A Rua da Igreja paroquial de Santa Catarina do Monte Sinai em Belver

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Rua de Santa Catarina, na Freguesia da Misericórdia, deriva da existência no local da Igreja paroquial de Santa Catarina do Monte Sinai durante cerca de três séculos, de 1559 a 1835.

A ligar a Rua Marechal Saldanha à Rua Fernandes Tomás a Rua de Santa Catarina foi atribuída por deliberação camarária de 18/05/1889 e consequente Edital de 08/06/1889, na que era a Rua do Monte de Santa Catarina. No seu topo encontramos o Miradouro de Santa Catarina, com a característica estátua do Adamastor, ali implantada em 10 de junho de 1927.

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo «O Alto de Santa Catarina, designação que foi simultânea com a de Belver, mas resistiu, deve a designação à circunstância de neste sítio – exactamente onde está êsse Palacete n.º 2, com pátio guarnecido de gradeamento – ter existido a Igreja paroquial de Santa Catarina do Monte Sinai. No alto dêste cabeço, havia, como atrás disse, desde o século XV uma enorme Cruz de madeira, que servia de guia aos mareantes.»

Freguesia da Misericórdia – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Igreja de Santa Catarina do Monte Sinai, de invocação da Santa patrona dos livreiros, começou a ser edificada em 1557, por vontade da Rainha D. Catarina (1507 – 1578), irmã mais nova do Imperador Carlos V e mulher de D. João III (1502 – 1557), que foi Regente do Reino de 1557 a 1562 , durante a menoridade do seu neto, D. Sebastião. Doou a Igreja à Irmandade dos Livreiros, seguindo a sugestão que lhe fora apresentada por Simão Guedes, fidalgo do Conselho do Rei e Juiz da Irmandade dos Livreiros, junto com Miguel de Valença,um frade jerónimo. Segundo Gomes de Brito, «O chão onde se levantou o templo foi gratuitamente cedido pelos herdeiros de Bartholomeu de Andrade, em 1557, e a construção correu quasi exclusivamente por conta da rainha». Em 9 de outubro de 1559, a Igreja de Santa Catarina do Monte Sinai passou a ser paroquial, ficando com parte da área da antiga freguesia dos Mártires. O Terramoto destruiu o templo mas no final de 1757 estava reedificado e só no século seguinte, em 1835, é que ardeu completamente, tendo os restos do templo, pertença da Irmandade dos Livreiros, sido removidos entre 1856 e 1862. Depois dessa data foi construído no local o Palacete fronteiro ao Miradouro de Santa Catarina, mandado erguer por José Pedro Colares Pereira, proprietário da Metalúrgica Vulcano e Colares, que o vendeu no final do séc. XIX ao industrial Alfredo da Silva, passando depois para o seu genro Manuel da Silva. No final do séc. XX este palacete foi  adquirido pela Associação Nacional das Farmácias, que lá instalou o Museu da Farmácia, inaugurado em 1996.

Finalmente, sobre Santa Catarina destaque-se que foi conhecida como A Grande Mártir Santa Catarina ou Catarina de Alexandria, por ser natural da cidade egípcia de Alexandria, e terá sido uma  intelectual notável do início do século IV bem como mártir cristã, decapitada por ordem do Imperador romano Maximino Daia. A Igreja Ortodoxa venera-a como grande mártir e a Igreja Católica como um dos catorze santos auxiliares. Entre 527 e 565, por ordem do Imperador bizantino Justiniano I foi construído no sopé do Monte Sinai, no Egito, o Mosteiro de Santa Catarina.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )