A Rua da pintora Maluda que é nome de fado

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A pintora Maluda dá o seu nome a uma Rua da freguesia de Santa Clara desde 2007 e  também a um fado que Carlos Zel lhe dedicou no seu álbum de 1993.

Maria de Lurdes Ribeiro, que se fixou na nossa memória como Maluda,  deu nome à Rua 1 ou arruamento projetado ao Bairro das Galinheiras oito anos após o seu falecimento, por via do Edital municipal de 27 de abril de 2007, nascendo assim a Rua Maluda (Maria de Lurdes Ribeiro), com a legenda «Pintora/1934 – 1999». O mesmo documento municipal colocou também o escultor Barata Feyo na Rua 2 e  a fadista Berta Cardoso na Rua 3.

Autorretrato de 1968

Maria de Lurdes Ribeiro (Índia – Pangim/15.11.1934 – 10.02.1999/Lisboa) começou na pintura como retratista autodidata, integrada no grupo Os Independentes, ainda em Lourenço Marques, onde viveu a partir de 1948. Depois, estudou em Lisboa (1963)  e Paris (1964), cidade onde trabalhou na Académie Grande Chaumiére com os pintores Jean Augame e Michel Rodde, altura em que se começou a interessar por composições da paisagem urbana. Também estudou em Londres e na Suíça (1977).

Maluda radicou-se em Lisboa no ano de 1967 e logo no seguinte pintou os seus primeiros óleos da cidade. Dois anos depois, concretizou a sua primeira exposição individual, na Galeria do Diário de Notícias e a partir daí desenvolveu uma obra artística que somou retratos – com destaque para os de Amália Rodrigues, Ana Zanatti e Aquilino Ribeiro -, serigrafias, tapeçarias, cartazes, painéis murais, ilustrações e selos de correio. Em 1970, inaugurou a sua casa-atelier na Rua das Praças, na fronteira da Madragoa com a Lapa. Depois pintou sobretudo Lisboa, a sua luz e o lado geométrico e contrastante da cidade, tendo ficado famosas as suas séries Quiosques de Lisboa e As Janelas de Lisboa. A série dos quiosques foi mesmo consagrada numa coleção de selos editada pelos CTT e ganhou o prémio mundial Melhor Selo em Washington (1987) – para o selo do famoso Quiosque Tivoli da Avenida da Liberdade- bem como ganhou em Perigueux (1989), desta vez pelo seu selo Évora Património Mundial. Em 1984 montou exposições individuais em Nova Iorque, Washington e Dallas ao mesmo tempo que participou na Bienal Ibérica em Campo Maior. Em 1993, o fadista Carlos Zel incluiu no seu álbum Fados o Fado Maluda, com letra de Rosa Lobato de Faria e música de Carlos da Maia.

Maluda foi galardoada com o Prémio de Pintura da Academia Nacional de Belas Artes (1979), com os poemas Persiana para Janela de Maluda (I e II) de Alexandre O’Neill em 1981,  com o Prémio Bordalo da Casa da Imprensa (1994),  a Ordem do Infante (1998) pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, para além de, em 2001, José-Augusto França eleger o seu quadro Portel (de 1986) como um dos 100 Quadros Portugueses do Século XX. Refira-se ainda que em testamento, a artista instituiu o Prémio Maluda a atribuir pela Sociedade Nacional de Belas Artes.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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