O Largo da primeira fadista, Severa

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo I
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Maria Severa Onofriana, a 1ª fadista, está consagrada desde 18 de dezembro de 1989 no Largo da Severa, tendo para o efeito a edilidade lisboeta usado um troço da Rua do Capelão, compreendido entre o Beco do Forno e a Rua da Guia, por ter sido uma artéria onde ela morara e falecera.

Por a antiga Rua do Capelão ser também a artéria de nascimento de Fernando Maurício, ambos os fadistas têm placas colocadas neste Largo da Severa, nos prédios dos nºs 2 e 1, descerradas por Amália Rodrigues no dia 3 de junho de 1989, numa homenagem da antiga Junta de Freguesia do Socorro e o  «sentir da população da Mouraria».  Vizinha da Rua do Capelão, a Rua João do Outeiro também acolhe a Casa Fernando Maurício, desde 12 de julho de 2015.

A Severa, sem data, Aguarela de Alberto de Souza

De seu nome completo Maria Severa Onofriana (Lisboa/26.07.1820-30.11.1846/Lisboa), era filha de Ana Gertrudes Severa e de Severo Manuel de Sousa, nascida no  nº33 da Rua Vicente Borga, onde está desde 26 de julho de 2013 uma placa onde se pode ler «Neste local onde sua mãe tinha uma taberna segundo a tradição nasceu em 26 de Julho de 1820 a mítica fadista Maria Severa Onofriana». A 12 de setembro desse ano foi batizada na Paróquia dos Anjos, hoje da freguesia de Arroios.

Severa também viveu no Bairro Alto, na Travessa do Poço da Cidade, bem como na Rua da Graça e no Pátio do Carrasco, ao Limoeiro. O último Conde de Vimioso – D. Francisco de Paula de Portugal e Castro – terá sido o seu grande amor e instalou-a em mais três moradas lisboetas: na Rua da Bemposta, na Rua da Amendoeira e ainda no seu palácio do Campo Grande.

Maria Severa cantou fado primeiro na Madragoa, depois no Bairro Alto e na Mouraria –  nas Tabernas da Rosária dos Óculos,  do Manuel Jerónimo, do Cegueta, do Manhoso, todas na Rua do Capelão – , assim como no café do antigo forcado Joaquim Silva à Rua do Saco e ainda,  em festas aristocráticas dada a sua ligação ao Conde de Vimioso.

Todavia, Severa Onofriana faleceu aos 26 anos de idade na Rua do Capelão e o que se sabe dela resulta de breves relatos de contemporâneos, como Luís Augusto Palmeirim, Miguel Queriol e Bulhão Pato.

A figura da Severa foi amplamente  cantada em letras de fados, divulgada pelo romance de Júlio Dantas e da peça homónima  levada à cena no São Luiz nesse mesmo ano de 1901 e, com reposições sucessivas em diversos palcos e adaptações em   operetas, para além de filmes, ficando assim famosa e um símbolo do fado.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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