A Praça do Professor de Matemática Santos Andrea

Freguesias de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Professor de Matemática de Liceu e Universitário, Santos Andrea, dá nome a uma Praça de Benfica desde 1970 e 33 anos passados sobre a sua morte.

O topónimo foi sugerido pelo  Vereador Teixeira Bastos e concretizou-se pelo Edital municipal de 11/07/1970 num troço da Travessa da Granja, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua Dr. José Baptista de Sousa.

O Prof. Santos Andrea, em 1922, lendo o elogio de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, na cerimónia de doutoramento dos aviadores, na Faculdade de Ciências de Lisboa (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo Ismael dos Santos Andrea (Lisboa/10.11.1879 – 15.02.1937/Lisboa), filho do Oficial da Armada e Professor de Astronomia da Escola Naval Álvaro José de Sousa Soares de Andrea e de Leopoldina dos Santos, formou-se  em Matemática e começou por trabalhar no Observatório Astronómico de Lisboa, na Tapada da Ajuda, sendo que a partir de 1901 exerceu como professor liceal em Bragança, Vila Real (1903) e em Lisboa, no então Liceu Normal de Lisboa ou Liceu da Lapa e depois Pedro Nunes (1906) e no Liceu Camões (1931). Executou também compêndios de Aritmética, Álgebra, Geometria, Matemática e Trigonometria.

A partir de 1903 passou a ser também professor da Escola Politécnica de Lisboa (depois, Faculdade de Ciências de Lisboa), das disciplinas de Astronomia, Mecânica Celeste, Álgebra Superior, Cálculo Infinitesimal e Análise Superior, tendo sido catedrático em 1913. Em 1914 publicou as suas lições das cadeiras de Cálculo Infinitesimal e Análise Superior. Santos Andrea também dirigiu o Observatório Astronómico da Faculdade e criou os cursos de Aperfeiçoamento de Astronomia e de Engenheiros Geógrafos. Foi também membro do Senado da Universidade de Lisboa e do Conselho Superior de Instrução Pública.

O Professor Santos Andrea também integrou a Escola Normal Superior, de 13 de novembro de 1915 até à sua extinção em 1930, como professor de Metodologia Geral das Ciências Matemáticas, secretário e diretor.

Freguesias de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da primeira catedrática de Química, Branca Edmée Marques

Freguesias de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Branca Edmée Marques  foi a primeira catedrática de Química do nosso país, em 1966, pelo que dá nome a uma artéria da Cidade  Universitária, na freguesia de Alvalade, desde 2009.

O topónimo nasceu a  partir de uma proposta do Professor José Pedro Sousa Dias, membro da Comissão Municipal de Toponímia em representação da Universidade de Lisboa e a Comissão escolheu a Rua Interior da Alameda da Universidade entre a Avenida Prof. Aníbal Bettencourt e a Avenida Gama Pinto, que a deliberação de câmara de 02/09/2009 aprovou e assim foi a Rua Branca Edmée Marques fixada pelo Edital municipal de 16/09/2009. Pelo mesmo Edital mais 3 arruamentos da zona da Universidade Clássica de Lisboa ganharam nomes de investigadores, a saber, os do matemático António Aniceto Monteiro, do geólogo Paul Choffat e da pedagoga Teresa Ambrósio.

Branca Edmée Marques (Lisboa/14.04.1899 – 19.07.1986/Lisboa), filha de Berta Rosa Marques e de Alexandre Théodor Roux, licenciada em Ciências Físico-Químicas pela Faculdade de Ciências de Lisboa no ano de 1925, começou nesse mesmo ano a ser professora dessa Faculdade, onde regeu vários cursos teóricos, entre os quais os de Químicas Orgânica e Análise Química, embora só tenha chegado a Catedrática em 1966, e foi a 1ª mulher em Portugal a atingir essa categoria na área da Química.

Ainda antes de concluir a sua licenciatura, no ano letivo de 1923-24, a convite de Aquiles Machado, estagiou no Laboratório de Química Analítica no Instituto Superior Técnico sob orientação de Charles Lepierre.   Depois, com uma bolsa atribuída pela Junta de Educação Nacional, de 1931 a 1935 fez trabalho de investigação em física nuclear no Laboratoire Curie do Instituto do Rádio, primeiro sob a orientação de Marie Curie e depois da morte desta, em 1934, sob a de André Debierne, doutorando-se em 1935 na Faculdade de Ciências de Paris, com a tese intitulada «Nouvelles Recherches sur le Fractionnement des Sels de Baryum Radifère».

