As terras do «Carvalhão» que viria a ser Marquês de Pombal

Alto do Carvalhão – Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Carvalhão era o nome pelo qual era conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo – que viria depois a ser Conde de Oeiras e Marquês de Pombal – nesta zona de Campolide, onde era o proprietários dos terrenos que se estendiam desde a Cruz das Almas até à ribeira de Alcântara e onde se fixou na toponímia local como Alto do Carvalhão, Rua do Arco do Carvalhão e já no século XX, também com a Rua do Meio ao Arco do Carvalhão (Edital de 22/06/1948).

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, «do apelido [Carvalhão] derivaram os nomes da Rua actual (da direita) que leva à Cruz das Almas, e da ladeira (à esquerda) só há poucos anos (1933) edificada em forma, e que leva à D. Carlos Mascarenhas», porque ali possuía  casas, terras, olivais, pedreiras como a da Cascalheira, fornos de cal e até moinhos e azenhas. Ainda segundo Norberto de Araújo «antes de ser do Arco do Carvalhão a rua chamava-se do Sargento-Mór.»

Antes do Terramoto de 1755, o Arco do Carvalhão aparece na descrição corográfica da freguesia de Santa Isabel, bem como na planta após a remodelação paroquial de 1770. Cerca de 1779 existiriam casebres na Rua do Arco do Carvalhão que seriam demolidos em 1929 para alargamento do arruamento, ainda de acordo com Norberto de Araújo.

No século XX, em 1807, a planta de Duarte Fava apresentava esta zona como o Arco do Carvalhão. Filipe Folque, na sua planta de 1857 já refere o Arco do Carvalhão, a Estrada do Arco do Carvalhão e o forte do Alto do Carvalhão, sendo que desde 12 de outubro de 1823 que o Chafariz do Arco do Carvalhão (ou da Cruz das Almas), da autoria de Reinaldo Manuel dos Santos, estava a funcionar na Rua do Arco do Carvalhão que foi alargada a partir de 1887, alongada em 1900 e novamente alargada em 1901 bem como de 1914 a 1922.

Sabe-se ainda, por uma escritura de 21 de fevereiro de 1920, que neste ano estavam a ser construídas ruas no Alto do Carvalhão,  numa obra levada a cabo por Gustavo de Araújo Santos Moreira e que, dois anos depois (escritura de 27/01/1924), o mesmo indivíduo obteve licença para abertura e construção de ruas nos terrenos sitos no Alto do Carvalhão cedendo 2571,25 m2 de terreno à Câmara Municipal de Lisboa. A pavimentação das ruas ocorreu dez anos depois como prova a escritura de adjudicação da empreitada de pavimentação das ruas do Alto do Carvalhão a Emílio Hidalgo, com data de 22 de maio de 1934. A partir de 1937 o  Alto do Carvalhão recebeu a construção de  rampas de acesso à Auto-Estrada Lisboa-Cascais, incluindo ainda um viaduto sobre a artéria com data de 1940.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)