A Rua do ourives e arquiteto alemão do Convento de Mafra, João Frederico Ludovice

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O arquiteto alemão a quem se atribui o traçado do Convento de Mafra está desde 1964 perpetuado numa artéria de Benfica, a Rua João Frederico Ludovice, com a legenda «Arquitecto-Mor/1670 – 1752».

Foi a Rua 75 – 78 da Célula 4 de Benfica escolhida pela edilidade alfacinha para acolher a Rua João Frederico Ludovice e fixada pelo Edital municipal de 26/11/1964, que também colocou na mesma freguesia, mas no Bairro de Santa Cruz, a Rua da Venezuela. Na década seguinte a Rua João Frederico Ludovice recebeu o Mercado de Benfica.

Refira-se que alguns estudiosos contestam a autoria de João Frederico Ludovice para o Convento de Mafra, atribuindo-lhe apenas o papel de mestre das obras do mesmo, mas vamos neste artigo manter a explicação usual até ser provada outra.

Johann Friedrich Ludwig ( Alemanha – Castelo de Honhardt/19.03.1670 – 18.01.1752/Lisboa) ficou a cargo de seu tio e padrinho que o familiarizou com a arquitetura quando contava 14 anos, após a morte do seu pai. Aos 19 anos começou a estudar  com o Mestre Ourives N. A. Kienle de Jugeren. Quatro anos depois, em 1693,  assentou praça e tomou parte na Guerra de Pflaz, tendo feito campanha até ao fim da guerra (1697), como oficial de Engenharia e assim orientou trabalhos de engenharia em Regensburg e adquiriu conhecimentos e experiência no campo da arquitetura militar e artilharia.

Em 1697 emigrou  para Itália, onde em Roma estudou escultura e arquitetura  e alterou o seu apelido para Ludovici. A sua vasta erudição granjeou-lhe a simpatia dos jesuítas que o converteram ao Catolicismo, ao mesmo tempo que trabalhava ao serviço Companhia de Jesus,  na Igreja del Gesú em Roma, na fundição e cinzelagem da imagem do Santo Inácio de Loyola (da autoria de Groos) e de várias alfaias litúrgicas.

Em 1700 veio para Lisboa, a convite dos jesuítas e instalou-se na Rua dos Canos (nas traseiras da Rua da Palma), relativamente próxima do Colégio dos Jesuítas de Santo Antão – onde é hoje o Hospital de São José – com um contrato de exclusividade por 7 anos com os Jesuítas, comprometendo-se a elaborar um novo sacrário bem como várias outras alfaias. Contudo, em 1701, é pronunciada uma sentença contra Ludovice, pelo não cumprimento do contrato de exclusividade para com a Companhia de Jesus, sendo D. Pedro II que intercedeu a seu favor, pagando as custas da sentença, e convencendo os Jesuítas a permitir que Ludovice trabalhasse pontualmente para algumas Igrejas do Padroado Real, ou mesmo do Paço. Como ourives são atribuídas a Ludovice a autoria dos Sacrário de Prata da Igreja de Santo Antão; da Custódia da Sé de Lisboa e da Capela da Bemposta; do Frontal e Banqueta de prata do Convento do Carmo; do conjunto de Peanhas da Sé de Coimbra; de alfaias várias para a Capela Real do Paço da Ribeira, para a Igreja de São Vicente de Fora e Convento de Mafra.

João Frederico Ludovice começou também a fazer trabalhos de arquitetura. Trabalhou para D. João V na reestruturação do antigo Paço da Ribeira e transformou a sua antiga Capela Manuelina na Igreja Patriarcal. O Decreto de 26 de setembro de 1711 deste monarca prometeu a a construção de um Mosteiro em Mafra e abriu algo semelhante a um concurso público para o efeito, que Ludovice ganhou, apesar da concorrência de alguns famosos arquitectos italianos como Filipo Juvara e Antonio Canevari. Assim, entre 17 de novembro de 1717 e 1730, Ludovice dirigiu as obras de construção do Convento e a Casa do Risco, que servia a obra e se encontrava instalada no local, tendo-lhe sucedido no cargo o seu filho. Quase vinte depois, por decreto régio de 14 de setembro de 1750, e já com D. José I, foi nomeado Arquiteto-mor do Reino,  com patente, soldo e graduação de Brigadeiro de Infantaria.

São também obra sua em Lisboa a ornamentação das ruas – com pórticos, colunas e arcarias  – para a Procissão do Corpo de Deus (em diversos anos à volta de 1719); o Altar-Mor de São Vicente de Fora, tendo sido nomeado em 1720 Arquiteto das Obras de São Vicente de Fora;  o traçado de umas Portas de Santo Antão mais altas e largas (1727); a capela-mor (1748) da lisboeta Igreja de São Domingos, a qual resistiu ao terramoto;  bem como para si construiu em Benfica a Quinta de Alfarrobeira – hoje na Rua António Saúde -, concluída em 1727, mas em cuja capela já em 1720 contraíra segundas núpcias com a irmã de Luís António Verney. Também na Rua Direita de São Pedro de Alcântara, ao cimo da Calçada da Glória, ergueu em 1747 um palácio de cinco pisos e janelas avarandadas para sua residência, onde veio a falecer e foi sepultado na Igreja de São Roque.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

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