Em 1936, já de volta a Portugal, foi-lhe reconhecida a equiparação do seu Doctorat d’État ao grau de Doutor em Ciências Físico-Químicas das Universidades Portuguesas em 13 de Junho de 1936, tendo criado o Laboratório de Radioquímica, que dirigiu que até à sua jubilação, o qual originaria o Centro de Estudos de Radioquímica  da Comissão de Estudos de Energia Nuclear (em 1953), o 1º centro de investigação em Química da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, hoje extinto.

Branca Edmée Marques publicou 6 trabalhos nos Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, quatro dos quais ainda antes do seu doutoramento e em 1936 publicou 3 artigos no Journal de Chimie Physique, todos na área dos seus estudos sobre o bário radífero. Refira-se ainda que escreveu uma breve biografia de Marie Curie para a revista Ciência, e outra de Jean Perrin, a convite do Instituto Francês em Portugal, no primeiro aniversário da morte do grande cientista.

No centésimo aniversário do nascimento de Madame Curie, Branca Edmée Marques foi convidada pelo Instituto de Rádio de Paris para as cerimónias de homenagem que se realizaram na Universidade de Paris, em outubro de 1967, na qualidade de antiga colaboradora da nobelizada Maria Sklodowska Curie.

Branca Edmée Marques foi casada com o naturalista, geólogo e professor da Faculdade de Ciências António da Silva e Sousa Torres (1876-1958).

Freguesias de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Pinto Ferreira em memória do professor da Escola Industrial Marquês de Pombal

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por proposta da Associação de classe dos Maquinistas Portugueses  o engenheiro e professor da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, Carlos Augusto Pinto Ferreira, ficou perpetuado  na  Rua do Novo Bairro Industrial da Quinta do Almargem como Rua Pinto Ferreira, desde a publicação do Edital municipal de 27 de maio de 1931.

Carlos Augusto Pinto Ferreira (Lisboa/1828 – 01.02.1902/Lisboa), engenheiro formado na Aula do Arsenal do Exército e no antigo Instituto Industrial e Comercial de Lisboa foi professor  e diretor do curso de máquinas da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal e deixou como obra publicada o Guia de Mecânica Prática (1862), o Manual Elementar e Prático sobre Máquinas a Vapor Aplicadas à Navegação (1864), Guia do Fogueiro condutor de máquinas a vaporBreve dissertação sobre faróis (1868) e o Engenheiro de Algibeira ou compêndio de fórmulas e dados práticos (1869).

Vinte anos após a criação do Ensino Industrial em Portugal, por decreto-lei de janeiro de 1884 foi ordenada a construção de 8 escolas de Desenho Industrial, três das quais em Lisboa, sendo a de Alcântara, a Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, inaugurada no dia 17 de novembro de 1884, instalada num prédio arrendado na Rua de Alcântara, sendo a escola subsidiada pelas fábricas da zona, nomeadamente a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonenses. Mais tarde, em 1886, a escola passou para a Rua dos Lusíadas, ainda em Alcântara, para um edifício da autoria do Arqtº Pedro d’Ávila. Em 1962, passa então a ter as instalações que ainda hoje são suas, na Rua Alexandre Sá Pinto, já na zona das Salésias, traçadas pelo Arqtº António Pedroso que fora antigo aluno da escola.

Pinto Ferreira,  para além de professor desenvolveu uma carreira como engenheiro maquinista da Armada, tendo dirigido as oficinas metalúrgicas do Arsenal da Marinha e os Serviços Técnicos de Faróis e sendo considerado um dos mais inteligentes pioneiros da indústria mecânica em Portugal, reformando-se em 12 de fevereiro de 1880. Em missão oficial, visitou as Exposições Universais de Paris de 1855 e 1867, bem como a de Londres de 1862, onde montou na exposição uma máquina de debulhar.

