Da Cotovia à Rua da Escola Politécnica de 1859

A Rua da Escola Politécnica num postal de 1906

Rua da Escola Politécnica é o topónimo que consagra o estabelecimento de ensino superior que naquele arruamento foi fundada em 1837- a Escola Politécnica – , nas instalações que haviam sido do Colégio dos Nobres (1766) e ainda antes, do Noviciado da Companhia de Jesus (1619) na Cotovia.

A Rua da Escola Politécnica, que une a Praça do Príncipe Real ao Largo do Rato, nasceu do Edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de setembro de 1859 que determinou que a Rua da Patriarcal Queimada e a Rua Direita da Fábrica das Sedas passassem a constituir um único arruamento com a denominação de Rua da Escola Politécnica.

Conta Norberto de Araújo nas suas Peregrinações que «Esta artéria, rasgada como larga serventia entre as quintas do Noviciado da Companhia de Jesus e a de D. Rodrigo, fazia a ligação do sítio da Cotovia com o de Campolide, que começava – já o disse – onde veio a ser o Rato. Antes do Terramoto a rua tinha duas designações para cada um dos seus troços: Rua Direita da Fábrica das Sedas até ao Palácio dos Soares (depois Imprensa Nacional), daí para diante até à actual Praça do Rio de Janeiro [ desde 1948 corresponde à Praça do Príncipe Real ] era Rua do Colégio dos Nobres, designação que sucedeu à de Rua Direita da Cotovia. Em Setembro de 1859 passou toda a artéria a ser Rua da Escola Politécnica».  Em resumo, a Rua Direita da Cotovia passou a ser Rua do Colégio dos Nobres que mais tarde se torna Rua da Patriarcal Queimada e depois, 22 anos após a abertura da Escola Politécnica, se une com a Rua Direita da Fábrica das Sedas para dar lugar à Rua da Escola Politécnica.

A Casa do Noviciado da Cotovia, foi construída pelo arquiteto Baltazar Álvares na Quinta do Monte Olivete e estando concluída em 1616, começou três anos depois a ser o centro de formação dos  Jesuítas, até à sua expulsão de Portugal em 1759. Depois de expulsar os Jesuítas, o Marquês de Pombal aproveitou o colégio deles para instalar, a partir de 7 de março de 1761, o Real Colégio dos Nobres, remodelado por Carlos Mardel, para ministrar uma formação inicial a jovens aristocratas, no quadro do Iluminismo.

Foi o Colégio dos Nobres extinto em 4 de janeiro de 1837 para dar lugar, pela publicação do Decreto de 11 de janeiro de 1837 à  Escola Polytechnica de Lisboa , concebida para ministrar um ensino preparatório científico aos candidatos a oficiais do Exército e da Marinha, que seria completado nas escolas especializadas – Escola do Exército e Escola Naval – copiando o modelo da Escola Politécnica de Paris. Os cursos ministrados eram um curso geral, um curso preparatório para oficiais de artilharia, outro para oficiais de marinha e outro para oficiais de infantaria e cavalaria, um curso preparatório para oficiais de estado-maior e de engenharia militar para engenheiros civis bem como um curso preparatório para engenheiros construtores navais. Entretanto, o antigo edifício ficou totalmente destruído em virtude de um incêndio ocorrido em  22 de abril de 1843, pelo que a partir de 1857 foram sendo construídas novas instalações que já só virão a albergar a Escola Politécnica uma vez que a Escola do Exército havia sido deslocada em 1850 para o Palácio da Bemposta.

A partir de 19 de abril 1911, na sequência da criação da Universidade de Lisboa, passou a ser a Faculdade de Ciências que 74 anos depois, em 1985, se mudou para novas instalações na Cidade Universitária de Lisboa, no Campo Grande. Nas instalações da Rua da Escola Politécnica passou então a funcionar o Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), onde se integra o Jardim Botânico (nascido em 1878), classificado como Monumento Nacional desde 2010, e que inclui o Observatório Astronómico da Escola Politécnica, o Edifício dos Herbários, as Estufas e o Palmário.

Freguesias da Misericórdia e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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