A Rua da Quinta da família Baldaque

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Em 1956 a Travessa das Baldracas passou a ser a Rua dos Baldaques, porque um estudo solicitado pela Comissão Municipal de Toponímia esclareceu que Baldracas era uma corruptela do nome da família Baldaque, moradora da artéria.

A Comissão Consultiva Municipal de Toponímia havia encarregado o seu membro, Dr. Durval Pires de Lima, de elaborar um estudo de revisão da toponímia de Lisboa – que foi aprovado na reunião da Comissão de 19 de janeiro de 1950 – no qual se esclareceu que Baldracas «É uma corrupção do nome da família Baldaque, em cuja Quinta foi delineada a travessa» pelo que se propôs que a designação passasse a ser Travessa dos Baldaques. E assim a Travessa das Baldracas passou, pelo Edital municipal de 25/02/1956, a ser a Rua dos Baldaques, unindo a Rua Barão de Sabrosa ao Largo Mendonça e Costa.

Em 1780 o espaço hoje ocupado pela Rua dos Baldaques eram terras de cultivo. Nesse século de reconstrução da cidade de Lisboa, fidalgos e burgueses procuraram os arredores da cidade de Lisboa para as suas casas de campo, como aconteceu com as novas quintas do Coxo, do Pina (que  veio a dar nome à freguesia do Alto do Pina) ou da família Baldaque.

No século XIX, o Alto do Pina era ocupado por quintas e a planta de Duarte Fava de 1807 situa os Baldaques junto à Azinhaga dos Sete Castelos, derivada esta última do nome do lugar já povoado desde o séc. XIV. Em 1896 deparamos com uma Azinhaga das Baldracas na planta de colocação de novo pavimento na Azinhaga ou  Calçada da Ladeira. Também de 1914  a 1916 continuamos a encontrar a designação Azinhaga das Baldracas em vários documentos municipais, referentes à iluminação da zona ou à construção da Rua Edith Cavel. E só em 1919 deparamos com a denominação Travessa das Baldracas na planta municipal para o alinhamento desse mesmo arruamento.

Refira-se que António Lobo Antunes dedicou uma crónica a esta Rua dos Baldaques, publicada em 2002 no livro que compilou os seus textos publicados na revista Visão.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)