A Rua do Britinho da revista, do fado e da Canção do Mar

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Frederico de Brito, conhecido como Britinho, nome de autor do teatro de revista e do fado e  figura muito querida em Lisboa, tem desde 2009 o seu nome perpetuado numa Rua da freguesia de Santa Clara, com a legenda «Compositor e Poeta/1894 – 1977», a partir da proposta de Appio Sottomayor enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia.

A Rua Frederico de Brito foi fixada na Rua A à Azinhaga da Cidade (junto à Estrada de São Bartolomeu) pelo Edital municipal de 16/09/2009, que colocou também nesta área do Vale da Ameixoeira mais dois nomes ligados ao teatro, a saber, a actriz Glicínia Quartin e o encenador Artur Ramos.

Joaquim Frederico de Brito (Oeiras-Carnaxide/15.09.1894-24.03.1977/Lisboa) foi um poeta e compositor famoso pela sua rapidez de composição que escreveu mais de um milhar de letras e compôs algumas centenas de músicas. Distinguia-o também a alcunha carinhosa de Britinho, usada sobretudo no mundo do fado, ao qual se ligara desde os 8 anos de idade, quando morava com a família em Alcântara,  já que após ler Lira do Fado de Avelino de Sousa, escreveu versos que o seu irmão mais velho – João de Brito – cantava em festas de amadores. São êxitos seus a Canção do MarCanoas do Tejo cantada por Carlos do Carmo, a Janela virada para o Mar celebrizada por Tristão da Silva, ou ainda Carmencita interpretada por Amália, para além do Fado do Britinho, Fado dos Sonhos, Biografia do Fado, Não digam ao fado, em vozes como as de Beatriz da Conceição, Carlos RamosFernanda Maria ou Lucília do Carmo. Em paralelo, Frederico de Brito também colaborou intensamente com o jornal Guitarra de Portugal assim como foi diretor e editor do jornal O Galarim.

Por outro lado, de 1934 a 1969, tornou-se também autor de marchas para os bairros de Lisboa, de que são exemplo maiores É raparigas, com música de Raul Ferrão para a Marcha de Benfica de 1934 ou a Marcha de Marvila de 1964, com música de Ferrer Trindade. O Britinho produziu poemas para as marchas dos bairros da Ajuda, Alcântara, Alfama, Alto do Pina, Bairro Alto, Benfica, Bica, Campo de Ourique, Campolide, Castelo, Graça, Madragoa, Marvila, Mouraria, Olivais, Santa Catarina e São Vicente.

Frederico de Brito foi também  o autor de inúmeras músicas e poemas para o teatro de revista, onde se estreou em 1935, no Anima-te Zé, no palco do Teatro Maria Vitória, onde ficou famoso o tema Soldado do Fado, com letra sua e música de Frederico Valério. Além deste palco a sua obra também passou no Éden, no Variedades e no ABC. Refira-se ainda que  participou como cantor na opereta História do Fado de Avelino de Sousa, tal como Alfredo Marceneiro.

E durante muitos anos, juntou à sua paixão uma ocupação: de estucador, de motorista de táxi em Lisboa e ainda, de empregado da Companhia de Petróleos Atlantic que viria a ser a BP. O táxi também o inspirou para em 1930 publicar Musa ao Volante: quadras, com prefácio de Albino Forjaz de Sampaio.  Dois anos depois também lançou Terra Brava: versos, desta feita com uma carta prefácio de Teixeira de Pascoais.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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