Em paralelo, envolveu-se no associativismo tendo participado na fundação da Associação de Socorros Mútuos dos Pedreiros, Carpinteiros e Artes Correlativas, assim como no Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosas, criado em Alcântara em 1853. Foi ainda vice-secretário da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses de que havia sido nomeado sócio, distinção que a Associação da Indústria Fabril também lhe concedeu, para além de ter sido agraciado com a Ordem de Torre e Espada no grau de Cavaleiro.

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Prof. Lindley Cintra numa rua de Carnide

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por sugestão da Assembleia Municipal de Lisboa, através da sua Moção de 10 de outubro de 1991, foi o nome do Prof. Prof. Lindley Cintra,  docente de Românica e Linguística, fixado na toponímia de Lisboa, pelo Edital camarário de 19/02/1992, na Rua A da Nova Urbanização do Bairro Padre Cruz, na freguesia de  Carnide, com a legenda «Filólogo e Investigador/1925 – 1991».

Pelo mesmo edital mais 3 professores catedráticos foram atribuídos nesta zona de Carnide, a saber, na Rua Prof. Pais da Silva, a Rua Prof. Arsénio Nunes e a Rua Prof. Almeida Lima. Este núcleo toponímico de professores universitários em Carnide conta ainda com a Rua Fernando Piteira Santos,  a Rua Prof. Francisco Pereira de Moura, a Rua Jorge Vieira, a Rua Profª Maria Leonor Buescu, a Rua Professor Sedas Nunes e a Rua Prof. Tiago de Oliveira.

Luís Filipe Lindley Cintra (Espariz – Tábua/05.03.1925 – 18.08.1991/Lisboa) foi um investigador, filólogo, linguista, historiador da cultura e professor universitário na Faculdade de Letras de Lisboa, docente de Românica e Linguística desde 195o até ao seu falecimento e catedrático desde 1962, tendo também aí criado o Departamento de Linguística Geral e Românica e reformado o Centro de Estudos Filológicos.

Como investigador, dedicou-se principalmente às origens da língua portuguesa – literatura medieval, linguística românica, dialetologia – e ao espaço da língua portuguesa, da sua geografia nos nossos dias, isto é, do espaço geográfico definido como produto da expansão extraeuropeia da língua nascida do latim vulgar do Noroeste peninsular. Lindley Cintra colaborou no Atlas Linguístico da Península Ibérica e dirigiu o Glossário Medieval, destacando-se da ainda na sua obra Alguns Estudos de Fonética com base no Atlas Linguístico da Península Ibérica (1958), A Linguagem dos Foros de Castelo Rodrigo (1959),  Áreas Lexicais no Território Português (1962), os três volumes de Crónica Geral de Espanha de 1344 (1951-1961), Estudos de Dialectologia Portuguesa (1983) e com Celso Cunha a a elaboração da Nova Gramática do Português Contemporâneo (1984).

Refira-se ainda que em 1950 começou logo a colaborar no Centro de Estudos Filológicos do Instituto de Alta Cultura e, quatro anos depois, passou a dirigir o Boletim de Filologia, tal como a Revista Lusitana, para além de pertencer a diversas sociedades científicas. Foi agraciado com a Ordem da Liberdade (1983) e a  Ordem da Instrução Pública (1988).

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da professora de canto e cantora lírica Maria Júdice da Costa

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC )

A cantora lírica e  professora de Canto, Maria Júdice da Costa, desde 1987 dá nome a uma rua do Bairro dos Sete Céus, na freguesia de Santa Clara.

A atribuição deste topónimo resultou de uma sugestão de topónimos para o Bairro dos Sete Céus feita pelo munícipe Manuel Cabaço, tendo a Rua Maria Júdice da Costa ficado no Impasse 5 do Bairro dos Sete Céus, a unir a Rua dos Sete Céus à Rua António Aleixo, com a legenda «Cantora/1870 – 1960», através do Edital municipal de 30 de janeiro de 1987. Nas restantes artérias do bairro ficaram os poetas Ruy Cinatti (Impasse 1), Vasco de Lima Couto (Impasse 3) e António Aleixo (Impasse 6), o músico do séc. XVII João Lourenço Rebelo (Impasse 2) e o fadista Joaquim Cordeiro (Impasse 4).

