A Rua da Amendoeira onde morou a mãe da Severa

Rua da Amendoeira, 1912, Aguarela de Alberto de Souza
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua da Amendoeira foi no século XIX uma morada de Ana Gertrudes, também conhecida pela alcunha da Barbuda e mãe de Maria Severa Onofriana, como referiu o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo.

Esta é uma artéria que data pelo menos do séc. XVI considerando que Cristóvão Rodrigues de Oliveira, no seu Sumário de 1551, já regista a Rua da Amendoeira, tal como a Rua do Capelão, a do João do Outeiro, a dos Cavaleiros e a  da Mouraria. Não espanta assim que a antiguidade da rua a inscreva na tradição popular de gerar nomes de ruas – topónimos – a partir das disposições do terreno ou do local, às suas circunstâncias naturais ou à sua fauna ou  flora. Em data não precisa do séc. XVI, encontramos também o registo do foro, no valor de 30 reais, de um chão situado na Rua da Amendoeira,  propriedade do pedreiro João Dias. No entanto, encontramos registos anteriores de 1394 e 1397, num artigo do Pedro de Azevedo (o autor de Nomes de pessoas e nomes de logares de 1900) publicado pelo Museu Etnológico Português em 1900.

Esta Rua da Amendoeira que foi alinhada em 1916 e une a Calçada de Santo André à Rua Marquês de Ponte de Lima, surge inscrita na letra de três fados, a saber: Lenda da Amendoeira de Carlos Conde e Gabino Ferreira, celebrizado na voz de Gabino Ferreira;  Sotão da Amendoeira de Carlos Conde e Raul Pinto, entre outros interpretado por Fernando Maurício; e Rua da Amendoeira de Euclides Cavaco e Frederico de Brito.

Na toponímia de Lisboa a «Amendoeira» está também presente no Beco da Amendoeira que justamente nasce nesta Rua da Amendoeira, bem como no Largo do Outeirinho da Amendoeira ( Freguesia de São Vicente ) e no Beco do Outeirinho da Amendoeira (Freguesia de Santa Maria Maior).

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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