A Rua da Boavista da Fábrica do Gás

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da Boavista, abaixo do Monte de Belver ou Alto da Boavista, dotada de um bica para melhoras dos olhos, que hoje encontramos a unir a Rua de São Paulo ao Largo do Conde Barão, albergou entre 1847 e 1914 a Fábrica do Gás da Boavista.

Fábrica de Gás da Boavista foi inaugurada em 1847 e segundo Norberto de Araújo, ainda cerca de 1860 se encontrava de frente para a Praia da Boavista e os Boqueirões da Moeda e dos Ferreiros, tendo assim sucedido ao antigo Quartel da Brigada Real da Marinha o edifício da Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás, estando nos terrenos por detrás deste a primeira Fábrica de Gás, de Cláudio Adriano da Costa e do francês José Detry, que por privilégio concedido em 3 de maio de 1846 detinham o monopólio da produção e comercialização de gás. A  junção desta Fábrica do Gás com a Central Tejo, a partir de 1909, permitiu fornecer eletricidade a Lisboa e a toda a faixa costeira até ao Estoril.

O traçado de elevação da fachada da Fábrica do Gás na Rua da Boavista, aprovada pela CML em 16 de maio de 1850

Em 1887 foi fundada uma concorrente, a Companhia do Gás de Lisboa, com fábrica em Belém, junto à Torre, em terrenos cedidos pela CML e, em 1891, as duas companhias acabaram por se fundir. Em 1914, deu-se na Fábrica da Boavista uma formidável explosão que originou 19 mortos e um incêndio, tendo então o fabrico do gás passado, inteiramente, para o sítio do Bom Sucesso, na proximidade da Torre de Belém, tendo Norberto de Araújo adiantado mais tarde que «a fábrica deve estar instalada, no ano próximo, no ocidente da Cidade, na Quinta da Mantinha, ao Poço do Bispo (se a guerra, que rebentou em 3 de Setembro dêste ano de 1939, não vier impedir a realização do projecto).»

A Rua da Boavista já existia como topónimo antes do Terramoto de 1755 como o registam as memórias paroquiais de Lisboa.  Ao Alto de Santa Catarina com quem a Rua da Boavista se relaciona na toponímia semelhante, também se chamava Alto do Belver, ou Belveder ou Alto da Boavista. Contudo, o nome de Boavista está também especialmente relacionado com a Bica dos Olhos, a Bica de Duarte Belo, construída em 1675 e muito popular pela sua eficácia no tratamento de doenças dos olhos, tendo até um médico de D. João V referido a sua água como medicinal na sua obra  Aquilégio Medicinal de 1726. E assim, durante muito tempo, acorreram a esta bica muitas pessoas para lavar os olhos com o propósito de manter uma boa visão ou curar outros males dos olhos.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

2 thoughts on “A Rua da Boavista da Fábrica do Gás

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  2. Rua da Boavista, situated below Monte de Belver or Alto da Boavista, endowed with a fountain whose water helps the eyes, is a road which today links Rua de São Paulo to Largo do Conde Barão, and was home to the Boavista Gas Factory between 1847 and 1914.

    Rua da Boavista, situated below Monte de Belver or Alto da Boavista, endowed with a fountain whose water helps the eyes, is a road which today links Rua de São Paulo to Largo do Conde Barão, and was home to the Boavista Gas Factory between 1847 and 1914.
    The Gas Factory at Boavista was officially opened in 1847 and, according to Norberto de Araújo, even around 1860 the Boavista waterfront was still just in front of Factory, with two streets leading directly to the river, Boqueirão Moeda and Boqueirão dos Ferreiros. The Lisbon Company for Gas Illumination’s building had replaced the old Royal Brigade Naval Barracks and on the land behind it was the initial Gas Factory. It belonged to Cláudio Adriano da Costa and the Frenchman José Detry, to both of whom the monopoly of the production and commercialization of gas was granted on the 3rd of May 1846. From 1909, the Gas Factory in conjunction with the Central Tejo Electricity Station enabled the supply of electricity to Lisbon and the whole waterfront as far as Estoril.

    A competitor was founded in 1887, the Lisbon Gas Company, with a factory in Belém beside the Torre, on land leased from the Lisbon City Council. In 1891 the two companies merged. In 1914 there was an enormous explosion at the Boavista factory, which killed 19 people and started a fire. After that, the gas factory was completely relocated to the Bom Sucesso site near the Torre de Belém. Later, Norberto de Araújo gave advance notice: “next year the factory will be set up east of the city, in Quinta da Mantinha at Poço do Bispo (unless the war, which broke out on the 3rd of September of this year of 1939, prevents the completion of the project).

    The place name Rua da Boavista predates the 1755 earthquake, as noted in Lisbon’s parish records. Alto de Santa Catarina is related to Rua da Boavista in terms of place names, because it was also known as Alto do Belver, Belveder or Alto da Boavista. Nevertheless, the Boavista name is also particularly linked to the Fountain for Eyes, or the Fountain of Duarte Belo, built in 1675 and well known for its efficacy in the treatment of eye diseases. Even a doctor to D. João V referred to its waters as medicinal in his 1726 work Aquilégio Medicinal. Over a long period of time therefore many people came to this fountain, to bathe their eyes with the aim of maintaining good eyesight or curing other eye problems.

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