Maria Bárbara Bicker Júdice da Costa (Lisboa/12.06.1870-16.05.1960/Lisboa) foi uma atriz e cantora lírica que a partir de 1933 se tornou professora de Canto. Iniciou a sua formação artística aos nove anos no Conservatório Nacional, no curso de Piano. Contudo, um de seus professores apercebendo-se dos seus dotes vocais, convenceu-a a mudar e nos dez anos seguintes estudou Canto e  aulas de declamação com o ator João Rosa, tendo se estreado no Teatro de S. Carlos em 31 de janeiro de 1890, na ópera La Gioconda. Em junho partiu para Itália começando uma longa carreira internacional que passou por Roma, Nápoles,  Moscovo, México, Madrid, Buenos Aires, Amesterdão, Málaga, Trieste, Barcelona e Palma de Maiorca, tendo sido considerada então  a maior intérprete feminina de Wagner. Em 1933 regressou ao teatro lírico interpretando zarzuelas e óperas em três novas gloriosas temporadas no Teatro de S. Carlos.

Também no teatro dramático Maria Júdice da Costa se estreou a 30 de julho de 1921 na companhia de Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro, na peça Os sedutores.  No ano seguinte, junto com a sua filha Brunilde, integrou a digressão ao Brasil do espectáculo A Casaca Encarnada de Vitoriano Braga, produzido pela companhia de Lucinda Simões.

No cinema, começou em 1921 no Amor de Perdição de Georges Pallu, na pele de Rita Preciosa, a que se seguiram Mulheres da Beira (1923) como Madre Abadessa e Fátima Milagrosa (1928), ambos de Rino Lupo.

Maria Júdice da Costa foi casada durante vinte anos com o barítono italiano Gugliemo Caruson, de quem teve 3 filhos, entre os quais Brunilde Júdice, também inscrita na toponímia de Lisboa.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor de Coimbra e político, Carlos Alberto da Mota Pinto

Freguesias de Campo de Ourique e de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Carlos Alberto da Mota Pinto foi um político e vice-reitor da Universidade de Coimbra que desde o ano do seu falecimento, através do Edital municipal de  29/08/1985, passou a dar nome a uma artéria hoje pertença das freguesias de Campo de Ourique e Santo António, que era a Rua A do plano de Reordenamento das Amoreiras, compreendida entre a Rua José Gomes Ferreira e a Avenida Engº Duarte Pacheco, com a legenda «Professor Universitário e Político/1936 – 1985».

Carlos Alberto da Mota Pinto (Pombal/25.07.1936 – 07.05.1985/Coimbra), licenciou-se  em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo nessa instituição sido Professor catedrático desde 1975, bem como docente de Teoria Geral do Direito Civil, Direito das Obrigações, Direitos Reais  e Direito Público da Economia, tendo ainda sido Vice Reitor e Presidente do Conselho Diretivo da Faculdade de Direito, para além de ter sido também professor da Universidade Católica. É de destacar ainda o seu manual de Teoria Geral do Direito Civil.

Enquanto político, Mota Pinto junto com Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota fundou após o 25 de Abril o PPD (PSD) e foi Deputado logo na Assembleia Constituinte e depois, na Assembleia da República, tendo sido presidente do Grupo Parlamentar do PSD e mandatário nacional do candidato da AD, general Soares Carneiro, à presidência da República, em 1980. Liderou o Partido Social Democrata em 1983 a 1984, na chamada “Troika“, com Nascimento Rodrigues e Eurico de Melo, bem como a Comissão Política Nacional do partido, entre 1984 e 1985, passando depois a Presidente do partido. Foi ainda Ministro do Comércio e Turismo no I Governo constitucional de Mário Soares (25 de março de 1977 a 30 de janeiro de 1978 ), Primeiro-Ministro no  IV Governo constitucional nomeado por iniciativa presidencial de Ramalho Eanes ( 22 de novembro de 1978 a 1 de agosto de 1979) e ainda Vice-Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa no IX Governo constitucional de Pinto Balsemão (9 de junho de 1983 a 15 de fevereiro de 1985).

Carlos da Mota Pinto foi agraciado com um Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Coimbra (1982), a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (1981), a Grã- Cruz da Ordem da Instrução Pública (1985, póstuma), a Grã-Cruz de Isabel a Católica (Espanha), a Grã-Cruz de Ouro da Ordem do Mérito da Áustria, a Grã-Cruz da Ordem de Danburg do Reino da Dinamarca, bem como Grande-Oficial do Mérito Civil da Itália (1985).

