A Rua Carlos Conde em Campolide

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Carlos Conde,  poeta popular que viveu cerca de 50 anos na Rua Vítor Bastos, em Campolide, foi justamente consagrado na toponímia dessa freguesia em 2001, ano do centenário deste letrista de cegadas e fados.

O poeta oriundo da Murtosa deu o seu nome ao arruamento do Conjunto Habitacional do Bairro do Alto da Serafina com início na Rua da Igreja,  por Edital municipal de 31 de janeiro de 2001, com a legenda «Poeta Popular/1901-1981», tendo a inauguração ocorrido em conjunto com a Rua da Igreja  no dia 14 de novembro desse mesmo ano.

Carlos Conde (Murtosa- Monte/22.11.1901 – 13.07.1981/Lisboa),  filho dos pescadores Maria Antónia da Silva Conde e Manuel José Conde, distinguiu-se como poeta, autor de populares cegadas dos anos 20 e 30 do século XX  e de centenas de letras de fados. Veio ainda em criança para Lisboa e para usufruir do fado, Carlos Conde trabalhava como chefe de escritório na firma F.H. de Oliveira, na Avenida 24 de Julho, sendo oportuno aqui recordar a sua quadra: Trabalho é letra vencida/Que o suor já pagou bem./Quem trabalha toda a vida/Não deve nada a ninguém.

As suas letras evocam a Lisboa da primeira metade do séc. XX, caracterizando os seus bairros do Alto do Pina, de Alfama, de Alvalade, do Areeiro, do Bairro Alto, da Baixa, de Benfica, de Belém, da Bica, de Campolide, de Campo de Ourique, do Castelo, da Fonte Santa, da Graça, do Lumiar, da Madragoa, da Mouraria e de Xabregas. Em entrevista à revista ABC (23 de janeiro de 1931) Carlos Conde definiu os seus temas favoritos como «O amor, as mulheres, o campo. Adoro as flores, as águas claras, o sol, a luz, a natureza. Tudo o que tenha vida, que tenha alma.»

A notoriedade de Carlos Conde foi muitas vezes referenciada pelos periódicos de fado que foram surgindo ao longo das décadas de 20, 30 e 40 do  século passado, tanto mais quanto a sua poesia foi celebrizada por vozes reconhecidas como as de Ada de Castro, Alfredo Marceneiro ( É tão bom ser pequenino ou Bairros de Lisboa), Amália (A mulher que já foi tua ou O Fado da Bica), Argentina Santos, Carlos do Carmo (Trem desmantelado), Carlos Ramos,  Ercília Costa, Fernanda Maria (Não Passes Com Ela à Minha Rua) , Fernando Maurício (Sótão da Amendoeira ou Feira da Ladra, Gabino Ferreira (Lenda da Amendoeira ou Ri Sempre), Hermínia, João Ferreira Rosa (O Marquês de Linda a Velha), Lucília do Carmo, Maria da Fé ou a do seu neto Vítor Conde (Não chamem nomes ao fado),  entre outras. Ficaram ainda célebres as suas letras para os fados Baile dos QuintalinhosFins do século passado, Não sou ciumenta, Rapsódia de fado antigo, Recordar é viver,  Saudades do fado, A Saudade é Minha ou Um resto de Mouraria.

Carlos Conde recebeu em vida mais de uma vintena de prémios, tendo o primeiro sido em 1927, no concurso de quadras do Diário de Lisboa. Destaque-se que em  1966 também venceu o concurso para a letra do Hino da Força Aérea. Foi agraciado com um almoço comemorativo do seu 50º aniversário na Adega Mesquita (1951), com a Festa de Homenagem ao poeta popular Carlos Conde em 1958. Em 2016, no dia do seu aniversário, a Junta de Freguesia de Campolide também o homenageou com uma exposição sobre a sua vida e obra, bem como a colocação de uma placa evocativa na casa onde viveu na Rua Vítor Bastos.

Para além da morada acima referida, Carlos Conde também viveu em Lisboa na Praça das Amoreiras  e era casado com Laura dos Santos, desde 18 de setembro de 1936, com quem teve três filhas: Noémia, Maria de Lourdes e Flora. Faleceu numa esplanada de Campolide, num trágico atropelamento quando estava com amigos a conversar.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)