A Rua Maria José da Guia no «Bairro das Marias»

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Bairro da Cruz Vermelha, conhecido popularmente como Bairro das Marias, recebeu no ano 2000 mais três topónimos marianos, todos de fadistas, todos por sugestão de Appio Sottomayor enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia e um desses três foi a Rua Maria José da Guia.

A Rua Maria José da Guia,   com início na Rua Pedro Queirós Pereira e fim na Rua Maria Carlota do Bairro da Cruz Vermelha, nasceu do Edital municipal de 5 de julho de 2000, junto com a Rua Maria Alice e a Rua Maria do Carmo Torres, ambas homenageando também fadistas, tendo a cerimónia de inauguração ocorrido em 27 de junho de 2001.

Maria José dos Santos Guia de Freitas (Angola/16.10. 1929 – 02.09.1992/Espanha) que usou Maria José da Guia como nome artístico foi uma das protagonistas nascidas para o Fado na década de 40 do século XX. Desde os quatro anos que morava em Alfama e foi nesse Bairro que começou a cantar tendo até sido mascote da Marcha de Alfama. A sua carteira profissional data de 1944 e a sua voz sustentada num corpo vestido de negro e xaile traçado cantou por várias casas de fado do Bairro Alto e de Alfama, sendo de referir o ter integrado os os elencos do Café Luso, do Retiro da Severa, do Faia ou da Adega Machado.

Maria José da Guia celebrizou fados como Coimbra ou Lisboa Antiga – ambos com letra de José Galhardo e música de Raúl Ferrão -, Casa Portuguesa ( letra de Matos Sequeira e Reinaldo Ferreira com música de Artur Fonseca), Sempre que Lisboa Canta ( letra de Aníbal Nazaré e música de Carlos Rocha), Barro Divino (letra e música de Álvaro Duarte Simões), Ciúme duma Verdade (letra de Fernando Peres e música de Jaime Santos, Victor Ramos e Santos Moreira),  Fado da Minha Saudade ( letra de Fernando Peres e música de Francisco José Marques), Um Golpe de Vento (letra de Linhares Barbosa e música de Nuno Meireles), Grão de Arroz ( letra e música de Belo Marques), a Marcha dos Centenários (letra de Norberto de Araújo e música de Raúl Ferrão), Não é Preciso (letra de José António Sabrosa e música de Guilherme Pereira da Rosa) ou A Saudade que me deste (letra de Fernando Peres e música de António Bragança).

No Fado, Maria José da Guia foi ainda madrinha artística de Ada de Castro mas também passou pela rádio e televisão, assim como participou em várias revistas dos Teatros Maria Vitória, Variedades e ABC, no Parque Mayer, para além de ter entrado no filme O Homem do Dia (1958) de Henrique Campos.

Na vida pessoal, Maria José da Guia casou com Amadeu José de Freitas, profissional do relato desportivo nos jornais, na rádio e na televisão, com quem teve dois filhos.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)