Freguesias de Campo de Ourique e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT

 

A Rua do professor de Liceu e pintor António Saúde

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

António Saúde, pintor e professor de Liceu, dá nome ao troço da Estrada do Calhariz de Benfica, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua F, incluindo o arruamento de acesso às traseiras desta Rua e a Praceta adjacente, na Freguesia de São Domingos de Benfica, desde 1972.

Para dar resposta aos moradores desta zona que solicitavam designação para os arruamentos onde residiam a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1972 a Rua António Saúde, bem como a Rua Ten. Coronel Ribeiro dos Reis na Rua F à Estrada do Calhariz de Benfica.

António Manuel da Saúde ( Lisboa/02.07.1875 – 24.12.1958/Lisboa) foi um pintor naturalista, do chamado paisagismo português, discípulo de Carlos Reis e Silva Porto,  que como professor exerceu  nos Liceus de Santarém e no Gil Vicente e Passos Manuel, em Lisboa.

Formado em Desenho e Pintura de Paisagem na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, expôs pela primeira vez em 1899, na última Exposição do Grémio Artístico. Integrou a Sociedade Silva Porto, constituída em 1900 pelo próprio António Saúde, junto com Falcão Trigoso e  Alves Cardoso, a que depois também se associaram Armando Lucena, Frederico Aires e José Campas.

Destacam-se os seus quadro Manhã de Outono – Lousa (1901), Dia de Trovoada, Chão da Serra, Ruas em Góis (1912), Arredores de Abrantes (1915), A Ponte da Ribeira de Calvos (1943), Caramulinho (1952), Praia da Rocha ou Margens do Sena.

A sua obra foi premiada em diversas exposições do Grémio Artístico, da Sociedade Nacional de Belas-Artes, tendo sido o  1º prémio Silva Porto do  Secretariado Nacional de Informação, assim como  como também o foi no Panamá, em Sevilha, no Rio de Janeiro, estando a sua obra patente no Museu de Sevilha, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Museu Regional Grão-Vasco e no Museu do Chiado.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do Professor da Escola do Exército e bombeiro Augusto Gomes Ferreira

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Augusto Gomes Ferreira, na freguesia da Ajuda, perpetua desde 1916 o nome deste militar que foi Professor da Escola do Exército e Comandante dos Bombeiros municipais.

O seu nome foi atribuído para substituir a Rua Carlos Príncipe, por deliberação camarária de 21/09/1916 e Edital de 26/09/1916, provavelmente por a denominação anterior estar relacionada com a monarquia e ser característico da 1ª República a substituição deste tipo de topónimos por outros conotados com a República ou com figuras consideradas heróicas. Como a Rua Carlos Príncipe é anterior a 1889, ano da subida ao trono do rei D. Carlos, e considerando a proximidade da artéria ao Palácio da Ajuda onde o monarca nasceu, a homenagem seria provavelmente a D. Carlos I quando ainda príncipe.

À Rua Augusto Gomes Ferreira foi  acrescida a legenda «Professor da Escola do Exército Insp. dos Incêndios/1854 – 1900», 44 anos depois da atribuição do topónimo, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 13 de março de 1960.

Augusto Gomes Ferreira (05/04/1854 – 28/12/1900) tentou ser comerciante mas abandonou a área para tirar um curso de condutor de obras públicas e minas, matriculando-se depois na Escola Politécnica, onde completou os preparatórios para a Escola do Exército, onde concluiu o curso de Engenharia e alcançou o posto de capitão depois de 1885. Foi também na Escola do Exército que exerceu a docência da 14ª cadeira, tiro de artilharia.

Em 1889 foi nomeado  Inspector-Geral dos incêndios, designação que se dava ao Comandante dos Bombeiros desde 1794, cabendo-lhe a aquisição de material bem como a organização do pessoal, casernas e oficinas. Foi de sua autoria o plano do novo aquartelamento na Avenida D. Carlos I, nascida do Edital municipal de 28 de Dezembro de 1889, tendo o  Senado Municipal determinado dar ao quartel nº 1 a designação de «Caserna Augusto Ferreira».

