A Rua do autor da letra d’A Casa da Mariquinhas e d’A minha casinha

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Silva Tavares, o autor da letra do fado A Casa da Mariquinhas primeiro consagrado na voz de Alfredo Marceneiro – bem como da canção A minha casinha – para Milú no filme Costa do Castelo –, com a legenda «Poeta/1893 – 1964» deu  nome a uma Rua da freguesia do Lumiar, em 1972, oito anos após o falecimento do poeta.

Foi por sugestão do Presidente da CML de então, Engº Santos e Castro, que o nome de Silva Tavares foi consagrado na toponímia de Lisboa, unindo numa única artéria da Urbanização da Tóbis Portuguesa a Rua B com o troço da Rua A que lhe ficava paralelo,  pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1972. Dezasseis anos mais tarde, pelo Edital de 29 de fevereiro de 1988, também a Rua II à Rua Silva Tavares foi incorporada neste arruamento, estendendo-se desde aí da Alameda das Linhas de Torres à Rua Ladislau Patrício.

João da Silva Tavares (Estremoz/27.06.1893 – 03.06.1964/Lisboa) trabalhou na Emissora Nacional, na Repartição dos Serviços de Produção, como chefe da Secção de Coordenação de Programas, de 1934 a 1963. Em paralelo, desenvolveu a sua faceta de dramaturgo e poeta, aquela que o ligou mais estreitamente ao fado, produzindo letras para Alfredo Marceneiro, como A Casa da Mariquinhas ou o Fado da Balada, assim como para Amália Rodrigues, sendo neste caso de salientar o Sabe-se lá ou o Que Deus me perdoe – ambos com música de Frederico Valério -, bem como  Fado de Cada Um (para o filme Fado de 1948) ou Céu da Minha RuaNa canção ligeira Silva Tavares também colaborou com diversos maestros como Tavares Belo, sendo mais famosa a sua parceria com António Melo, da qual nasceu a letra de 6 estrofes para Milú cantar no filme O Costa do Castelo (1943), intitulada A minha casinha que mereceu uma versão dos Xutos & Pontapés, a partir da década de oitenta do século passado, que a começaram a cantar como último tema dos seus concertos e que foi aquela que a Seleção Nacional de Futebol entoou após vencer o Euro 2016.

Silva Tavares começou a publicar poesia aos 18 anos, com a obra  Nuvens, corria então o ano de 1911, e a este livro seguiram-se Luz Poeirenta (1916), Poemas do Olimpo (1917), Claustro (1918), Gente Humilde (1934) e Viagem à Minha Infância (1950). Escreveu ainda  cerca de 90 peças de teatro de vários géneros, desde a ópera à farsa, passando muito pela revista, sendo de destacar a autoria do libreto da ópera D. João IV, para música de Rui Coelho, estreada em 1940, bem como o seu Vasco da Gama (1922) em verso e o Auto da Fundação das Caldas da Rainha (1935). Com  Virgínia Vitorino e Adolfo Simões Muller foi ainda em 1940  membro do Júri de Quadras do XII Concurso de Quadras de São João, promovido pelo Jornal de Notícias.

 

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