vulgarmente chamado Bairro Novo da Memória.

Juan de Castillo ou João de Castilho (Merindad de Trasmiera – Cantábria/ c. 1470 — 1552/Tomar) foi educado nos estaleiros das catedrais de Burgos e de Sevilha e veio fixar-se em Portugal a partir de 1508. No nosso país foi responsável pela renovação da Sé de Braga (1508), a finalização da Igreja Matriz de Vila do Conde (1511-1513), as obras da Sé de Viseu e do Paço Real da Ribeira, da continuação do Convento de Cristo em Tomar  (1513- 1515 e 1533-1552) e do Mosteiro dos Jerónimos (desde 1516 e até 1530, sucedendo a Diogo Boitaca e terminada por Diogo de Torralva), bem como do Mosteiro de Alcobaça (1519 – 1528), do Mosteiro da Batalha (1529), da reconfiguração da Fortaleza de Mazagão (1541-1542) na marroquina cidade hoje denominada El Jadida e ainda, da construção da Ermida de Nossa Senhora da Conceição em Tomar (1550).

Considerado o mais hábil mestre do manuelino este arquiteto biscainho foi nomeado mestre-de-obras do rei em 1528  e a partir do ano seguinte mudou para um estilo mais classista, sendo reputado como o maior arquiteto do séc. XVI em Portugal e um dos maiores do Renascimento europeu. Ao mesmo tempo, o seu percurso assinala a promoção gradual do mestre pedreiro medieval para arquiteto – no sentido moderno da palavra –, com o correspondente reconhecimento e ascensão social. D. João III agraciou o arquiteto como o título de Cavaleiro da Casa Real em 1533 e os seus filhos, foram detentores de alta formação e exerceram funções de embaixadores, juízes, cronistas ou escrivão. Por exemplo, António de Castilho, o filho mais velho,  era doutor em Leis e moço fidalgo da Casa Real, tendo sido   alcaide-mor de Mora,  guarda-mor da Torre do Tombo e cronista-mor do reino, enquanto João de Castilho, foi escrivão da Câmara.

Refira-se finalmente que segundo o historiador de arte Pedro Dias, terá sido também  João de Castilho o autor da traça global dos túmulos de D. Afonso Henriques e D. Sancho I (1518), no Mosteiro de Santa Cruz , cuja construção foi dirigida pelo seu irmão, Diogo de Castilho, assim como se sabe que o arquiteto tinha casas de residência em Belém, em frente do Mosteiro, em 1524, que lhe tinham sido aforadas pelos frades Jerónimos.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

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