O comandante Augusto Ferreira integrou ainda a Comissão que estudou do modelo de viaturas para enfermos e dirigiu a missão de estudo dos operários à Exposição de Paris de 1889. Foi por diversas vezes louvado pela Câmara Municipal de Lisboa, como na altura da greve dos padeiros (em 1890) e na greve dos operários da Companhia do Gás (em 1896). Em 1894,  também recebeu a medalha Recompense par les belles actions do governo francês.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo Prof. Arnaldo Sampaio da Escola Nacional de Saúde Pública

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Prof. Arnaldo Sampaio foi um médico que se repartiu por três sectores fundamentais – o ensino, a investigação e a administração de Saúde Pública – e que desde 1986 tem o seu nome fixado num Largo situado em frente do Centro de Saúde de Sete Rios, na Freguesia de Campolide.

Com a legenda «Médico de Saúde Pública/1908 – 1984», o Largo Prof. Arnaldo Sampaio foi atribuído pelo Edital municipal de 08/07/1986 ao largo situado em frente do Centro de Saúde de Sete-Rios, por proposta da Administração Regional de Saúde de Lisboa.

António Arnaldo Carvalho Sampaio (Guimarães/07.06.1908 – 16.10.1984/Lisboa), licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (1933), junto com Gonçalves Ferreira, foi na década de 50 do séc. XX, responsável pela reforma do ensino da Saúde Pública no País, o que muito contribuiu para o desenvolvimento da Escola Nacional de Saúde Pública, a cujos destinos presidiu durante alguns anos, como Professor Catedrático de Administração de Saúde Pública.

Começou na investigação em 1939, no Laboratório do Instituto Dr. Ricardo Jorge e, em 1948, após regressar dos Estados Unidos da América – onde obteve o Mestrado em Saúde Pública pela John Hopkins (1945) -, desenvolveu novas técnicas e promoveu a formação de uma equipa de técnicos especializados para a melhoria da saúde em Portugal, bem como impulsionou o Centro de Bacteriologia, particularmente na descoberta das doenças da sífilis e brucelose, baseado na evidência epidemiológica e científica das doenças transmissíveis em Portugal. Em 1953, após um ano de trabalho como investigador do Centro Mundial da Gripe, em Londres, foi encarregado de montar e dirigir, no Instituto Superior de Higiene, o Centro Nacional da Gripe, ligado à Organização Mundial de Saúde e aí criou os Laboratórios de Bacteriologia e Virologia do Instituto Ricardo Jorge, que depressa se desenvolveu e distinguiu como um dos mais acreditados no País. Em 1955, foi nomeado Inspetor Superior de Saúde, continuando sempre a trabalhar no sentido de melhorar os serviços de Saúde, o que o levou à realização de um pormenorizado inquérito sobre os laboratórios existentes no País, com vista à instituição de uma rede laboratorial de Saúde Pública, que só viria a materializar-se com a reforma de 1971.

Na administração, Arnaldo Sampaio dirigiu o Instituto Superior de Higiene, de outubro de 1968 a janeiro de 1972. Entretanto, fora chamado, em 1970, a dirigir o recém-criado Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Saúde e Assistência, tendo promovido a publicação dos «Trabalhos Preparatórios do IV Plano de Fomento — 1971», que constituíram um pormenorizado diagnóstico da situação de Saúde do País, com uma profundidade nunca antes atingida para além da sua contribuição pessoal para a elaboração do Decreto-Lei 413/71, peça fundamental da legislação portuguesa de Saúde  que lançou os fundamentos de uma moderna política de saúde e determinou uma completa reestruturação dos serviços, com a criação de uma rede de cuidados primários, destinada a cobrir todo o País. Foi depois nomeado Diretor-geral de Saúde (de 1972 a 1978), concebendo, elaborando e aplicando a reforma dos Serviços de Saúde portugueses de 1971, da autoria do seu grande amigo Gonçalves Ferreira. Destaque-se ainda que  em 1969, criou a Associação Portuguesa para a Promoção da Saúde Pública (APPSP).

