A Rua da Cooperativa de Caselas e a Rua Sara Afonso

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde 1988 que a Rua Sara Afonso é o topónimo oficial da artéria que antes era vulgarmente conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas, razão para que nos últimos 29 anos as duas denominações tenham coexistido no Bairro de Caselas.

Como era hábito fazer-se para os bairros sociais na década de 50 do século passado  também o Bairro de Caselas, traçado por  Couto Martins e construído em 1949, recebeu toponímia numérica para os seus arruamentos pelo Edital municipal de 15 de março de 1950. Entretanto, chegados os anos 80, a então Junta de Freguesia de São Francisco Xavier (hoje o território é pertença administrativa da Junta de Freguesia de Belém) solicitou à edilidade que fossem atribuídos topónimos aos arruamentos do Bairro de Caselas e assim sucedeu através do Edital municipal de 20 de abril de 1988 que atribuiu 12 topónimos em ruas, sendo 7 de mulheres, a saber:  a pintora Sara Afonso e 1ª mulher a frequentar as tertúlias de A Brasileira (Rua da Cooperativa de Caselas), a médica Carolina Ângelo e  1ª mulher a votar em Portugal (Rua 1), a republicana setecentista Leonor Pimentel (Rua 2), a pedagoga Alice Pestana (Rua 3),  Virgínia Quaresma a 1ª jornalista portuguesa (Rua 4), a 1ª notária portuguesa Aurora de Castro (Rua 6) e a escritora Olga Morais Sarmento (Rua 7).

Talvez por a Rua Sara Afonso não ter substituído um topónimo numérico, conforme era anseio dos moradores, mas antes um topónimo que popularmente lhe fora dado pelos residentes se tenha mantido na memória  da população do Bairro de Caselas.

Imagem relacionada

Família, 1937 (óleo sobre tela)

A Rua Sara Afonso, que liga a  Rua Carolina Ângelo à Rua Padre Reis Lima, homenageia  Sarah Affonso (Lisboa/ 13.05.1899 – 14.12.1983/Lisboa) a pintora alfacinha que foi uma das últimas discípulas de Columbano na Escola de Belas Artes de Lisboa, a que somou duas estadias em Academias livres de Paris (1923-1924 e 1928-1929) e a frequência das tertúlias de A Brasileira, nos anos trinta do séc. XX, que até aí eram território masculino.

Sara desenvolveu um estilo oriundo do imaginário popular minhoto, zona onde viveu dos 4 aos 15 anos, a que aliou uma intensa temática de noivados, maternidades e famílias, assim integrando a   segunda geração de pintores modernistas portugueses, com Bernardo Marques, Mário Eloy ou Carlos Botelho. Acabou  por  abandonar a pintura no final da década de quarenta, tendo ainda sido galardoada com o Prémio Amadeo de Sousa Cardoso (1944) do SNI. Na década seguinte regressou à ilustração de obras de literatura infantil com A Menina do Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen, para além de na sua carreira ter colaborado no grafismo das revistas Presença e Eva. A sua obra pictórica está representada no Museu do Chiado, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, bem como nos Museus de Bragança e de Amarante, tendo sido agraciada com Ordem de Santiago de Espada (1981). Dá também nome à Escola Básica e Jardim de Infância sita na Rua Almada Negreiros, nos Olivais.

Na sua vida pessoal, casou em 1934 com José de Almada Negreiros, passando a usar o nome de Sarah Affonso de Almada Negreiros, tendo tido dois filhos (José Afonso e Ana Paula) e residido no nº 42 da Rua de São Filipe Nery.

Freguesias de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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