A Avenida do pintor de «O Fado»

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Avenida José Malhoa perpetua desde 1972 em Lisboa o pintor do quadro O Fado, aumentando o tamanho da artéria que lhe era dedicada na cidade desde 1955, por sugestão do Museu José Malhoa, das Caldas da Rainha.

José Malhoa começou por estar consagrado em Lisboa numa Rua de Alvalade, no ano do seu centenário de nascimento. O Edital municipal de 20 de outubro de 1955 identificou as ruas do Bairro de Alvalade com topónimos de figuras ligadas à cultura e às artes e assim, a Rua 55 A do Sítio de Alvalade passou a denominar-se Rua José Malhoa. Mas passados 17 anos,  esta artéria passou a ser a Rua General Pimenta de Castro, pelo Edital municipal de 8 de janeiro de 1972, que também transferiu o nome de José Malhoa para um arruamento maior, no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão, desde o viaduto sobre a Avenida Calouste Gulbenkian até Sete Rios, ganhando a categoria de Avenida.

Este topónimo havia sido sugerido à Comissão Consultiva Municipal de Toponímia pelo então denominado Museu Provincial de José Malhoa – o único museu criado de raiz pelo Estado Novo – , em 1954, já que no ano seguinte seria o de centenário do nascimento do artista caldense. Mais tarde,  na sua reunião de 23 de dezembro de 1970 a Comissão deparou-se com um despacho do Presidente da CML «solicitando parecer sobre a transferência do topónimo que consagrou o nome de José Malhoa, para um arruamento de maior categoria» e quase um ano depois, na reunião de 20 de outubro de 1971,  outro despacho do Presidente da CML pedia «parecer sobre a denominação do arruamento em construção no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão», tendo então a Comissão considerado «que a considerável extensão do arruamento, sua localização e importância bem justificam o nome de uma grande individualidade; Considerando ainda que o nome de José Malhoa identifica hoje um pequeno arruamento; A Comissão é de parecer que o arruamento em construção no prolongamento da Rua Ramalho Ortigão, desde o viaduto sobre a Avenida Calouste Gulbenkian, até Sete Rios, se denomine Rua José Malhoa/Pintor/1855 – 1933».

Branco e Negro, 21 junho de 1896

José Vital Branco Malhoa (Caldas da Rainha/28.04.1855 – 26.10.1933/Figueiró dos Vinhos) liga-se ao Fado por em 1909 (1ª versão) e em 1910 (versão final) ter pintado o quadro O Fado, um óleo sobre tela (150  × 183 ) hoje no Museu de Lisboa, que se tornou uma imagem icónica desse estilo de música, a ponto de ser recriada em filmes e mesmo se inicialmente foi mal recebida em Portugal, por causa da sua temática considerada marginal e assim, o quadro foi exposto pela primeira vez em Buenos Aires, em 1910, na Exposição Internacional de Arte do Centenário da República da Argentina, com o título Bajo el Encanto, onde conseguiu a Medalha de Ouro e só foi exposto em Lisboa em 1917. A característica  pintura de costumes de Malhoa produziu outras obras emblemáticas como As Cócegas (1904), Os Bêbados (1907) ou Outono (1918).

Apesar de diplomado pela Academia Real de Belas Artes, onde foi discípulo de Vítor Bastos, Tomás da Anunciação e Miguel Lupi, até ao  sucesso de A Seara Invadida exposta em Madrid, em 1881, lhe renovar as esperanças de carreira, José Malhoa dedicou-se ao comércio para seu sustento. Foi assim que depois aderiu ao naturalista Grupo do Leão. Em Lisboa, pintou os tetos da sala de concerto do Conservatório Real de Lisboa, do Supremo Tribunal de Justiça e do Gabinete Real da Escola Médica de Lisboa, bem como os medalhões do teto dos Paços do Concelho de Lisboa (1889). No concurso que a Câmara Municipal de Lisboa abriu em 1887 para um quadro representando A partida de Vasco da Gama para a Índia, o seu esboceto recebeu a primeira classificação entre os concorrentes, sendo nessa ocasião Malhoa agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo (1888). Malhoa pintou ainda composições históricas de pendor decorativo para o Palácio da Ajuda (1890), Assembleia Constituinte (1891) e  Museu Militar (1907). Foi Presidente da Sociedade Nacional das Belas Artes em 1918. A sua obra está representada nos lisboetas Museu de Lisboa – Palácio Pimenta e Museu de Arte Contemporânea – Museu do Chiado,  bem como no Museu José Malhoa das Caldas da Rainha.

Refira-se que José Malhoa mandou construir  a sua casa em Lisboa sob traçado do Arqº. Norte Júnior, que foi Prémio Valmor 1905 e hoje conhecemos como Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, já que este proprietário posterior a legou ao Estado. A decoração a fresco das fachadas foi executada por Mário Eloy, segundo modelos do próprio Malhoa e de António Ramalho e as esculturas foram obra de Costa Mota. Pertenceu, mais tarde, a Anastácio Gonçalves que a legou ao Estado.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Anúncios

4 thoughts on “A Avenida do pintor de «O Fado»

  1. Pingback: A Praça de Moscavide e a Praça José Queirós | Toponímia de Lisboa

  2. Pingback: A Rua do arquiteto dos 5 Prémios Valmor e 2 Menções Honrosas, Norte Júnior | Toponímia de Lisboa

  3. Pingback: Os desenhadores, pintores e escultores de Lisboa | Toponímia de Lisboa

  4. Pingback: Luciano Freire, o pintor-restaurador que dirigiu o Museu dos Coches, numa Rua do Rego | Toponímia de Lisboa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s