Este Professor Catedrático de Administração de Saúde Pública dirigiu a Escola Nacional de Saúde Pública (1974-1976),  foi ainda membro da Organização Mundial de Saúde e, a partir de certa data e durante muitos anos, chefe da delegação portuguesa à Assembleia Mundial de Saúde. Pertenceu ainda aos Comités de Peritos da OMS e foi consultor da Organização. Quando, em 1977, Portugal foi eleito para o Comité Executivo — a mais alta instância técnico-científica e operacional da OMS — o governo Português incumbiu-o dessa representação.

Arnaldo Sampaio foi agraciado com Grande-Oficial da Ordem de Benemerência (1973) e a Grã-Cruz da Ordem do Mérito (1993), bem como com a criação em  1988 do Prémio Professor Arnaldo Sampaio pela APPSP  para o melhor trabalho de Investigação em Saúde Pública realizado em Portugal.

Refira-se ainda que o Prof. Dr. Arnaldo Sampaio foi o pai do antigo Presidente da República Jorge Sampaio (1939) e do psiquiatra e escritor Daniel Sampaio (1946).

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do Professor de Pintura Histórica, Miguel Lupi

Capa de Occidente, 21 de março de 1883

Miguel Lupi que foi Professor de Pintura Histórica e de Desenho e Figura da Academia de Belas Artes de Lisboa dá nome a uma das duas ruas do Bairro Brandão desde 1902, na freguesia da Estrela.

Manuel Francisco de Almeida Brandão construiu um Bairro com o seu nome tendo o Edital municipal de 1 de agosto de 1902 dado à Rua Um do Bairro Brandão o nome de Rua Almeida Brandão e à artéria que parte da Calçada da Estrela, de nordeste para sudoeste fazendo cotovelo, em sentido perpendicular à Rua Almeida Brandão, denominou-a Rua Miguel Lupi.

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Miguel Ângelo Lupi (Lisboa/08.05.1826 – 26.02.1883/Lisboa),  filho de Francisco Lupi , de origem italiana, e de Maria Soriana do Carmo, foi pintor toda a sua vida mas após concluir o curso de Desenho Histórico da Academia de Belas Artes de Lisboa em 1843, teve de ingressar no funcionalismo público para sobreviver, tendo trabalhado na Imprensa Nacional (1849- 1851), na Junta da Fazenda Pública em Luanda (1851 – 1853) e no Tribunal de Contas (a partir de 1855).

Em 1860, fez um retrato de D. Pedro V para a Sala de Audiências do Tribunal de Contas, que lhe trouxe sucesso e lhe valeu uma bolsa para estudar para Roma até novembro de 1863. A partir daqui conseguiu o lugar de professor das disciplinas de Pintura Histórica bem como de Desenho e Figura da Academia de Belas Artes. A pintura de Lupi incidiu fundamentalmente no retrato dos ricos e famosos da época – como António Feliciano de Castilho, o 1º Duque de Ávila e Bolama, D. Luís I, Filipe Folque ou Bulhão Pato – embora também tenha pintado cenas da vida familiar e da sociedade portuguesa, nus e alegorias, para além de temas históricos, como o seu famoso óleo Marquês de Pombal examinando o projeto da reconstrução de Lisboa (1881), que foi o seu último quadro e está exposto na sala das sessões privadas da Câmara Municipal de Lisboa.

Também foi incumbido em 1867 de ir em comissão do governo a Paris, averiguar dos trabalhos do monumento a D. Pedro IV que ali se estava a ser executado, assim como em 1879, publicou as suas Indicações para a reforma da Academia Real de Belas Artes de Lisboa, onde salientava a importância pedagógica dos Museus no ensino artístico.

Os seus quadros Mãe (1871) e Lavadeiras do Mondego (1878) foram premiados em Madrid e Paris e a sua obra está representada no Museu do Chiado e no Museu de Lisboa, bem como em diversas instituições oficiais para as quais executou retratos e cenas históricas. Foi condecorado coma Grã-Cruz da Ordem de Santiago e de Cristo. Miguel Lupi faleceu aos 56 anos de idade, na sua casa no nº 218 da Rua de São Bento.

Onze anos depois da atribuição da Rua Miguel Lupi, pelo Edital municipal de 16/05/1913, o arruamento que nasce frente ao nº 44 da Rua Miguel Lupi recebeu a denominação de Travessa Miguel Lupi.

Freguesia da Estrela (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)