A Rua Vicente Borga onde nasceu a Severa

Freguesia da Estrela (Foto: Ana Luísa Alvim)

Freguesia da Estrela
(Foto: Ana Luísa Alvim)

No coração da Madragoa, na quinhentista Rua da Madragoa, nasceu em 1820 a fadista Severa , mas 39 anos depois, o Governo Civil de Lisboa renomeou-a como Rua Vicente Borga, perpetuando o alemão Vicente Borchers que no século anterior havia morado naquele arruamento.

A Rua Vicente Borga que  nos nossos dias une a Travessa do Pasteleiro à Rua das Trinas, fixa na memória de Lisboa o negociante alemão Vicente Borchers que no séc. XVIII,  após ter casado com Maria Clara Sousa Peres, passou a ser morador da antiga Rua da Madragoa.

Nesta artéria, no nº 33, nasceu no dia 26 de julho de 1820, Maria Severa Onofriana, filha de Ana Gertrudes Severa (conhecida como a Barbuda) e de Severo Manuel de Sousa. Por isso, no dia em que se celebrava o 193º aniversário do nascimento da fadista, a Câmara lisboeta e a Junta de Freguesia de Santos-O-Velho colocaram uma placa evocativa no prédio do evento com os seguintes dizeres: «Neste local/ onde sua mãe tinha uma taberna/ segundo a tradição nasceu/ em 26 de Julho de 1820/ a mítica fadista/ Maria Severa Onofriana».

Segundo José Silva Carvalho, que colheu testemunhos orais dos moradores mais antigos da Madragoa, a taberna da mãe da Severa ficava no edifício de esquina da Travessa das Inglesinhas, 14 com a Rua Vicente Borga, 33 a 35, tendo a Severa tinha nascido no nº 33 e afirmando-se também que por aqui terá vivido até aos 8 anos.

De acordo com Norberto de Araújo, esta artéria denominava-se no séc. XVI  Rua das Madres de Goa. Na planta da remodelação paroquial de 1770 ainda aparece registada como Rua da Madragoa. Segundo Gomes de Brito, tinha o topónimo Rua da Madragoa sido aposto em 1802 pela Administração Geral dos Correios, quando era destes a competência para a denominação dos arruamentos.  Ainda de acordo com este último olisipógrafo o topónimo foi alterado pelo Governo Civil de Lisboa, em 9 de julho de 1859, para Rua Vicente Borga, por ter confundido a palavra Madragoa com mandrágora: «É conhecido o motivo da substituição, que se prende a razões de moral pública, pôsto que o vocábulo substituido nada tenha de menos decoroso, e resulta apenas de um mal entendido. O que , provàvelmente se quis, com efeito, fazer denominação desta rua foi o vocábulo ‘Mandrágora’, que a Corografia de Carvalho da Costa (1712), por infeliz lapso de revisão, estropiou.» 

Freguesia da Estrela (Foto: Ana Luísa Alvim)

Freguesia da Estrela
(Foto: Ana Luísa Alvim)