A Rua Hein Semke, de um escultor alemão em Portugal

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O escultor alemão Hein Semke que veio para Portugal na primavera de 1929 e se radicou na cidade de Lisboa em 1949, dá o seu nome a uma rua da Freguesia de Santa Clara, desde 2011.

Foi pelo Edital municipal de 3 de janeiro de 2011 que o nome de Hein Semke foi atribuído à Rua I 1B das Malhas 22.4 e 27.1 do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar, ligando hoje a Rua João Amaral à Rua Rogério de Moura, correspondendo assim a edilidade a um perdido de Teresa Balté. Nas imediações encontramos topónimos com os nomes do escultor António Duarte e dos pintores António Dacosta Bernardo Marques.

Em 1972
( Foto: Mário de Oliveira)

Hein Semke (Alemanha – Hamburgo/25.06.1899 – 05.08.1995/Lisboa) veio para Portugal em 1929 mas ao ser vítima de um esgotamento no ano seguinte voltou à Alemanha para recuperar e aí acabou por estudar escultura e cerâmica regressando ao nosso país em 1932, onde morou em Linda-a-Pastora e por lá passaram nomes do modernismo português, como Almada Negreiros e Sarah Afonso, Mário Eloy, Abel Manta, Vieira da Silva e Árpád Szenes. A partir de 1949 fixou residência na cidade de Lisboa,  tendo tido atelier na Avenida 24 de Julho (1937 -1941) e a partir de 1953 na Praça António Sardinha, onde também passou a residir, para além trabalhar regularmente na Olaria de Benfica, tornando-se uma figura da vida cultural portuguesa, destacando-se sobretudo como escultor, renovador da cerâmica portuguesa e xilogravador.

A sua obra está publicamente exposta em Lisboa nos painéis cerâmicos da Reitoria da Universidade de Lisboa; na Capela de Santo António do Lumiar; na Igreja Evangélica Alemã de Lisboa, com as três esculturas para o Pátio de Honra aos Mortos Alemães da Grande Guerra, tendo uma sido destruída em 1935 por elementos nazis da colónia alemã em Lisboa; nos murais cerâmicos do Jardim de Inverno do Hotel Ritz ; e ainda nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua obra artística de décadas em Portugal foi reconhecida em exposições como a retrospetiva dos seus «Hein Semke – 40 anos de atividade em Portugal» (1972) na Fundação Calouste Gulbenkian; a visão da sua obra cerâmica teve lugar no Museu Nacional do Azulejo em 1991 e a da sua obra escultórica ocorreu em 1997 no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha.

Semke foi também, a partir de 1958, autor de 34 livros de artista de grandes dimensões,   sendo o primeiro  Em cada Criatura Nasce uma Flor, e o seu Livro da Árvore sido publicado em formato reduzido, em 1995, pela Gulbenkian – ACARTE e o tema de uma exposição na Biblioteca Nacional.

A obra deste escultor alemão está representada no Museu do Chiado-MNAC, na Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Museu de José Malhoa e na Casa-Museu João Soares, tendo sido agraciado com o Oficialato da Ordem de Mérito da República Federal da Alemanha (1978) e o Grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique (1990).

Na Alemanha, Hein Semke foi aos 18 anos combatente voluntário na I Primeira Guerra Mundial; trabalhou na construção civil, em estaleiros, a vender jornais, em pedreiras, minas e numa fundição; foi pacifista e anarquista, com participação na Revolução de Maio e na Revolução de Outubro, o que lhe valeu 6 anos de prisão na Alemanha, entre 1923 e 1928; e ainda, estudante de cerâmica e escultura na Escola de Artes e Ofícios de Hamburgo e na Academia de Belas-Artes de Estugarda (1930 – 1932).

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

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