A Rua da Fábrica de Tecidos Lisbonenses

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da Fábrica de Tecidos Lisbonenses nascida em  1838 no Convento de S. Francisco de Xabregas, na então Rua Direita de Xabregas, dá nome a uma artéria da Freguesia do Beato desde 2004, num conjunto de arruamentos em que a edilidade quis perpetuar a memória das fábricas desta zona oriental de Lisboa. A Rua da Fábrica de Tecidos Lisbonense foi o topónimo dado à Rua G à Rua Carlos Botelho pelo Edital de 10 de fevereiro de 2004 que também atribuiu a Rua da Fábrica das Moagens (Rua A e a Rua C ), a Rua da Fábrica de Estamparia (Rua B e a Rua F), o  Largo da Fábrica de Fiação de Xabregas (Rua D) e o Largo da Fábrica de Tecidos Oriental ( Rua E ).

O mundo rural de Xabregas e Beato começou a transformar-se entre 1832 a 1834, com a extinção das ordens monásticas e a instalação das primeiras unidades industriais no que haviam sido edifícios religiosos, fazendo com que no final do séc. XIX laborassem já entre 800 a 1000 operários nas fábricas do Beato.

A Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense foi a primeira a instalar uma fábrica com fiação e tecelagem em Xabregas. Para viabilizar essa junção da fiação à tecelagem arrendou ao Estado o Convento de S. Francisco de Xabregas, pelo valor de 750 mil réis, por um período de quinze anos. A autorização oficial que marcou o início da Companhia de Fiação de Tecidos Lisbonense foi conferida pela Carta de Lei de 29 de julho de 1839, embora já no ano anterior tenham sido publicado os seus primeiros estatutos, pela Typographia Patriotica, em julho de 1838.

Esta Companhia resultou da criação de uma Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada para explorar o negócio da fiação e tecidos de algodão, com o capital de 40 000$000 réis, sendo fundadores os pequenos empresários e capitalistas José Joaquim Soares de Faria, Francisco Rodrigues Batalha, António José Pereira Guimarães e José António Machado.

Antes de se completarem os quinze anos de arrendamento, em 1844, quando trabalhavam no edifício quatrocentos operários, deflagrou na fábrica um gigantesco incêndio. No entanto, a laboração continuou  em Xabregas até 1846, embora transferida para o Palácio Marquês de Nisa, próximo do espaço original que acabou por ser cedido para a instalação da Fábrica de Tabacos. Ainda em 1846 a Companhia de Fiação de Tecidos Lisbonense arrendou o edifício de uma Fábrica de Pano de Feltro, adaptada a fiação e tinturaria, em Olho de Boi (Almada), na margem esquerda do Tejo.

A partir de 1846-1847 iniciou-se o processo de instalar uma nova fábrica de fiação em Santo Amaro, em terrenos adquiridos ao Conde da Ponte, segundo o traçado do arqº João Pires da Fonte (1796-1873) que assim irá introduzir em Lisboa o modelo inglês das fábricas «incombustíveis» como lhes chamou o historiador Jorge Custódio, sendo também um dos edifícios pioneiros da Arquitectura do Ferro em Portugal, com inauguração em 1849, sob o nome de Fábrica Grande de Santo Amaro. A tecelagem da Companhia de Fiação de Tecidos Lisbonense estabeleceu-se no Caneiro de Alcântara, entre 1846 e 1855, nas Tercenas da Casa de Pombal, numa zona contígua aos terrenos de Santo Amaro. Entre 1851 e 1855, a  Companhia mandou construir mais cinco edifícios, junto ao edifício principal, para que aí se instalassem máquinas de fiação e teares mecânicos em ferro, que estavam dispersos em outras zonas da cidade. Foi a primeira empresa têxtil a a edificar um bairro operário para albergar os funcionários e famílias, em 1873, nas traseiras da fábrica, na Rua de São Joaquim ao Calvário (desde 1911 é a Rua Primeiro de Maio).

Com a crise de 1917, a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense começou a ter os primeiros problemas financeiros e acabou por  se dissolver, tendo  os edifícios de Santo Amaro – na Rua de Santo António ao Calvário e depois de 1914, Rua Rodrigues de Faria –  sido vendidos à empresa Portugal e Colónias, depois à tipografia Anuário Comercial e que hoje identificamos como o espaço da LXFactory.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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